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Do Super Bowl ao Bar Palácio em algumas garfadas

Anacreon de Téos
Espetinho de camarões ao cajun – a entrada inspirada nos ares de New Orleans.

Estava me programando para assistir o Super Bowl, domingo passado, e me passou um filme de New Orleans pela cabeça. Cidade calorosa, receptiva, musical e única no seu modo de ser, nada a ver com as demais metrópoles norte-americanas. Na música e na comida a influência dos negros é decisiva. Para o jazz e para os sabores da cozinha “creole”, que se desenvolveu com a colonização dos franceses. Farta e saborosa, tem como marca registrada a Jambalaya, feita à base de arroz, que pode combinar dezenas e dezenas de ingredientes.

Mas meu desejo não chegava a tanto. Pensei, sim, em como aproveitar o Cajun que o amigo J.J.Werzbitzki havia me presenteado. Ele, sim, que morou em New Orleans, um especialista em Jambalaya (já chegou a fazer com quase 60 ingredientes em um dos jantares de nossa Confraria do Armazém).

Cajun era a maneira como os índios da região chamavam os acadianos (descendentes de franceses que, expulsos, foram do Canadá para a Louisiana) e a denominação também pegou na combinação de ervas e especiarias utilizada para temperar seus pratos. Aqui, na embalagem de Cajun que ganhei, a descrição dos ingredientes: especiarias (incluindo pimenta vermelha), sal, vegetais desidratados (cebola, pimenta verde, alho), açúcar, óleo de girassol, salsinha desidratada e os devidos e necessários conservantes.

No verso do rótulo havia sugestões de receitas e a de camarões me pareceu a mais interessante. Seria a entrada, com certeza. Um Espetinho de camarões ao cajun. Mesmo descobrindo, quase na hora de fazer, não haver mais espetinhos em casa. Solução: apontei, como se aponta lápis, um hachi e deu certo.

Ao ligar para a peixaria para encomendar o camarão já fiquei sabendo de antemão qual seria o prato principal: tamboril. É que sempre faço assim, brincando com os irmãos Paulo e Pablício Mozer, da Pescados Keli Mozer, no Mercado Municipal. Ligo e pergunto: o que será meu jantar de hoje? Hoje tem um robalo assim, uma lagosta bonita ou lulas interessantes – respondem. Aí já tendo ideia do que fazer, chego lá, compro e tudo bem.

Dessa vez o Paulinho respondeu na tampa: tamboril. É que ele sabe o quanto aprecio esse peixe, que já foi motivo de vários apetitosos posts meus. Veja aqui, por exemplo. Ou aqui. É o que os franceses chamam de lotte e nós, por aqui, de peixe-sapo, pois é bem feio mesmo. Tão feio quanto deliciosa é sua carne, firme, de consistência e sabor lembrando a lagosta.

Como o camarão da entrada já trazia um tempero mais acentuado, pensei em não baixar a bola e optei por fazer uma receita com curry, que havia guardado ainda inédita: Medalhões de tamboril ao curry e limão, que, pelo menos na minha cabeça, tinha a ver com a entrada. Talvez pelo leite de coco, sei lá. Mas que tinha, tinha. E a vantagem: rápido de fazer, apenas alguns minutos de frigideira.

Para sobremesa, quebrando todo o roteiro, um Mineiro de botas. Sim, aquela mesmo, reverenciada pelos frequentadores do Bar Palácio, em Curitiba. Banana, goiabada, queijo, ovo batido e finalizado com a crosta de açúcar e o rum flambado. Não foi por acaso. É que dias atrás me pediram para fazê-la no jantar da confraria (já havia feito lá, uma vez, há uns sete ou oito anos) e ao executá-la lembrei-me do quanto é saborosa e das quantas noites encerradas com o prato fumegante à mesa. Fiz uma porção individual e o mais complicado foi utilizar apenas 1/3 de uma banana. Mas deu certo. Comi o restante enquanto preparava os pratos.

E assim, um jantar que começou inspirado no Super Bowl (com apagão e tudo) foi terminar nas reminiscências do Bar Palácio. Tudo acompanhado de um vinho branco nada seco, um gewurztraminer de um frescor incomparável.

Como não sou nada egoísta, divido com você os prazeres dessa noite, publicando abaixo as três receitas. O mais difícil de encontrar talvez seja o Cajun que o J.J. me trouxe lá da origem. Mas acho que deve ter nas boas importadoras. Vamos então? Mãos à obra.

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Espetinho de camarões ao cajun

Anacreon de Téos

Ingredientes:

3 colheres (sopa) de cajun
3 colheres (sopa) de água
2 colheres (sopa) de azeite de oliva
16 camarões pistola sem casca, somente com a cauda

Preparo

Misture todos os ingredientes em um saco plástico e deixe marinar por 1 hora, na geladeira.
Enfie 4 camarões em cada espetinho de madeira e leve a uma grelha bem quente. Grelhe por 2 a 3 minutos de cada lado ou até que os camarões fiquem ligeiramente rosados.
Sirva em seguida.

Rendimento: 4 porções.

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Anacreon de Téos
Medalhões de tamboril ao curry e limão – o prato principal com toque oriental no saboroso peixe.

Medalhões de tamboril ao curry e limão

Ingredientes

800g de filés de tamboril cortados em medalhões
200 ml de leite de coco
1 limão taiti
1 cebola picada
2 colheres (chá) de curry
1 colher (sopa) de farinha de trigo
2 colheres (sopa) de óleo de canola
Sal e pimenta-do-reino (moída na hora, de preferência)
Coentro picado

Preparo

Raspe a casca do limão verde e misture as raspas com a farinha, metade do curry, o sal e a pimenta. Ponha em um saco plástico, sacuda bem e junte os medalhões para serem revestidos por essa mistura.
Aqueça o óleo em uma frigideira e doure os medalhões de tamboril, deixando 3 minutos de cada lado. Reserve.
Na mesma frigideira, refogue a cebola picada com o restante do curry, por 2 minutos.
Junte o leite de coco e devolva o tamboril à frigideira, junto com o suco que soltou.
Cozinhe por mais um instante, desligando quando começar a ferver.
No momento de servir, salpique por cima o coentro picado (sem exagerar, pois o coentro tem sabor acentuado) e regue com um pouco do suco de limão.

Rendimento: 4 porções.

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Anacreon de Téos
Mineiro de botas – a sobremesa consagrada pelo Bar Palácio.


Mineiro de botas

Receita original do Bar Palácio, de Curitiba

Ingredientes

3 ovos
60 g de goiabada
60 g de queijo prato
1 banana caturra
1 pitada de sal
½ xícara de açúcar (e mais para queimar)
1 colher (sopa) de manteiga
1 cálice de rum

Preparo

Corte a goiabada, a banana e o queijo em pequenos cubos.
Numa tigela, bata os ovos e acrescente o restante dos ingredientes.
Aqueça a manteiga em uma frigideira funda, despeje a mistura e frite bem, até que a goiabada e o queijo derretam.
Ponha numa travessa e polvilhe com açúcar.
Esquente a ponta de um ferro na brasa e pressione sobre o preparado. Na falta, use maçarico, para dourar e formar a crosta de açúcar.
Derrame o rum aquecido por cima e risque um fósforo. Deixe flambar um pouco e sirva quente.

Rendimento: 4 porções.

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E-mail: a-teos@uol.com.br

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