i

O Sua Leitura indica o quanto você está informado sobre um determinado assunto de acordo com a profundidade e contextualização dos conteúdos que você lê. Nosso time de editores credita 20, 40, 60, 80 ou 100 pontos a cada conteúdo – aqueles que mais ajudam na compreensão do momento do país recebem mais pontos. Ao longo do tempo, essa pontuação vai sendo reduzida, já que conteúdos mais novos tendem a ser também mais relevantes na compreensão do noticiário. Assim, a sua pontuação nesse sistema é dinâmica: aumenta quando você lê e diminui quando você deixa de se informar. Neste momento a pontuação está sendo feita somente em conteúdos relacionados ao governo federal.

Fechar
A matéria que você está lendo agora+0
Informação faz parte do exercício da cidadania. Aqui você vê quanto está bem informado sobre o que acontece no governo federal.
Que tal saber mais sobre esse assunto?

Paraná S.A

Foto de perfil de Paraná S.A
Ver perfil
Tecnologia

Quando são chefes, mulheres em TI ganham 70% a menos do que os homens

  • PorMariana Ceccon
  • 26/08/2019 14:40
my-inova-mulheres-mercado-de-tecnologia-TI
Em painel temático, executivas do O Boticário, Detran, Assespro, Cinq e Agência de Desenvolvimento de Curitiba discutiram como ampliar a participação feminina no mercado de tecnologia.| Foto: Mariana Ceccon/Divulgação

As mulheres que ocupam cargos de liderança na área de tecnologia, como diretoria e gerência, ganham salários 70% menores do que os homens. O dado é da Associação das Empresas Brasileiras de Tecnologia da Informação do Paraná (Assespro-PR), levantado regionalmente em parceria com a Universidade Federal do mesmo estado. A associação mostrou ainda que a disparidade no alto escalão também está na representatividade. Elas são menos de 14% dos diretores e engenheiros de computação empregados por aqui.

Buscando alterar este cenário, a associação promoveu nos últimos dias 21 e 22 o My Inova Summit, um evento anual de tecnologia, cuja grade de 2019 focou na agilidade de negócios e na promoção de diversidade nas empresas de tecnologia da informação (TI).  Ao todo, 800 profissionais participaram dos dois dias de evento.

Trazendo nomes renomados na área, a associação propôs uma agenda prática de como ampliar a participação feminina neste mercado, carente de mão-de-obra técnica. Também antecipou tendências de gestão e resultados. O Paraná S/A esteve no evento e conversou com as principais referências na área para entender o que pode ser mudado, na prática. Confira.

Flexibilidade

Ponto central da explanação da diretora executiva da Integrow - empresa especializada em diagnóstico e implantação de programas de ética empresarial -,  Maria Fernanda Teixeira defendeu que uma forma prática de aumentar a participação feminina nas empresas é flexibilizar as formas e horas de trabalho.

“Não estamos falando de uma flexibilização apenas para a mulher e, sim, para todos os funcionários”, explicou a administradora. “Hoje é necessário criar uma mentalidade de que se o homem também não pode ter um horário flexível para levar o filho ou os pais idosos ao médico, quem assume isso é a mulher. É um paradoxo”, pontuou.   

Para a executiva, flexibilidade não é sinônimo de deixar de entregar resultados.  “Bater metas não está ligado a passar mais de 10 horas por dia sentado na mesma cadeira. As novas gerações tem isso bem claro”, pontuou.

Planos de carreira

Outro ponto abordado pela CEO da Integrow é a necessidade de desenvolver formas de contratações mais justas e a colocação da diversidade como prioridade nas políticas empresariais. “É importante entender que ainda que não estejam no cargo hierárquico mais alto, esta discussão pode partir das mulheres que ocupam o segundo escalão. A primeira coisa que eu faço ao chegar em uma empresa, seja no conselho ou diretoria, é comparar os cargos e salários", explanou.

"A partir daí é possível criar um plano de um a dois anos para sanar esta diferença. Não é algo que se faz da noite para o dia”, explicou. “Essa discussão também pode partir da área de recursos humanos. São as pessoas que detém esses dados, mas muitas vezes não tem a coragem de chegar no CEO e dizer que é necessário mudar o quadro”, comentou.

Participação nos conselhos

Diversidade gera dinheiro. É isso que a empresária Maria Fernanda Teixeira defendeu ao sugerir, inclusive, a criação de cotas de participação feminina nos conselhos empresariais administrativos. Usando dados da instituição internacional de mapeamento do mercado de trabalho, Catalyst - responsável por identificar que quando há ao menos 33% de mulheres participando dos conselhos, o retorno das vendas aumenta 84% -, Teixeira lembrou do avanço econômico que políticas voltadas a inclusão gerariam para o Brasil.

“Se conseguíssemos igualar a remuneração e oportunidades de cargos e salários, só no Brasil o PIB cresceria 430 bilhões de dólares. Entretanto, o número de mulheres que ocupam cargos de diretoria-executiva (CEO) no país representa menos 4% do total destes postos”, lamentou.

Tomar decisões

A norte-americana Elizabeth Binning, diretora de transformação digital GrowthWheel - uma plataforma que auxilia na tomada decisões -, veio até o Brasil para participar do evento. “A primeira coisa que acho importante nos livrarmos é do pensamento vitimista. Aceitar a realidade, puxar um assento e sentar à mesa”, declarou.

Para a diretora, que atua há 20 anos no mercado de TI, a composição feminina nos conselhos administrativos traz segurança aos empreendimentos.

“Uma pesquisa conduzida em Harvard mostrou que, enquanto 67% dos homens fazem perguntas para promover a empresa, 66% das mulheres fazem perguntas preventivas, como quais impactos determinada decisão poderá gerar para os acionistas. O resultado disso é o aumento de 14 vezes a quantidade de financiamentos disponível para os negócios”, pontuou.

Networking

my-inova-regina-arns
Regina Arns é co-fundadora do MEX Brasil.| Divulgação.

Conversar, mostrar seu trabalho e ser lembrada nas rodas de discussão. Esse é o caminho estratégico citado por Regina Arns, co-fundadora do Espaço Mulheres Executivas (MEX Brasil) e diretora executiva da Lapidus.

“Os altos cargos são referenciados. Não é uma questão de currículo e sim estar inserida no meio”, explicou a executiva. “Reconhecemos as duplas e triplas jornadas femininas, principalmente quando passam pela maternidade. O que acontece é que quando elas saem do trabalho, o que elas acabam fazendo é ir para casa”, fundamentou.

Para Arns, conhecer pessoas e circular em encontros da área mais do que uma habilidade social é uma questão técnica e estratégica. “As mulheres passam mais pelas operações e muitas vezes deixam as funções de representação para os sócios e gerentes. É necessário entender que muito do aprendizado está mais fora da empresa do que dentro”, pontuou.

Vender os benefícios da carreira

O CEO da OBr.global e vice-presidente de Relações Internacionais da Assespro Nacional, Robert Janssen também palestrou no evento e aproveitou a oportunidade para mostrar como as empresas de tecnologia precisam utilizar os benefícios da área para atrair mão de obra feminina. Carente de profissionais especializados, o setor de TI tem dificuldade na contratação e retenção de talentos.

“As organizações, de forma geral, já perceberam nos conselhos, que a diversidade traz mais resultados financeiros. Impactam no bolso”, resumiu o empresário. “Agora é preciso que o restante do mercado perceba que se não construírem essa diversidade, vão ficar para traz. As mulheres são o motor da força colaborativa”, pontuou.

Dados levantados no primeiro semestre pela Assespro-PR mostraram que no Paraná são ofertadas periodicamente 46 mil vagas de estudo na área de tecnologia, mas apenas 26% desses postos são mantidos até o final, criando um grande déficit de mão-de-obra especializada.

“É nossa responsabilidade quanto associação preparar as empresas para o futuro, em curto prazo. Não é apenas o setor de tecnologia que tem essa disparidade entre salários e ocupação feminina, mas se aumentamos a consciência aqui, temos o poder de influenciar o mercado como um todo”, resumiu.

2 COMENTÁRIOSDeixe sua opinião
Use este espaço apenas para a comunicação de erros
Máximo de 700 caracteres [0]

Receba Nossas Notícias

Receba nossas newsletters

Ao se cadastrar em nossas newsletters, você concorda com os nossos Termos de Uso.

Receba nossas notícias no celular

WhatsApp: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.

Comentários [ 2 ]

Máximo 700 caracteres [0]

O conteúdo do comentário é de responsabilidade do autor da mensagem. Consulte a nossa página de Dúvidas Frequentes e Termos de Uso.

  • J

    Jorge Dias

    ± 0 minutos

    Se este "estudo" dos "especialistas" fosse verdade, a lógica de mercado - maior instituição democrática humana - estaria errada; portanto entre os "especialistas" e a lógica, vou optar pela lógica; assim sendo: FAKE NEWS, baseada em "estudo" acadêmico.

    Denunciar abuso

    A sua denúncia nos ajuda a melhorar a comunidade.

    Qual é o problema nesse comentário?

    Obrigado! Um moderador da comunidade foi avisado sobre a denúncia. Iremos avaliar se existe alguma violação aos Termos de Uso e tomar as medidas necessárias.

    Confira os Termos de Uso

    • Máximo 700 caracteres [0]

  • R

    Roberto Garcia

    ± 31 minutos

    Se ela desconhece por favor alguém explica para a Regina como funciona a lei da oferta e procura. Explica porque que não dá para revogar.

    Denunciar abuso

    A sua denúncia nos ajuda a melhorar a comunidade.

    Qual é o problema nesse comentário?

    Obrigado! Um moderador da comunidade foi avisado sobre a denúncia. Iremos avaliar se existe alguma violação aos Termos de Uso e tomar as medidas necessárias.

    Confira os Termos de Uso

    • Máximo 700 caracteres [0]

Fim dos comentários.