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Em meio ao crescimento do endividamento das famílias brasileiras e à busca por alternativas mais acessíveis de crédito, a fintech paranaense Conta Cheia acaba de captar R$ 50 milhões de um fundo de investimentos, para acelerar sua expansão no mercado de crédito consignado privado.
Fundada em dezembro de 2025, a empresa nasceu com foco em oferecer crédito com condições mais justas para trabalhadores CLT e, em menos de seis meses de operação, já recebeu 134 mil pedidos de crédito consignado, somando mais de R$ 58 milhões em volume solicitado.
A captação marca um novo momento para a empresa, que pretende ampliar sua atuação no segmento B2B, fortalecendo convênios com médias e grandes empresas. A fintech atua com crédito consignado privado para trabalhadores registrados em regime CLT, com pelo menos três meses de carteira assinada. Além disso, a concessão do crédito está sujeita à aprovação e segue as etapas tradicionais de análise.
O modelo permite que os colaboradores tenham acesso a empréstimos com desconto em folha de pagamento, juros reduzidos e prazos mais longos, chegando a até 60 meses para pagamento.
No mercado B2B, a oferta de benefícios financeiros precisa combinar valor para o colaborador com simplicidade operacional para a empresa. É nesse contexto que o Conta Cheia estrutura seus convênios: a adesão não gera custo operacional, integração de sistema ou responsabilidade financeira para as companhias conveniadas. A companhia conveniada apenas comunica a disponibilidade da modalidade aos colaboradores como um benefício corporativo, sem assumir papel de ofertante, vendedora, intermediadora financeira ou gestora do crédito.
Em boa parte das operações de crédito consignado privado, o pedido do trabalhador é enviado simultaneamente para diferentes instituições financeiras, em uma dinâmica semelhante a um modelo de comparação de propostas, ou chamado “leilão". Na prática, bancos e financeiras recebem a mesma solicitação ao mesmo tempo e disputam aquela operação apresentando propostas de taxa, prazo e valor liberado.
Embora esse modelo amplie rapidamente as possibilidades de aprovação, ele também faz com que a análise seja muitas vezes baseada apenas em dados automatizados e limitados, sem um entendimento mais profundo sobre o perfil do trabalhador, a empresa empregadora ou o contexto daquela relação de trabalho.
“No modelo de comparação simultânea de propostas, circulam bilhões em solicitações de crédito por mês e nem todo esse volume é atendido. O resultado é um mercado menos eficiente e, muitas vezes, com condições pouco favoráveis aos trabalhadores. Ao estabelecer convênios por meio do Conta Cheia, ampliamos a qualidade das informações utilizadas na análise, contribuímos para reduzir riscos de fraudes financeiras e conseguimos oferecer opções de crédito mais justas, competitivas e adequadas ao perfil do trabalhador CLT", explica o CEO da empresa, o economista Gabriel Nasser.
“A empresa não assume papel de banco nem precisa administrar a operação. Ela apenas disponibiliza aos colaboradores uma alternativa de crédito mais acessível e organizada, sem burocracia adicional no dia a dia”, explica. Atualmente, as taxas praticadas pela empresa iniciam em 3% ao mês, abaixo de muitas linhas tradicionais de crédito pessoal disponíveis no mercado - de acordo com o Ministério do Trabalho, essa taxa gira em torno de 4,48% ao mês. Todo o processo é digital, desde a simulação até a contratação.
Para o trabalhador, a jornada também preserva a liberdade de escolha. Não há qualquer obrigação de contratação com o Conta Cheia. O colaborador pode simular, analisar as condições, comparar propostas e buscar outras instituições financeiras que operem com crédito consignado privado, decidindo com autonomia, clareza e responsabilidade.
“O crédito ainda é uma dor muito grande do trabalhador brasileiro. Muitas pessoas recorrem a modalidades extremamente caras por falta de acesso a alternativas mais equilibradas. O Conta Cheia nasceu justamente para oferecer um crédito mais justo, transparente e sustentável, permitindo que o colaborador reorganize sua vida financeira sem entrar em uma bola de neve”, afirma o CEO.
A expansão da modalidade ganhou força após as mudanças regulatórias implementadas em 2025, que ampliaram a autonomia do trabalhador na contratação do crédito consignado privado. Com o novo modelo, o colaborador passou a poder comparar propostas e escolher a instituição financeira de sua preferência, enquanto as companhias deixaram de atuar como intermediadoras comerciais do processo.
Para o COO da empresa, Giovani Girotto, o momento é fundamental para consolidar a estrutura tecnológica e ampliar a presença da fintech em novos mercados. “Existe uma demanda reprimida enorme por crédito responsável dentro das empresas, e nosso objetivo agora é escalar essa operação, expandindo a atuação B2B e fortalecendo nossa tecnologia e capacidade operacional”, destaca.
Segundo dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o número de famílias endividadas em abril de 2026 chegou a mais de 80%, cenário que reforça a procura por modalidades de crédito com taxas mais competitivas. No Paraná, o endividamento também acompanha a tendência nacional: segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada pela CNC e pela Fecomércio PR no início de abril, 86% das famílias paranaenses declararam possuir algum tipo de dívida em março de 2026. Apesar de representar o menor índice de endividamento dos últimos dez anos no estado, os indicadores de inadimplência cresceram: 15,1% das famílias estavam com contas em atraso, enquanto 3,7% afirmaram não ter condições de quitar suas dívidas.
Além da expansão comercial, a empresa também trabalha em um plano de evolução da operação financeira. A estratégia inclui ampliação do portfólio de soluções e fortalecimento da infraestrutura de crédito.

O blog Paraná S/A é atualizado pelo time de Negócios da Gazeta do Povo. Sugestões de pauta podem ser enviadas no e-mail prsa@gazetadopovo.com.br




