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“Fantástico.” Foi assim que Daniela Diniz, diretora de Comunicação e Relações Institucionais do Great Place to Work Brasil, definiu a 17ª edição do ranking das Melhores Empresas para Trabalhar no Paraná. A cerimônia foi realizada na noite de terça-feira (22), no Restaurante Madalosso, em Curitiba, e reuniu lideranças e equipes das organizações reconhecidas.
“Foi a celebração do orgulho em pertencer. A premiação alcançou um número grande de pessoas, dando palco e voz a quem tem impulsionado a gestão de pessoas no Paraná, investido em relações de confiança e na construção de excelentes ambientes de trabalho”, afirmou Daniela.
Para ela, a reação das equipes durante a cerimônia ajudou a materializar aquilo que as pesquisas do GPTW procuram medir. “Ali, presenciamos a alegria das lideranças e de seus colaboradores por fazerem parte de um lugar especial.”
A edição de 2026 teve 275 empresas participantes e impactou mais de 192 mil profissionais. Ao final do processo, 110 organizações foram reconhecidas. Os números foram apresentados durante a cerimônia e registrados no vídeo de cobertura produzido pela Gazeta do Povo.
A Cresol conquistou o primeiro lugar entre as grandes empresas. O Sicoob Metropolitano liderou a categoria de médias empresas e a Monetali ficou na primeira colocação entre as pequenas. A celebração ocorreu em um ano simbólico para o GPTW, que completa três décadas de atuação no Brasil.
Menos empresas premiadas não significa queda na qualidade
O ranking reconheceu 110 organizações em 2026, ante 130 no ano anterior. Segundo Daniela, a variação está relacionada à metodologia e não deve ser interpretada como uma piora dos ambientes de trabalho no estado.
“A quantidade de organizações premiadas e as notas de corte de cada categoria são definidas a partir do número total de companhias inscritas e dos resultados alcançados em cada edição. Essa dinâmica mantém o processo competitivo e garante que estejam entre as premiadas apenas as empresas que realmente se destacam”, explicou.
Para a diretora, as organizações reconhecidas neste ano atingiram um nível de excelência que as coloca entre as referências paranaenses na construção de ambientes de alta confiança.
“O resultado não deve ser lido como uma queda na qualidade dos ambientes de trabalho no Paraná. Ele mostra que o reconhecimento continua exigente. Queremos valorizar as melhores empresas e mostrar que o vínculo consistente de confiança entre líderes e colaboradores é a base de um excelente lugar para trabalhar e de resultados sustentáveis para os negócios”, afirmou.
Cultura deixa de ser assunto exclusivo do RH
Para Hilgo Gonçalves, embaixador do GPTW no Brasil, uma das principais transformações observadas ao longo dos últimos anos foi a mudança do lugar ocupado pela cultura organizacional nas empresas.
“A cultura deixou de ser vista apenas como uma pauta de Recursos Humanos e passou a fazer parte da estratégia do negócio. Hoje, cada vez mais, presidentes, CEOs e lideranças entendem que resultado sustentável passa necessariamente pelas pessoas”, disse.
Segundo Gonçalves, as empresas avançaram de uma preocupação concentrada em benefícios e práticas de gestão para uma discussão mais ampla sobre a experiência vivida pelos profissionais.
“Antes, as empresas queriam ter boas práticas de gestão de pessoas. Hoje, as melhores querem construir uma cultura de confiança que ajude também a sustentar os resultados do negócio e a melhorar a experiência para todos.”
Essa mudança também apareceu nos discursos da cerimônia. A cobertura em vídeo destacou que a percepção isolada de um profissional pode não alterar os rumos de uma organização, mas a escuta de dezenas ou milhares de colaboradores tem potencial para transformar sua cultura e sua estratégia.
Proximidade com as comunidades diferencia empresas paranaenses
A diversidade econômica aparece como uma característica marcante do ranking. Serviços financeiros, tecnologia, indústria e agronegócio estão entre os setores mais representados, ao lado de empresas de diferentes portes e regiões do estado.
Para Daniela, essa composição reforça um dos princípios defendidos pelo GPTW: qualquer organização, independentemente do tamanho, da localização ou do segmento, pode construir um excelente ambiente de trabalho.
“O que representa uma boa empresa para trabalhar não é o tamanho do pacote de benefícios nem um conjunto de práticas excepcionais, que variam de acordo com o setor, mas a experiência vivida por cada colaborador por meio da relação de confiança construída e mantida diariamente”, afirmou.
Na avaliação de Hilgo Gonçalves, o Paraná possui características que ajudam a explicar essa diversidade e a forte ligação entre empresas e profissionais.
“Temos uma presença muito forte do cooperativismo, empresas familiares muito relevantes, um associativismo ativo, que engloba negócios de todos os portes espalhados pelo interior e também na capital, e uma relação bastante próxima com as comunidades onde estão inseridos”, explicou.
Essa ligação ultrapassa a relação formal entre empregado e empregador. Em muitos municípios, as organizações participam da história local e acompanham diferentes gerações de uma mesma família.
“Quando viajamos pelo estado, percebemos que muitas dessas empresas não são apenas empregadoras. Elas fazem parte da história da cidade e da vida das famílias daquela comunidade. Isso cria um sentimento de pertencimento muito forte”, afirmou o embaixador.
O desafio, acrescentou, é preservar essa proximidade enquanto as empresas profissionalizam a gestão, incorporam tecnologias e respondem às expectativas de diferentes gerações.
“O Paraná consegue reunir algo muito interessante: raízes fortes nas comunidades e, ao mesmo tempo, empresas cada vez mais inclusivas e inovadoras.”
Orgulho e camaradagem são pontos fortes
De acordo com Daniela Diniz, duas dimensões se destacam entre os profissionais das empresas paranaenses reconhecidas: orgulho e camaradagem.
“São empresas que sabem se conectar com seus profissionais, demonstrando o impacto de cada colaborador no todo. Isso gera naturalmente um orgulho em fazer parte do negócio”, afirmou.
A camaradagem aparece na percepção de que os profissionais podem contar uns com os outros e de que os resultados dependem da colaboração entre as equipes.
“Há entre os funcionários das empresas premiadas um sentimento de colaboração muito presente, de poder contar um com o outro e saber que não está sozinho. São valores fundamentais, que fortalecem as relações de confiança e o engajamento dos times”, disse Daniela.
O desempenho de Cresol e Sicoob Metropolitano, primeiras colocadas nas categorias de grandes e médias empresas, também chama a atenção para a presença do cooperativismo no estado.
Para Daniela, o próprio modelo favorece a construção de vínculos. “O cooperativismo traz a confiança e a colaboração em sua essência. Isso contribui para o sentimento de pertencimento e orgulho, promovendo mais engajamento e, consequentemente, mais resultados para os negócios.”
Atrair profissionais é apenas o começo
Os dados do ranking mostram que quase 70% dos profissionais das empresas premiadas têm até cinco anos de casa. Para Daniela, o cenário acompanha uma transformação mais ampla do mercado de trabalho brasileiro.
“Hoje, as pessoas tendem a ficar menos tempo nas organizações, o que aumenta ainda mais a necessidade de gerar uma boa experiência para o colaborador. Vivemos o auge da rotatividade no período pós-pandemia e agora percebemos um pouco mais de estabilidade”, analisou.
A diretora ressalta, porém, que as empresas não podem administrar a relação de trabalho com a expectativa de que ela seja permanente.
“Devemos ter consciência de que essa relação não será eterna, mas ela precisa ser a melhor enquanto durar. Quanto mais as empresas investirem no relacionamento, oferecendo boas oportunidades e criando ótimas experiências, mais o tempo de permanência poderá ser prolongado.”
Nesse contexto, integração, desenvolvimento profissional, qualidade da liderança e possibilidade de crescimento tornam-se fatores decisivos. A atração de talentos pode levar um profissional até a empresa, mas é a experiência cotidiana que influencia sua decisão de permanecer.
Reconhecimento não pode ser ponto de chegada
Entre as organizações premiadas em 2026, 12 estão há mais de dez anos no ranking paranaense. Ao mesmo tempo, 29 empresas que não faziam parte da relação de 2025 passaram a integrá-la neste ano.
Para Hilgo Gonçalves, esses movimentos mostram que a construção de um bom ambiente de trabalho exige continuidade.
“O desafio é manter a consistência do clima organizacional. Para isso, é importante que a empresa continue colocando as pessoas no centro da estratégia, dando voz aos colaboradores, mantendo a proximidade das lideranças com as equipes e promovendo uma comunicação de mão dupla”, afirmou.
O resultado da pesquisa representa a percepção dos profissionais em determinado período. Por isso, práticas que levaram uma organização ao ranking não garantem automaticamente sua permanência nas edições seguintes.
“O maior desafio começa justamente depois da conquista. O reconhecimento é importante, deve ser celebrado, mas não pode ser um ponto de chegada. Ele precisa ser um incentivo para a busca da melhoria do ambiente a cada dia”, disse Gonçalves.
Para o embaixador, a confiança que sustenta os melhores ambientes de trabalho depende principalmente da coerência das organizações quando surgem decisões difíceis.
“Confiança se constrói todos os dias. Ela aparece na qualidade da liderança, na coerência entre discurso e prática, na forma como a empresa escuta as pessoas e, principalmente, em como age nos momentos difíceis.”
A cerimônia premiou resultados, mas as falas de Daniela Diniz e Hilgo Gonçalves apontaram para uma responsabilidade que começa depois que os troféus deixam o palco: preservar, no cotidiano, as razões que fazem os profissionais sentirem orgulho de pertencer.

O blog Paraná S/A é atualizado pelo time de Negócios da Gazeta do Povo. Sugestões de pauta podem ser enviadas no e-mail prsa@gazetadopovo.com.br




