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O setor de turismo de negócios e eventos do Paraná se reuniu de forma on-line para desenhar o plano de retomada das atividades.
O setor de turismo de negócios e eventos do Paraná se reuniu de forma on-line para desenhar o plano de retomada das atividades.| Foto: Reprodução

Entidades do setor de turismo de negócios e eventos do Paraná se reuniram de maneira virtual para discutir planos de retomada das atividades, estimada para setembro. Os prejuízos do segmento passam de R$ 80 bilhões no estado por causa da pandemia do coronavírus e o apelo das instituições é para que os governos estadual e municipal ajudem em caráter de urgência.

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Paulo Iglesias, o presidente do Curitiba e Região Convention & Visitors Bureau (CCVB) - entidade idealizadora do encontro - esclareceu que desde o início do fechamento de todas as atividades em decorrência da Covid-19, estão sendo feitas tentativas para salvar o setor. "Precisamos que tanto o governo estadual e municipal nos ajudem a elaborar um plano de retomada para retomar os eventos, do contrário ficaremos para trás e perderemos espaço para outras localidades", enfatizou.

Em abril e maio, as entidades que envolvem o turismo e eventos enviaram reivindicações aos governos do Paraná e do município de Curitiba e solicitaram flexibilização no pagamento de insumos como energia elétrica, água e gás, de impostos como IPTU e ISS, além da premente necessidade de liberação de linhas de crédito. "Desde o início da pandemia temos nos sentido órfãos como um dos setores mais prejudicados. Como maiores geradores empregos e receitas não tivemos nenhumas das reivindicações atendidas. Essa indiferença poderá gerar um desmanche do setor”, destacou Iglesias.

De acordo com informações dos organizadores do encontro, o setor de turismo de negócios e eventos mobiliza mais de 52 segmentos, como receptivo, hotelaria, transporte, limpeza, entre outros e movimentou em 2019 mais de R$ 936 bilhões. além de gerar mais de 25 milhões de empregos. Em 2019, Curitiba sediou 183 técnico-científicos, com mais de 228 mil participantes e 114 mil pessoas de fora da cidade, que gastaram em torno de 108 milhões de reais nos estabelecimentos da cidade. Para 2020, 138 desses eventos já estavam agendados e a a maioria foi cancelado, gerando prejuízos em cadeia. As principais entidades paranaenses do segmento acumulam perdas na casa dos R$ 80 bilhões apenas nos dois primeiros meses de pandemia.

Falências e desemprego

Orlando Kubo, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Paraná ABIH-PR, explicou que 2020 entrará negativamente para a história do setor. "A atual taxa ocupação nos hotéis gira em torno de 5% e a estrutura para manter é a mesma. Só em Curitiba mais de dez hotéis foram fechados e não vão abrir. Precisamos da sensibilidade do governo, pois não temos expectativas financeiras para este ano", detalhou.

João Jacob Mehl, presidente Paraná Turismo, também deixou claro que a ajuda precisa vir do poder público. “Temos trabalhadores do setor sem renda desde março, passando fome. O empresário está tentando crédito e não consegue, porque pedem movimentação dos últimos dois meses e isso não existe. Temos que salvar nossos negócios e para isso precisamos também do dinheiro do BNDES e Ministério do Turismo”, disse.

Retomada

Entidades participantes esperam poder, ao menos, voltar aos trabalhos em setembro, mas para isso precisam de uma determinação do governo do estado. Entretanto, existe a consciência de que mesmo com as "portas abertas", será necessário muito tempo para que as finanças sejam colocadas em ordem.

"Mesmo com a previsão de retomada em setembro, sabemos que não vamos começar a trabalhar no dia primeiro ou sete. Começaremos a planejar eventos apenas para daqui um ano", disse Fabio Skraba, Presidente da Associação Brasileira de Empresas de Eventos Paraná (ABEOC-PR).

Beatriz Batistella Nadas, superintendente da Secretaria Municipal da Saúde Curitiba, alertou que ainda há um caminho rigoroso de controle ao coronavírus para ser trilhado, mas acha possível que a data esperada para o retorno do setor vingue. “A perspectiva para setembro é factível, mas pode ser mutável conforme a capacidade que possamos ter em sociedade de interromper a cadeia de transmissão. É preciso de disciplina e pensar coletivamente”, destacou.

Participaram do debate representantes das instituições pertencentes ao G5 – Fecomércio, Associação Brasileira das Agências de Viagens do Paraná (ABAV-PR), Associação Brasileira de Empresas de Eventos Regional Paraná (ABEOC-PR), Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Paraná (ABiH-PR), Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel-PR), Sindicato Empresarial de Hospedagem e Alimentação (SEHA-PR) e Secretaria de Saúde de Curitiba. O encontro foi mediado pelo Sebrae.

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