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Você já deve ter escutado a frase “prevenir é melhor que remediar”. Em Campo Mourão, municipio do Centro-Oeste do Paraná com cerca de 104 mil habitantes, essa ideia começou a ganhar espaço na forma como a saúde pública é conduzida.
O cenário ajuda a explicar essa mudança de olhar. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), doenças crônicas não transmissíveis como diabetes, enfermidades cardiovasculares e respiratórias já concentram cerca de 74% das mortes no mundo.
Em grande parte dos casos, estão associadas a fatores cotidianos, como sedentarismo, estresse e hábitos pouco saudáveis, o que reforça a necessidade de ações preventivas que atuem antes do agravamento desses quadros.
A estratégia adotada pelo municipio paranaense foi estruturada a partir de grupos com maior poder de influência no dia a dia, com a proposta de que, ao fortalecer hábitos saudáveis nesses espaços, as mudanças reflitam de forma gradual no cotidiano da população. Assim, educação foi o primeiro setor a concentrar as ações.
Como suporte a essa iniciativa, o município adotou uma plataforma digital voltada à construção de rotinas mais saudáveis e à melhoria da qualidade de vida.
Desenvolvida pela Fortalece, a solução combina neurociência, tecnologia e gamificação para estimular a mudança de hábitos de forma prática e contínua. A plataforma reúne conteúdos, desafios, acompanhamento de indicadores e atividades como exercícios, meditação e reeducação alimentar em um único ambiente, criando uma jornada estruturada de bem-estar.
“Investir em saúde vai muito além de ampliar hospitais. Quando se estruturam programas de bem-estar, com acompanhamento de indicadores e uso de tecnologia, é possível atuar diretamente na prevenção. Isso melhora a qualidade de vida das pessoas e, ao mesmo tempo, reduz a pressão sobre o sistema de saúde. O uso estruturado da tecnologia marca uma mudança importante na forma de pensar a saúde”, afirma Marcos Rinaldi, CEO da Fortalece.
Paulina D. Aparecida Feitoza, gerente do Instituto Municipal de Pesquisa, Planejamento e Apoio à Educação (IMAPE) de Campo Mourão, destaca o impacto mais amplo da iniciativa. “A iniciativa se destaca por criar um ambiente mais colaborativo e enriquecedor. E os efeitos vão além dos participantes diretos: professores incorporam esses hábitos à rotina e passam a transmiti-los aos alunos, reforçando uma cultura de cuidado que tende a se perpetuar”, diz.
Para o Prefeito de Campo Mourão, Douglas Fabrício, a iniciativa está alinhada a uma visão mais atual da gestão pública. “Investir em bem-estar e desenvolvimento humano é investir no futuro da própria cidade. Com o uso da tecnologia, hoje já é possível ir além da promoção: conseguimos acompanhar indicadores de hábitos da população, monitorar a evolução em tempo real e transformar esses dados em políticas estruturadas de promoção da saúde, com ações mais precisas e contínuas”, explica.
Entre os participantes, os efeitos já são percebidos na prática. “A plataforma fez diferença na minha vida. Ela reúne atividades para o corpo e para a mente, oferece acompanhamento profissional e cria momentos de interação. É uma forma acessível de cuidar da saúde no dia a dia”, conta a professora Maria Alves.
Para o educador Rodrigo Barosi, “participar do programa exige sair da zona de conforto. No início, não é simples, mas cada etapa cumprida mostra que cuidar da saúde é uma responsabilidade individual. É um processo de mudança que depende de decisão e constância”, diz.
O professor Marcelo Henrique dos Santos chama atenção para o efeito coletivo da iniciativa. “O que mais me marcou foi o trabalho em equipe. O programa incentiva não só a atividade física, mas também o apoio entre colegas, fortalecendo vínculos e melhorando o ambiente de trabalho”, afirma.
O avanço desse tipo de iniciativa acompanha uma tendência mais ampla. A agenda de saúde pública mundial começa a migrar de um modelo centrado no tratamento de doenças para uma abordagem mais preventiva. Relatórios do McKinsey Health Institute indicam que ampliar investimentos em prevenção pode reduzir significativamente a carga de doenças e gerar ganhos econômicos expressivos, estimados em até US$ 12,5 trilhões por ano até 2050, além de aumentar a expectativa de vida saudável da população.
Nesse cenário, saúde e bem-estar passam a ocupar também o centro da discussão sobre cidades inteligentes. Se antes o conceito de smart cities estava associado principalmente à infraestrutura e à conectividade, hoje ganha força a visão de que uma cidade inteligente é aquela capaz de transformar dados e tecnologia em qualidade de vida para seus cidadãos.









