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Artista: Julia Candia da Silva
Artista: Julia Candia da Silva| Foto:

Paula era professora de uma escola municipal. Este ano lecionava para crianças de dez anos e estava encantada com seus “pequenos”.
Eles eram espertos, dedicados e empenham-se nas atividades propostas. Alegres e tagarelas, enchiam suas tardes de barulho e felicidade.
Trabalhar com o que se ama, tem lá as suas vantagens, pensava ela todos os dias.
Para a aula daquela tarde, Paula havia preparado uma atividade especial. Imprimira uma imagem dos três macacos sábios e trabalharia algumas questões étnico culturais: como as diferentes culturas influenciam o nosso cotidiano, como “tropicalizamos” alguns conceitos e por ai afora!

Fonte: Visual Hunt

Fonte: Visual Hunt

Ao entrarem na sala as crianças já se depararam com a imagem afixada ao quadro de giz.
Entre conversas e cochilos, iniciaram um debate que versava desde um questionamento sobre o propósito daquela aula até a compreensão da metáfora ali proposta.
Depois da acolhida de cada início de período, Paula anunciou: “- Crianças! Hoje faremos uma atividade superbacana! Quero que observem esta imagem que está aqui no quadro e me digam o que entendem sobre ela”.
João foi o primeiro a opinar: “- Eu vejo três macacos teimosos“profe”! Um não quer ver, outro não quer falar e outro não quer ouvir! Acho que estão desobedecendo à mãe e fazendo birra!”
Todos riram da definição do João e Paula estimulou-os a darem mais contribuições.
Harumi levantou a mão para falar: “- “Profe”! Estes são os três macacos sábios do povo japonês! Eles querem nos ensinar que não devemos olhar o mal, falar o mal e nem ouvir o mal. É um jeito de vivermos felizes e em paz com as pessoas!
Neste momento, Paula pensou: “Excelente! Meus alunos já trouxeram o significado dos três macacos no país de origem e como foi ressignificado no Brasil. Posso iniciar o conteúdo. “
Marina então resolveu falar: “- Professora! Eu fiquei olhando e pensando… Acho que estes macacos querem nos ensinar a viver em grupo! Um não vê, outro não ouve e outro não fala. Se eles ficarem separados, não vão conseguir se comunicar e viver, mas se estiverem juntos, um pode ajudar o outro e eles serão felizes.
Suspirou e continuou: “-A gente precisa um do outro pra viver. Lembra que você explicou isso? Que a gente precisa do padeiro, do lixeiro, dos médicos, dos avós, dos amigos… Que a gente é igual a um piano? Só fazemos música com todas as teclas… senão vira barulho. Igual a um quebra-cabeça! Se faltar um, não completa a imagem. Como uma caixa de lápis, se não tiverem muitas cores, o desenho fica sem vida!”
Paula ficou alguns segundos em silêncio, absorvendo aquela pérola de sabedoria infantil!
Agradeceu a contribuição de todos e mudou totalmente o propósito da aula. Pediu para que cada criança escolhesse um amigo e contasse para o grupo porque ele era imprescindível para a turma!
Para João foi atribuída a contribuição da alegria, Harumi foi mencionada pelos lindos desenhos que enfeitavam a sala, Marina pelo jeitinho amigo e assim foi feito com todos os alunos.
Aquela aula foi repleta de sentido e significado, principalmente para Paula, que mais uma vez foi ensinar e acabou aprendendo.
E na produção daquele dia, o desenho coletivo, registrou os ensinamentos valiosos que ficaram no coração das crianças:

Artista: Julia Candia da Silva

Artista: Julia Candia da Silva

 

* Um agradecimento especial  à querida Julia que fez, com todo carinho, o desenho que ilustra o post de hoje!

Por Dani Lourenço

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