Beatnik & Sons
Lipsio Carvalho e Renan Molin são sócios-proprietários da Beatnik & Sons.| Foto: divulgação.

O empresário curitibano Lipsio Carvalho é categórico quando fala de negócios. O discurso dele vai no caminho contrário ao do “crer para dar certo”. Para Carvalho, quando se trata de negócios, “não se deve acreditar em um sonho, mas no saber reagir às adversidades e as mudanças do mercado”. E é com essa justificativa que ele explica o sucesso da Beatnik & Sons.

Ao que parece, tem funcionado. A companhia, além de vender online mochilas de viagem para todo o Brasil, também expandiu suas operações para o Canadá e Estados Unidos. “Sou um crítico da cultura dos empreendedores porque eu não sou um. Aconteceu para mim e eu soube aproveitar a oportunidade, trabalhando duro e não largando tudo também”. Na declaração ele se refere a carreira dupla que levou até o começo de 2019, em agências de publicidade, quando decidiu se dedicar exclusivamente a Beatnik & Sons. A empresa, atualmente, passa por um processo de aceleração da The Fashion Zone, que integra a DMZ, considerada a maior incubadora universitária do mundo no ranking da UBI Global.

A entrada no programa ajudará a empresa de Curitiba a ampliar sua caminhada internacional. “O programa tem duração de um ano. Com ele teremos acesso a toda a rede de suporte da Ryerson Fashion Zone e DMZ. Eles irão nos conectar em sua rede de mentoria e venture capital, além de oferecer suporte no desenvolvimento de novos produtos e do próprio negócio”, explica Lipsio.

A Beatnik & Sons, que começou com um investimento de R$ 10 mil, fatura mais de R$ 1 milhão por ano. Em 2018, o caixa fechou em R$ 1,8 milhão com a venda de mais de 4,3 mil mochilas no período. Em 2019, a soma já ultrapassa 8 mil unidades e o faturamento supera os R$ 4 milhões. A empresa projeta vendas de 100 peças ao dia e um faturamento de R$ 14 milhões por ano até 2022.

A produção da Beatnik & Sons é feita em Curitiba e os materiais utilizados nas mochilas são 100% nacionais. Um gerente de produção e quatro costureiras levam até 72 horas para produzir uma unidade talhada em couro tipo exportação, sem uso de metais pesados. Os materiais de alta qualidade utilizados permitem a garantia vitalícia das peças. Além do ganho fixo, as costureiras também recebem por unidade produzida, o que ajuda o negócio a se manter justo e responsável.

Como tudo começou

A empresa de Lipsio surgiu em 2016. “Eu, e meu sócio Renan Molin, investimos no que fazemos de melhor, que é marketing, aliado a um bom produto”, disse. “Gostamos de coisas bonitas, produtos bem pensados. Também de viajar. Mochila não tem grade, é fácil de administrar e a questão de vender online nos permitiu ter uma mobilidade muito boa”, explicou o empresário.

Com o site no ar, os primeiros 30 dias de operação concretizaram 12 mochilas vendidas. Os produtos eram encaixotados de casa. “Com o tempo ficou inviável e tivemos que terceirizar estoque e logística”, disse. Depois, tudo foi crescendo organicamente.

No Canadá e nos Estados Unidos a experiência vem sendo replicada. “Nosso processo de lançamento é o inverso do mercado. Prototipamos e lançamos o produto antes de produzirmos em massa. O comércio eletrônico permite essa prática. Assim, sentimos o público e, com os dados, sabemos se as mochilas vão performar. Isso faz com que a curva ABC de venda fique sempre atualizada”, arremata Lipsio.

Sobre os desafios para o futuro, ele demarca um pessoal: que o mercado externo da Beatnik & Sons ultrapasse o nacional em 2020. “A gente já estava namorando a saída do Brasil desde 2017, já que a rentabilidade é maior fora, porque os impostos são menores e os processos mais facilitados. Mas empreender é um exercício de humildade diário”, finaliza.


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