Publicidade
Paraná S.A

Paraná S.A

Espaço atualizado pelo time de Negócios da Gazeta do Povo. Sugestões no e-mail prsa@gazetadopovo.com.br

Sustentabilidade

Da fábrica ao coprocessamento: como a Beontag avançou na gestão de resíduos de autoadesivos

Solução desenvolvida em parceria com a Verdera reduziu o envio de aparas de autoadesivos a aterros e apoiou as metas globais de sustentabilidade da companhia

A unidade de Campo Mourão também possui certificação ISO 14001, reforçando a estrutura de gestão ambiental da operação
A unidade de Campo Mourão também possui certificação ISO 14001, reforçando a estrutura de gestão ambiental da operação (Foto: Divulgação)

Ouça este conteúdo

Um dos principais desafios ambientais da indústria de autoadesivos está na destinação das aparas geradas durante o processo produtivo. Formado pela combinação de papel ou plástico com adesivo, esse material apresenta características que dificultam sua reciclagem e, historicamente, fazem com que uma parcela significativa seja encaminhada a aterros sanitários. 

Para a Beontag, plataforma global de materiais autoadesivos e soluções de identificação por radiofrequência, enfrentar esse desafio tornou-se parte de uma estratégia mais ampla de sustentabilidade. Desde setembro de 2024, a companhia mantém uma parceria com a Verdera, unidade de gestão e destinação sustentável de resíduos da Votorantim Cimentos, para encaminhar ao coprocessamento as aparas geradas em sua unidade de Campo Mourão, no Paraná. 

Com a iniciativa, os resíduos passaram a ser utilizados na produção de Combustível Derivado de Resíduos, o CDR. O material é aproveitado como fonte de energia térmica nos fornos de fabricação de cimento, oferecendo uma destinação ambientalmente mais adequada a um resíduo para o qual ainda existem poucas alternativas de reciclagem técnica e economicamente viáveis. 

 A solução ganha relevância por ter sido implementada na unidade de Campo Mourão. As operações da Beontag no Brasil representam 55% do volume global de resíduos da companhia, o que amplia a importância das iniciativas brasileiras para o cumprimento das metas ambientais globais da empresa  

Sustentabilidade incorporada à estratégia 

A partir de uma análise de materialidade, a companhia definiu metas, indicadores e ciclos de reporte e identificou a gestão de resíduos como um dos temas ambientais prioritários para o negócio. O tema integra a agenda de “Environmental solutions and circular economy”, um dos 11 temas materiais da companhia. 

Entre os compromissos estabelecidos está a ampliação do percentual de resíduos desviados de aterros até 2030. Para a unidade de negócios de materiais gráficos e etiquetas, conhecida GLM (Graphic and Label Materials), a meta é alcançar 90% de desvio de aterros até 2030. Para a unidade DTE (Digital Transformation Enabler), voltada a soluções tecnológicas e etiquetas inteligentes, o objetivo é chegar a 100%.  

Em 2025, os indicadores globais da companhia chegaram a 62% de resíduos desviados de aterros na GLM e 72% na DTE. 

O avanço também aparece nas operações brasileiras. Segundo o Relatório de ESG de 2025 da companhia, o Brasil superou a marca de 75% de desvio anual de resíduos de aterros, representando 55% do volume global de resíduos da Beontag. 

Em 2025, a companhia também ampliou o desvio de resíduos de aterros por meio de parcerias estratégicas. Especificamente na parceria com a Votorantim Cimentos, materiais foram direcionados para recuperação energética, contribuindo para um aumento de mais de 41% na taxa de desvio de aterros, em relação ao ano anterior. 

Uma solução construída a partir da fábrica 

A parceria com a Verdera começou a ser estruturada pela equipe técnica da unidade de Campo Mourão, com o apoio da área de sustentabilidade da Beontag. O movimento traduz uma diretriz da companhia: a sustentabilidade não deve ficar restrita a uma área específica, mas integrar as decisões e a rotina das diferentes equipes. 

A fábrica já mantinha procedimentos para separar os resíduos por categoria, tipo e destinação. Por isso, a adoção do coprocessamento não exigiu mudanças significativas no processo produtivo. Os principais ajustes estiveram relacionados à organização das aparas nas caçambas e à estruturação da logística necessária para o transporte e a destinação do material. 

Essa abordagem está alinhada a iniciativas mais amplas de eficiência operacional desenvolvidas na unidade. O Relatório ESG destaca o Programa Medida Certa, implantado em Campo Mourão, que utiliza software para otimizar o corte de rolos na produção de materiais autoadesivos, permitindo acompanhar e reutilizar aparas, reduzir perdas e ampliar o envio de materiais para coprocessamento.  

A unidade de Campo Mourão também possui certificação ISO 14001, reforçando a estrutura de gestão ambiental da operação. 

A implementação também demonstrou que é possível conciliar ganhos ambientais e viabilidade econômica. Segundo a Beontag, o novo modelo de destinação não representou aumento significativo de custo em comparação ao envio das aparas para aterros. 

“A sustentabilidade precisa estar conectada à estratégia do negócio. Nesse projeto, conseguimos avançar na gestão de um resíduo que representa um desafio histórico para a indústria de autoadesivos, com uma solução ambientalmente mais adequada, operacionalmente e financeiramente viável”, afirma Barbara Dunin, diretora de marketing e ESG da Beontag. 

Resíduos transformados em energia 

Desde o início da parceria, a unidade de Campo Mourão encaminha suas aparas de autoadesivos para aproveitamento energético. O material é utilizado na composição do CDR destinado ao coprocessamento nos fornos da indústria cimenteira. 

De acordo com informações preliminares apresentadas pela Beontag, aproximadamente 300 toneladas de aparas são destinadas mensalmente ao processo. 

Além de reduzir a destinação a aterros, as aparas da Beontag apresentam características relevantes para a preparação do combustível. Por serem resíduos secos, sólidos e com baixo teor de contaminantes, como cloro, ajudam a balancear o blend utilizado na produção do CDR, possibilitando sua combinação com outros resíduos industriais.  

Parcerias que ampliam as possibilidades 

A parceria Beontag e Verdera revela como a conexão entre diferentes setores pode viabilizar soluções para desafios ambientais complexos. A indústria cimenteira não fazia parte da cadeia mais evidente de parceiros da Beontag, mas ofereceu uma alternativa para um material de difícil reciclagem e que tinha os aterros como principal destino. 

O projeto demonstra que a inovação ambiental nem sempre depende da criação de uma tecnologia inteiramente nova. Em alguns casos, ela ocorre quando uma empresa identifica soluções existentes em outros setores e constrói uma operação capaz de aplicá-las com segurança, rastreabilidade e viabilidade econômica.  

“Trabalhamos para desenvolver soluções que conciliem as necessidades operacionais das empresas com uma destinação ambientalmente adequada. No caso da Beontag, o coprocessamento permitiu transformar um resíduo de difícil reciclagem em combustível derivado de resíduos, ampliando suas possibilidades de aproveitamento e reduzindo o envio a aterros”, afirma a gerente de total waste management da Verdera, Larissa Mantovani. 

A credibilidade e a segurança da destinação foram fatores importantes para a escolha da Verdera. A solução inclui: rastreabilidade, documentação ambiental e certificação da destinação final, reduzindo riscos operacionais, ambientais e reputacionais para a Beontag.  

Impacto que vai além da fábrica 

A gestão responsável de resíduos também tem reflexos na relação da Beontag com seus clientes. Com presença comercial em mais de 60 países e operações em diferentes regiões, a companhia atende mercados nos quais critérios ambientais têm influência crescente na escolha e na avaliação de fornecedores. 

Questionários, auditorias e processos de avaliação de clientes abordam temas como metas ambientais, rastreabilidade, emissões e destinação de resíduos. Nesse cenário, compromissos públicos acompanhados de projetos concretos ajudam a demonstrar que a sustentabilidade está incorporada à gestão do negócio e não apenas ao posicionamento institucional da companhia. 

“Recebemos muitas demandas de clientes relacionadas à sustentabilidade, especialmente em mercados com maior maturidade nesse tema. Ter metas claras e parcerias que possibilitem avanços concretos reforça nossa posição como um fornecedor que busca operar de forma responsável”, afirma Barbara.  

Internamente, a iniciativa também aproxima os colaboradores dos compromissos ambientais da Beontag, especialmente na unidade de Campo Mourão. O projeto permite visualizar, na rotina da fábrica, como a separação e a destinação correta dos materiais contribuem para objetivos mais amplos da companhia. 

Um projeto com potencial de replicação 

A experiência desenvolvida em Campo Mourão pode servir de referência para outras unidades da Beontag. Fora do Brasil, a companhia já adota processos de incineração para determinados resíduos, mas o modelo de coprocessamento implementado com a Verdera é considerado um case com potencial de replicação em outras plantas. 

A expansão dependerá da infraestrutura disponível em cada região, das características dos resíduos, das distâncias logísticas e das exigências ambientais locais. 

Paralelamente, a Beontag estuda mais alternativas para ampliar a circularidade de seus produtos e processos. Entre as frentes desenvolvidas pela companhia estão materiais autoadesivos com fibras recicladas e adesivos do tipo wash-off, que facilitam a remoção de rótulos e contribuem para a reciclagem das embalagens. A empresa também busca ampliar o uso de papel com certificação FSC.  

Em 2025, a companhia lançou, entre outras soluções, uma linha de papel térmico 100% pós-consumo reciclado (PCR) e soluções wash-off. 

A empresa também mantém certificações FSC para suas operações nos Estados Unidos e no Brasil, sendo a unidade brasileira identificada pela certificação FSC® C100026. 

A companhia mantém ainda o monitoramento anual de suas emissões de gases de efeito estufa. Em 2025, os resíduos gerados responderam por 14.807 tCO₂e das emissões de Escopo 3, ante 21.892 tCO₂e em 2024. 

O próprio relatório observa que as emissões biogênicas de Escopo 1 em 2025 foram influenciadas pela categoria de resíduos gerados nas operações, particularmente no Brasil, em razão da expansão de alternativas mais sustentáveis de destinação. 

Mais do que solucionar uma questão operacional, o projeto mostra que desafios ambientais complexos podem ser enfrentados quando diferentes empresas combinam conhecimento técnico, capacidade operacional e objetivos comuns. Para a Beontag, a iniciativa realizada em Campo Mourão representa mais um passo na transformação de compromissos globais de sustentabilidade em ações concretas dentro da fábrica. 

Sobre a Verdera

A Verdera é a unidade de gestão e destinação sustentável de resíduos da Votorantim Cimentos. Desde 1991, a empresa atua com coprocessamento e foi pioneira em trazer essa tecnologia para o Brasil. A Verdera atua na cadeia de soluções ambientais dando um novo valor para os resíduos. É um parceiro com alta capacidade de realização, que entende as particularidades de cada negócio e que está comprometido a fazer do jeito certo e a pensar de forma diferente para descobrir novas possibilidades que transformem a realidade de todos. Mais informações em www.verderasolutions.com.br.

Sobre a Votorantim Cimentos

A Votorantim Cimentos é uma empresa de materiais de construção e soluções sustentáveis com mais de 13 mil empregados. O portfólio de materiais de construção vai além de cimentos e inclui concretos, argamassas e agregados. A companhia também atua nas áreas de insumos agrícolas, gestão de resíduos e coprocessamento. As unidades da Votorantim Cimentos estão estrategicamente próximas aos mais importantes mercados consumidores em crescimento e presente em oito países, além do Brasil: Argentina, Bolívia, Canadá, Espanha, Estados Unidos, Luxemburgo, Turquia e Uruguai. Mais informações em www.votorantimcimentos.com.br.

Use este espaço apenas para a comunicação de erros

Principais Manchetes

Receba nossas notícias NO CELULAR

WhatsappTelegram

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.