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O sistema de pontuação de vinhos pode ser em escala de 100 ou 20 pontos ou ainda com ícones, como estrelas
O sistema de pontuação de vinhos pode ser em escala de 100 ou 20 pontos ou ainda com ícones, como estrelas| Foto: Bigstock

As pontuações atribuídas pelos críticos aos rótulos de vinho exercem um enorme e crescente fascínio entre os amantes da bebida. Além de referencial qualitativo e chamariz muito difundido no comércio, também funcionam como uma espécie de afirmação, por parte do dono da garrafa, quando se entusiasma ou se orgulha de ter ou servir um vinho com tantos e tantos pontos altos.

É preciso advertir desde logo que os pontos nada dizem acerca do gosto do vinho. Para definir o tipo de sabor e a personalidade da bebida é necessário combinar os fatores do local de origem, casta, safra e produtor. Por exemplo, um Romanée-Conti de 100 pontos é muito diferente de um Château Pétrus de 100 pontos ou de um Hermitage de mesmo calibre.

Descendo um pouco à terra, um Malbec argentino de 88 pontos é também muito diferente de um Cabernet Sauvignon chileno de 88 pontos. Duas garrafas do mesmo rótulo e de escore idêntico pelo mesmo crítico, mas de safras diferentes, também não terão o mesmo sabor. Daí, quando vejo uma pontuação associada a determinado rótulo, tenho sempre que essa referência define apenas uma faixa de qualidade. E para isto funciona muito bem, é muito útil e direta.

A tipologia cresce desde vinhos simples, passando aos bons, ótimos, excelentes e excepcionais. Vinhos maus não merecem pontuação alguma, custem barato ou caro. São para ir direto pelo ralo da pia.

A grande referência são os 90 pontos. Um vinho a partir dessa nota deve gerar a emoção de um néctar especial. Exemplo clássico e universal dos 90 pontos é um Champagne brut, não safrado, bem feito, como Veuve Clicquot rótulo amarelo, Taittinger brut réserve, Deutz brut classic, além de outras marcas famosas. Por isso mesmo prefiro trabalhar com as pontuações a partir desse marco.

De 90 e acima, vinhos distintos e com virtudes bem especiais. Para baixo, belos vinhos, de personalidade, mas sem aquela centelha de emoção que quase sempre leva uma garrafa a custar mais caro. De 85 a 90, são belos vinhos, sem defeitos, com personalidade e distinção crescentes. Entre 80 e 85 pontos, vinhos comuns, bons para o dia a dia, casuais, não devem doer no bolso. Mais perto dos 80, para começar a evitar. E daí para baixo, o melhor é deixar para lá.

No fundo, o leitor já percebeu que apesar da escala ir até 100 pontos, na verdade ela só funciona num intervalo de interesse de 20. Dos 80 aos 100.

A escala de 100 pontos nasceu com a crítica americana, difundidas notadamente por Wine Spectator e Robert Parker, que sentiram limitações com o padrão europeu de 0 a 20 pontos – na verdade de cerca de 12 a 20, pois abaixo dos 12 pontos equivale a abaixo dos 80. Começaram, então, em meados da década de 1970, a utilizar essa nova pontuação, base 100, com referência nas notas que se atribuem aos alunos nas escolas. Mais fácil de entender e mais elástica para trabalhar. Com o tempo, tornou-se a principal referência mundial, a mais difundida.

Outro fator a ter atenção é com a fonte da pontuação. É necessário que o crítico ou a publicação sejam de qualidade e de preferência sem viés. Há sites que abrangem vinhos de todo mundo, outros são específicos a determinadas regiões. Atualmente, dada a quantidade de vinhos qualificados, é impossível a um só provador abranger todas as regiões. De modo que, ou o autor se especializa em um dado vinho, ou a publicação necessita de diversos provadores para cobrir tudo. O leitor pode procurar na internet e avaliar suas preferências. Certa cautela também é necessária com as notas. Não há um critério científico ou perfeito para pontuar um vinho. A análise é sensorial, logo, por mais abalizado que seja o provador, pode ter um certo intervalo de tolerância.

O leitor notará que o mesmo vinho terá muitas vezes notas diferentes, conforme a fonte. Cerca de 4 pontos é usualmente uma margem de erro a considerar. Por exemplo, um vinho com nota 90 pode estar nos extremos de 88 a 92. Mas não se decepcione com a aparente imprecisão, pelo contrário. As pontuações devem ser entendidas e utilizadas como informação rápida e direta da faixa de qualidade do vinho. Especialmente quando comparadas ao preço da garrafa, para escolha dos melhores custo-benefício ou cotejo de rótulos com valores diferentes. Constituem uma inestimável e rápida referência.

As principais escalas de pontuação

  • Escalas de 100 pontos: algumas das mais famosas são Decanter Magazine, James Suckling, Robert Parker (Wine Advocate), Vinous, Wine Spectator, Wine & Spirits Magazine.
  • Escalas de 20 pontos: algumas das mais famosas são Bettane & Desseauve, Gault & Millau, Jancis Robinson, La Revue du Vin de France.
  • Escalas de estrelas (ou copos ou garrafas, etc): algumas das mais famosas são Decanter Magazine (no passado), Michael Broadbent (“Vintage Wine”), Gambero Rosso (bicchiere – copo), neste último caso, até 3.
Escala de 100 pontosEscala de 20 pontosEscala de estrelas/íconesFaixa de qualidade do vinho
10020* * * * *Excepcional, clássico, fenomenal, sublime e perfeito. Experiência única. 5 estrelas com destaque.
95 - 9918 - 19* * * * *Excelente, marcante, notável, grandioso. 5 estrelas típico.
90 - 9416 - 17* * * *Ótimo, caráter superior, especial. Nos 94 pontos já pode ser um cinco estelas.
85 - 8914 - 15* * *Muito bom, qualidade crescente. Nos 88 e 89 pontos, praticamente um 4 estrelas.
80 - 8412 - 13* *Bom, bebível, sem defeito, sem atrativo especial, para beber sem pensar e sem doer no bolso.
Abaixo de 80Abaixo de 12*Evitar. Vinho de medíocre a defeituoso. No melhor, vulgar. 

Fonte: Tabela de autoria do redator. Comparações entre as escalas são aproximadas.

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