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Quando vale a pena buscar investidores para uma startup? Especialista aponta os sinais de que chegou a hora de captar

Um dos principais pontos que o empreendedor precisa observar antes de buscar investidores é a situação do caixa da empresa

Especialistas alertam que captar investimento no momento errado pode aumentar a pressão sobre startups e comprometer a autonomia dos fundadores.
Especialistas alertam que captar investimento no momento errado pode aumentar a pressão sobre startups e comprometer a autonomia dos fundadores. (Foto: Divulgação)

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A busca por investidores se tornou quase um rito natural no universo das startups. Mas, na prática, captar recursos não é necessariamente o melhor caminho para toda empresa e tampouco deve ser encarado como sinônimo automático de sucesso. Para especialistas do ecossistema de inovação, o momento ideal para buscar investimento depende muito mais da maturidade do negócio e da estratégia dos fundadores do que da pressão do mercado.

Segundo Luiz Fernando Ferreira, CFO da Trio Grupo Financeiro e executivo que participou da trajetória de empresas que se tornaram unicórnios, como EBANX e Hotmart, não existe uma fórmula única para definir o momento certo de levantar capital. “Rodadas de investimento podem ter diversas motivações e acontecer em diferentes estágios de maturidade. Algumas startups precisam de capital logo no início para serem viáveis. Outras buscam investimento apenas depois de validar o modelo e identificar potencial de aceleração”, afirma.

Na avaliação do executivo, um dos principais pontos que o empreendedor precisa observar antes de buscar investidores é a situação do caixa da empresa. Startups que operam queimando caixa normalmente têm mais urgência em captar recursos, enquanto negócios que já geram receita e possuem operação sustentável podem escolher com mais calma quando, e se, vale a pena abrir participação societária. “Empresas geradoras de caixa têm mais espaço para avaliar a troca de equity por capital. Nesse caso, o importante é entender qual é a visão dos fundadores para os próximos passos do negócio”, explica Ferreira.

Investimento deve acelerar e não apenas sustentar

De acordo com Ferreira, captar recursos faz sentido principalmente em dois cenários: quando existe uma tese clara de crescimento com retorno comprovado sobre investimento ou quando a empresa deseja apostar em uma oportunidade de grande potencial, ainda que envolva mais risco. “Captar recursos pode acelerar o crescimento quando há uma tese clara de aquisição de usuários, com CAC já mapeado, ou quando existe um produto capaz de levar a empresa para uma estratégia de oceano azul”, destaca. Por outro lado, o executivo alerta que o investimento também pode se transformar em fonte de pressão excessiva quando o crescimento não vem acompanhado de sustentabilidade financeira.

O risco de “perder a empresa”

Um dos temas mais sensíveis dentro do ecossistema de startups é o receio de fundadores perderem autonomia após a entrada de investidores. Segundo Ferreira, esse risco é real, especialmente em rodadas maiores. “Quanto maior a participação dos investidores, maior também o poder de direcionamento. Existem casos em que os fundos passam a indicar executivos ou ocupar mais cadeiras no conselho, influenciando diretamente a gestão do negócio”, afirma.

Por isso, a escolha do investidor vai muito além do capital aportado. O alinhamento estratégico e cultural entre startup e fundo deve ser analisado com rigor, tornando-se um fator determinante para o sucesso da empresa e para a mitigação de riscos a longo prazo. “Muitas startups escolhem investidores apenas pelo dinheiro, quando na verdade precisariam de smart money, ou seja, investidores que tragam expertise e entendimento da tese de crescimento do negócio”, avalia.

Apesar da cultura de captação cada vez mais presente no mercado, Luiz Fernando destaca que ainda é totalmente possível construir empresas relevantes sem depender de grandes fundos de investimento. Ele cita justamente os casos do EBANX e da Hotmart, empresas nas quais atuou diretamente e que alcançaram status de unicórnio após longos períodos de crescimento orgânico.

“O EBANX passou cerca de seis anos crescendo em modelo de bootstrapping antes da primeira grande rodada. Na Hotmart, as primeiras captações foram pequenas e serviram apenas para o arranque inicial. Depois disso, houve anos de crescimento sustentado por geração de caixa”, relembra.

Na visão do executivo, independentemente da presença de investidores, startups precisam manter clareza sobre cultura, eficiência operacional e modelo de receita. Entre os principais aprendizados acumulados em empresas de alto crescimento, ele destaca três pilares: foco em geração de caixa, construção de um time inicial altamente qualificado e alinhamento de incentivos com os principais talentos da empresa. “Ter um modelo de receita claro desde o primeiro dia facilita muito a gestão. Além disso, o time inicial precisa ser sênior e hands-on. E dividir equity com pessoas-chave ajuda a aumentar o engajamento e preservar a cultura da empresa”, conclui.

Sobre a Trio Grupo Financeiro 

Criada em 2020 por Peterson Ferreira dos Santos e Manoel de Oliveira Souza, empreendedores com forte experiência em tecnologia e mercado financeiro, a  Trio Grupo Financeiro foi concebida com a proposta de oferecer uma infraestrutura financeira capaz de acompanhar o crescimento das empresas. Entre seus diferenciais está a forte aposta em tecnologia proprietária e infraestrutura financeira avançada. A Trio desenvolve soluções voltadas especialmente para o ambiente corporativo, com destaque para ferramentas de gestão financeira, integração por APIs, sistemas de conciliação facilitada e soluções baseadas em Pix. Para mais informações, acesse o site www.trio.com.br ou o perfil oficial no Instagram: @trio.fin. 

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