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Pizza Margherita da Marghê. A inspiração para o nome da pizzaria.
Pizza Margherita da Marghê. A inspiração para o nome da pizzaria.| Foto: Divulgação

Fazer pizza é coisa séria. Não é para qualquer um.

Quer dizer, qualquer um pode fazer, mas nem sempre aquilo dá para se chamar de pizza.

E não estou falando dos amadores, como nós, que vamos tentando ajeitar as coisas na cozinha e no forno, sempre torcendo pelo melhor. Estou, sim, falando dos profissionais, da turma da pizzaria, que está em toda parte, fazendo alarde de seus produtos.

Curitiba tem centenas – sim, centenas – de pizzarias, espalhadas por todos os cantos da cidade e pelas dark kitchens. Mas, numa peneirada básica, tirar 5% disso para listar na ala da qualidade, já dá um trabalhão.

Fazer pizza não é sovar uma massa de pão, espalhar molho de tomate pronto por cima, umas fatias de queijo daqueles que não se pode chamar de muçarela – mas que passam por isso – e cobrir com algumas fatias de linguiça, cebola ou o que mais possa ser.

E, nesses moldes, se encaixa a grande maioria, que pode, por consequência, cobrar bem baratinho para tentar pegar os clientes pelo bolso. Daí a pessoa recebe a pizza, na mesa ou em casa, e o primeiro ato é qual? Retirar a borda e deixar de lado, por ser muito dura. Se deixar esfriar um pouco, já vem o segundo alarme: o queijo ficou borrachudo. E aí, a cada nova mastigada, mais defeitos vão aparecendo.

Há não muito tempo era possível contar nos dedos de uma só mão as boas pizzarias de Curitiba. Hoje em dia, com mais seriedade, mais estudo e mais dedicação dos empresários, já é possível montar um bom rol de locais onde é possível comer (ou encomendar) uma pizza de qualidade. Como se fosse numa das ruas de Nápoles ou em qualquer cantina italiana.

O forno da Marghê é dos mais modernos que existem e atinge altíssimas temperaturas para assar as pizzas em poucos intantes.
O forno da Marghê é dos mais modernos que existem e atinge altíssimas temperaturas para assar as pizzas em poucos intantes. | Foto: Divulgação

Um dos principais procedimentos para termos uma pizza correta é saber fazer uma boa massa. Que começa com uma farinha premium, evidentemente. Italiana, evidentemente. Que é trabalhada, sovada, leva algumas dobras e vai para a geladeira, descansar um mínimo de três horas e um máximo de três dias.

Isso se chama fermentação lenta, que é a alma da pizza napolitana. Não confundir com fermentação natural (muita gente confunde e se atrapalha em explicar), que tem como base o levain e também demora bastante para crescer. Embora também seja possível utilizar em pizzas, com bons resultados.

A Marghê

Nessa linha de qualidade e seriedade, chega agora a Marghê. Agora é modo de dizer, uma vez que começou dias atrás o atendimento presencial, pois já vinha no delivery havia um bom tempo, desde que a pandemia impediu a inauguração da casa, no início do ano passado.

Marghê vem de Margherita, é claro, justamente a mais icônica e famosa das pizzas.

A Margherita, que surgiu em 1889, é coberta com tomate, muçarela (tradicionalmente fiordilatte) manjericão fresco, azeite extra virgem e sal. Obra do chef Raffaele Esposito para homenagear a então Rainha da Itália, Margherita di Savoia, criando um prato salgado com as mesmas cores da bandeira italiana.

E a Marghê justifica o nome. É muito boa e pode, certamente, ser incluída naquele rol das poucas que se situam lá em cima na classificação. As massas cumprem à risca a fermentação lenta e a deles demora 48 horas. O tomate é italiano, o queijo é da Levitare (garantia de sabor e qualidade) e os demais itens das diversas combinações são todos de primeira qualidade.

Burrata di Parma, interessante opção de entrada: Burrata fresca, crostini da casa, Parma e pesto de manjericão.
Burrata di Parma, interessante opção de entrada: Burrata fresca, crostini da casa, Parma e pesto de manjericão.| Foto: Divulgação

Ao todo, o cardápio apresenta 30 opções de pizzas, além de burratas (da Mozzarellart, deliciosas, as melhores que conheço) e magliones (calzones abertos) como entradas. Tem uma Burrata di Parma (R$ 39) que provei e é muito gostosa. Pra começar em alto astral.

Entre as pizzas (confira o cardápio aqui), algumas clássicas, como a já citada Margherita (R$ 50 de quatro fatias e R$ 62 de seis fatias), Calabresa (R$ 54/R$ 67), Portuguesa (R$ 48/R$ 60), Quatro queijos (R$ 48/R$ 60) e Marinara (R$ 39/R$ 49). Há também algumas com assinatura da casa, como a Blumenau (R$ 53/R$ 67) e a Burrata e Parma (R$ 64/R$ 80), entre outras.

E, claro, as ditas “populares”, com combinações do gosto do brasileiro que um italiano certamente não aprovaria (mas faz parte do paladar de alguns), como Frango e requeijão (R$ 48/R$ 64) e toda uma lista de pizzas doces.

Há, portanto, pizzas para todos os gostos. Desde os mais exigentes até os mais populares. Mas todas com os mesmos ingredientes de qualidade.

A adega colorida tem boa variedade de vinhos e espumantes e os preços são bem interessantes - margem de lucro bem pequena em cada rótulo.

Mudando de cor a cada instante, a adega do Marghê dispõe de uma boa variedade de vinhos e espumantes a preços atraentes.
Mudando de cor a cada instante, a adega do Marghê dispõe de uma boa variedade de vinhos e espumantes a preços atraentes. | Foto: Divulgação

O empreendimento

A Marghê nasceu do interesse de Thomas Luis de Paula pelos sabores que a pizza representa. Executivo de uma grande empresa (ainda consegue acumular as funções), o empresário passou um tempo na Itália, estudando o mercado de lá e assimilando alguns conceitos das pizzas lá produzidas e servidas.

Com muito bom gosto ele escolheu o local e aprovou a decoração, que utiliza muitas cores em toda parte. O laranja se destaca na parte externa e o forno tem pastilhas coloridas em seu lado externo (é forno a gás, mas atinge altíssima temperatura, chegando a 480ºC, embora eles usem só até 420ºC , e até dá um pouco do defumado do forno a lenha), a adega tem prateleiras de acrílico que mudam de cor, os banheiros têm uma decoração descontraído, que lembra cartas de baralho. Azulejos, lustres, lenha, os sofás, todo o mobiliário é conceitual e moderno. Obra da arquiteta Emily Trapp, que acertou em cheio o conceito casual do restaurante.

Tudo isso no entorno e mais uma pizza boa são para atrair e cativar quem por lá resolve aparecer. E que certamente volta depois.

A casa funciona de terça a domingo, das 18h às 23h.

Pizza de linguiça Blumenau, das personalizadas da casa.
Pizza de linguiça Blumenau, das personalizadas da casa. | Foto: Divulgação

Marghê Pizzeria

Rua Camões, 354 – Alto da XV

Fone: (41) 3501-9705

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