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Carlos Valter Martins Pedro, presidente da Fiep, é um dos nomes ativos nas negociações entre países latino-americanos e Índia
Carlos Valter Martins Pedro, presidente da Fiep, é um dos nomes ativos nas negociações entre países latino-americanos e Índia| Foto: Gerson Bampi/Divulgação

Quase no finalzinho de janeiro, uma visita do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) à Índia reacendeu uma velha esperança do empresariado paranaense: o de exportar para o país asiático. Ou, “China do futuro”, como vem sendo tratada. Com mais de um bilhão de habitantes e uma das economias mais fortes do mundo, a Índia é objeto de desejo das gigantes do agronegócio e das pequenas e médias, sobretudo nos segmentos de alimentos, confecção e madeiras. Nesta segunda linha, chama a atenção de marcas do estado como a Barion (de Colombo), Marini Compensados e Guararapes (ambas de Palmas).

Mas, se o caminho para uma C. Vale ou Castrolanda é mais fácil, pelo porte e consequente poder de articulação política, é nas pequenas e médias que uma articulação inteligente faz diferença. De olho nisso, entidades como a Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Paraná (Sebrae-PR) reativaram neste ano uma série de tratativas para preparar empresários do estado para negociações com potenciais parceiros indianos.

“A federação [Fiep] já vem há alguns anos trabalhando no sentido de estimular as empresas à internacionalização. Logicamente, as grandes empresas já tem mecanismos próprios. Às vezes têm até departamentos específicos para as questões internacionais. Mas as pequenas e médias precisam de ajuda”, destaca Reinaldo Tockus, gerente executivo de Relações Institucionais da Fiep.

Hoje, o comércio entre Paraná e Índia é tímido, usando um termo até ameno para descrever a relação. De acordo com números do Ministério da Economia, de janeiro a novembro de 2019, o estado exportou para o país asiático o equivalente a US$ 207 milhões – um pouco mais do que os US$ 170 milhões exportados ao minúsculo Iraque. Por outro lado, importou US$ 233 milhões. A maior parte das vendas ainda é de commodities.

Rodadas de negócios

A estratégia dos paranaenses para mudar este cenário tem sido fomentar rodadas de negócios no estado. Ainda em janeiro, Fiep e Sebrae organizaram um seminário sobre negócios entre Índia e empresas da América Latina. “Esse foi um encontro de matchmaking. Ou seja, de relacionamento”, descreve Tockus. Até o final do semestre, as entidades devem trazer ao Paraná potenciais compradores indianos, em uma rodada de negócios mais decisiva. “Temos prospectado, com a ajuda de parceiros, estes compradores indianos. Pega um distribuidor de balas e chocolates, por exemplo. Trazemos o profissional aqui e reunimos pequenos e médios empresários deste segmento. Colocamos um intérprete e criamos um ambiente saudável de negociação”, diz.

“De uma forma mais geral, oportunidades já estão aparecendo, principalmente no setor de alimentos. Os indianos têm uma necessidade enorme de alimentos. A população já passa de um bilhão e a produção de alimentos deles é insuficiente para atender a população local. Eles precisam de alimentos e insumos. O Paraná é mundialmente destacado neste quesito. De cada dez frangos consumidos no mundo, 2,5 saíram do Paraná. Mas existe oportunidade também para os pequenos e médios que trabalham com produtos processados. Na parte dos orgânicos, naturais, lácteos, chocolates, balas, doces. Essas empresas têm chance de fazer negócios em toda a Ásia”, aponta o gerente executivo de Relações Institucionais.

O resultado destas ações é esperado no curto e no médio prazo. Há ainda um longo caminho a ser trilhado, sobretudo em termos de redução tributária para a entrada de produtos brasileiros no mercado indiano – uma discussão que extrapola as divisas do Paraná. Mas, a julgar pela disposição dos dois países ao diálogo, bons frutos podem estar no horizonte das empresas daqui.

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