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IA coloca RH, cultura e autonomia digital no centro da transformação das empresas

Equipe da Paraná S.A. acompanhou o Senior Experience 2026, em São Paulo, onde executivos e especialistas discutiram como inteligência artificial, liderança, dados e gestão de pessoas passaram a ocupar o centro da estratégia empresarial

Carlênio Castelo Branco, CEO da Senior Sistemas, durante o Senior Experience: executivo apresentou os novos agentes de inteligência artificial da companhia e defendeu a tecnologia como infraestrutura estratégica de decisão para as empresas.
Carlênio Castelo Branco, CEO da Senior Sistemas, durante o Senior Experience: executivo apresentou os novos agentes de inteligência artificial da companhia e defendeu a tecnologia como infraestrutura estratégica de decisão para as empresas. (Foto: Divulgação)

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Em meio ao avanço acelerado da inteligência artificial no ambiente corporativo, o Senior Experience 2026 reuniu, nesta quinta-feira, em São Paulo, executivos, especialistas e lideranças para discutir os impactos da tecnologia sobre cultura, produtividade, liderança, análise de dados e gestão de pessoas. A equipe da Paraná S.A. esteve presente no evento e acompanhou os debates que mostraram como a transformação digital deixou de ser uma pauta restrita à tecnologia e passou a envolver diretamente RH, estratégia, governança e tomada de decisão.

Ao longo dos painéis, palestras e entrevistas, ficou evidente uma percepção comum entre os participantes: a IA já não é tratada apenas como ferramenta de produtividade, mas como uma mudança estrutural capaz de alterar a forma como empresas lideram equipes, contratam talentos, desenvolvem cultura organizacional e tomam decisões estratégicas.

Na abertura do evento, Carlênio Castelo Branco, CEO da Senior Sistemas, afirmou que tecnologia, gestão e inovação só fazem sentido quando ajudam empresas a tomar decisões melhores, com mais rapidez e contexto. A fala posicionou a IA não como solução isolada, mas como parte cada vez mais integrada ao centro das operações corporativas.

Segundo o executivo, a Senior vem preparando sua arquitetura tecnológica há anos para esse cenário, com evolução de sistemas, microserviços e incorporação gradual de recursos de inteligência artificial. Entre os destaques apresentados, ele citou o avanço do ecossistema Sara (Senior Agent Recommendation & Analysis), considerado pela empresa um dos maiores hubs de agentes de IA para gestão empresarial da América Latina.

A companhia também anunciou o Sara Studio, plataforma que permitirá que empresas criem seus próprios agentes de inteligência artificial sem necessidade de programação. A proposta é ampliar a autonomia das organizações no desenvolvimento de soluções personalizadas de IA dentro de seus próprios fluxos de operação.

Outro avanço apresentado foi o uso de IA conversacional para análises de dados corporativos. Na prática, gestores poderão gerar gráficos, relatórios e visões analíticas em tempo real apenas utilizando comandos em linguagem natural, sem necessidade de conhecimento técnico em ferramentas tradicionais de Business Intelligence (BI).

IA deixa de ser ferramenta isolada

Durante conversa com jornalistas, Carlênio reforçou que praticamente todo executivo hoje acompanha o avanço da inteligência artificial, seja pelo potencial de produtividade, pela redução de custos ou pelo risco competitivo. Para ele, a IA já começou a produzir efeitos concretos nas empresas.

O executivo destacou que, no ambiente corporativo, a discussão vai além do uso aberto e genérico das ferramentas. Questões como governança de dados, segurança, privacidade, qualidade das informações e conformidade passaram a fazer parte da implementação da tecnologia.

Ao longo do evento, a IA foi tratada como uma infraestrutura de decisão conectada aos dados, processos e cultura de cada empresa. A percepção apresentada pelos executivos é de que o maior salto ocorre quando a tecnologia deixa de atuar apenas em tarefas isoladas e passa a apoiar decisões estratégicas e operações críticas.

Carlênio também afirmou que empresas de tecnologia tendem a avançar de fornecedoras de software para plataformas mais automatizadas, inteligentes e integradas. Segundo ele, algumas funções repetitivas devem ser substituídas pela IA, enquanto novas posições surgirão a partir dessa transformação. O desafio estará na preparação das pessoas para essa transição.

Uma das frases que mais repercutiram no evento foi a defesa do executivo por contratar menos pelo conhecimento pronto e mais pelo “potencial” e “brilho nos olhos”. A ideia reforçou um dos conceitos recorrentes do encontro: em um cenário de tecnologia cada vez mais acessível, capacidade de adaptação, aprendizado e liderança ganham ainda mais valor.

Senior aposta em integração de IA e nova arquitetura tecnológica

Além dos agentes inteligentes, a Senior também anunciou o desenvolvimento de uma nova camada tecnológica baseada em MCP (Model Context Protocol), padrão que permitirá conectar diferentes modelos de inteligência artificial às soluções da empresa de forma mais segura, estruturada e contextualizada.

Na prática, a proposta é criar um ecossistema integrado de IA empresarial capaz de conectar diferentes tecnologias, dados e processos operacionais dentro das organizações.

Hoje, a companhia afirma atender mais de 14,5 mil grupos empresariais e administrar mais de 50 mil CNPJs, com atuação em segmentos como indústria, logística, agronegócio, construção civil, varejo e serviços.

Por que o RH ganhou protagonismo

Embora o Senior Experience tenha forte ligação com ERP, tecnologia e inteligência artificial, chamou atenção a presença de temas ligados a RH, liderança e gestão de pessoas na programação e nos estandes do evento.

Em entrevista à Paraná S.A., José Krasucki, head de Marketing da Senior Sistemas, explicou que a primeira solução desenvolvida pela empresa no Brasil foi justamente voltada à gestão de pessoas. Hoje, segundo ele, a companhia trabalha com dois pilares principais: gestão empresarial e gestão de pessoas, ambos apoiados por tecnologia.

Na vertical de gestão empresarial estão ERP, operações, indústria, logística, armazenagem e transporte. Já na frente de pessoas, a atuação envolve recrutamento, onboarding, desenvolvimento, gestão de desempenho e offboarding.

Krasucki afirmou que o RH deixou de ocupar apenas uma função operacional e passou a ter papel mais estratégico dentro das empresas, especialmente diante do avanço da transformação digital e da inteligência artificial. Para ele, o fator humano será determinante para definir como as organizações utilizarão tecnologia para gerar produtividade e resultado.

“A IA não sonha”, resumiu o executivo ao defender que criatividade, emoção, subjetividade e capacidade de decisão continuam sendo características essencialmente humanas.

O desafio é transformar IA em resultado

Outro ponto destacado por Krasucki foi a necessidade de levar a inteligência artificial além do uso superficial. Segundo ele, utilizar ferramentas apenas para automatizações simples representa pouco diante do potencial disponível. O desafio das empresas está em transformar IA em impacto concreto para operação, gestão e tomada de decisão.

Como exemplo, o executivo citou soluções de Business Partner com IA capazes de apoiar gestores em decisões relacionadas a equipes, políticas internas e cultura organizacional. Para empresas menores, segundo ele, esse tipo de recurso pode democratizar acesso a práticas mais sofisticadas de gestão.

A ideia apareceu diversas vezes ao longo do evento: tecnologia só ganha relevância quando melhora eficiência operacional, qualidade da decisão e competitividade.

IA também entra na adaptação à reforma tributária

Outro tema de destaque no evento foi o impacto da reforma tributária sobre as operações empresariais. A Senior apresentou novas soluções voltadas à adaptação operacional das empresas ao novo sistema tributário brasileiro, incluindo simuladores de CBS e IBS, analytics fiscais, conciliação tributária e automação de regras fiscais.

A empresa também apresentou novidades em logística, marketplace, construção civil, agronegócio e gestão financeira, reforçando a tendência de integração entre inteligência artificial, automação e plataformas corporativas.

Liderança e engajamento entram na pauta

A programação também trouxe debates sobre liderança e alta performance. Em um dos painéis, executivos defenderam que líderes precisam fazer gestão — e não apenas operar bem tecnicamente. Contratar, desenvolver pessoas, cobrar entregas e formar equipes foram apontados como pilares da construção de times de alto desempenho.

As discussões também abordaram temas como escuta ativa, conexão real com equipes e maturidade para conduzir conversas difíceis. A ideia de “radical candor” apareceu como referência para feedbacks mais francos e construtivos.

Outra mensagem recorrente foi que resultados sustentáveis dependem de equipes engajadas. Em um ambiente em que a IA tende a acelerar processos e automatizar tarefas, o papel da liderança passa a ser ainda mais relevante na formação de profissionais capazes de usar tecnologia com senso crítico e foco estratégico.

Guga e Walter Longo reforçam dimensão humana

A abertura do evento contou com participação de Gustavo Kuerten, que traçou paralelos entre esporte e negócios ao falar sobre pressão, preparação e capacidade de adaptação. O ex-tenista destacou que alta performance exige planejamento, repertório e confiança no processo.

O ex-tenista Gustavo Kuerten participou na abertura do Senior Experience, onde destacou que a alta performance exige planeamento, repertório e confiança no processo para lidar com a pressão do mercadoO ex-tenista Gustavo Kuerten participou na abertura do Senior Experience, onde destacou que a alta performance exige planeamento, repertório e confiança no processo para lidar com a pressão do mercado (Foto: Divulgação)

Já Walter Longo trouxe uma abordagem mais conceitual ao defender a tese das “heart skills”. Segundo ele, após décadas de valorização da força física e depois da inteligência racional, o mercado passa a reconhecer competências ligadas à empatia, colaboração, escuta e sensibilidade humana.

A ideia reforçou uma das principais mensagens do Senior Experience: quando a tecnologia se torna acessível para todos, diferenciais humanos passam a ganhar peso competitivo ainda maior.

O recado para empresas tradicionais

Para empresas familiares, industriais e ligadas ao agro — perfil bastante presente no Paraná — o evento trouxe um alerta importante: adoção de IA não depende apenas de comprar ferramentas ou implementar sistemas. Exige mudança cultural, revisão de processos, governança de dados e preparo das lideranças.

Carlênio observou que empresas brasileiras ainda investem menos em tecnologia do que companhias de mercados mais maduros, embora esse movimento esteja acelerando. O executivo também citou o agro como exemplo de setor que avançou rapidamente em tecnologia nos últimos anos.

Ao final, o Senior Experience mostrou que a transformação digital deixou de ser uma pauta exclusivamente tecnológica. A discussão agora envolve liderança, cultura, gestão de pessoas, análise de dados e estratégia empresarial.

Em outras palavras, quanto mais a inteligência artificial avança, mais as empresas precisam investir na inteligência humana que vai orientar seu uso.

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