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A urgência virou cultura e isso está custando caro às empresas

A pressão por respostas imediatas fez executivos tratarem tudo como prioridade. O resultado aparece em decisões impulsivas, mais retrabalho, queda de produtividade e uma experiência pior para clientes

O especialista Bethel Lombardi traz dicas sobre como escapar dessa armadilha da urgência e decidir melhor.
O especialista Bethel Lombardi traz dicas sobre como escapar dessa armadilha da urgência e decidir melhor. (Foto: Everton Rosa)

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A urgência deixou de ser uma exceção na rotina das empresas e passou a orientar a forma como muitas decisões são tomadas. Reuniões sucessivas, notificações constantes, metas de curto prazo e um volume crescente de informações transformaram a resposta imediata em um padrão de gestão. O problema é que essa lógica tem aumentado o retrabalho, reduzido a qualidade das decisões e comprometido o crescimento de empresas de diferentes portes.

Para Bethel Lombardi, especialista em experiência do cliente, fundador da Encantar Mentory e criador do método EPL (Encantar Para Lucrar), a velocidade passou a ser confundida com eficiência dentro da gestão empresarial. Segundo o especialista, organizações que operam permanentemente sob pressão reduzem sua capacidade de avaliar riscos, definir prioridades e tomar decisões estratégicas.

"A urgência é importante em situações específicas, mas, quando passa a orientar todas as decisões da empresa, a gestão deixa de ser estratégica e se torna apenas reativa. As consequências aparecem na produtividade, no relacionamento com clientes, no desempenho das equipes e, inevitavelmente, nos resultados do negócio", afirma.

Casos recentes mostram como a pressão por velocidade pode comprometer decisões empresariais. Em 2024, a Boeing promoveu uma ampla reformulação em sua liderança após enfrentar uma crise provocada por falhas de produção e controle de qualidade. O episódio ampliou o debate sobre governança corporativa, qualidade dos processos e capacidade de tomada de decisão em organizações submetidas a metas cada vez mais agressivas de desempenho.

Embora envolva uma multinacional, o fundador da Encantar Mentory afirma que o mesmo comportamento é observado diariamente em empresas brasileiras de todos os portes. "Muitos empresários acreditam que decidir rápido significa decidir melhor. Na prática, a tomada de decisão sem critérios aumenta o retrabalho, gera conflitos internos, compromete a experiência do cliente e faz com que decisões precisem ser revistas pouco tempo depois. O prejuízo normalmente não aparece no primeiro dia, mas se acumula ao longo do tempo."

A aceleração da rotina corporativa também aparece em pesquisas recentes. O Work Trend Index, estudo desenvolvido pela Microsoft em parceria com o LinkedIn, aponta que 75% dos profissionais já utilizam inteligência artificial no trabalho para acompanhar o aumento das demandas diárias. O levantamento também mostra que a maioria dos líderes afirma não ter tempo suficiente para concluir suas atividades durante o expediente, refletindo um ambiente de trabalho marcado pela sobrecarga de informações e pela pressão constante por produtividade.

Quando tudo é urgente, nada é estratégico

Na avaliação do especialista em experiência do cliente, um dos maiores desafios das lideranças é separar o que realmente exige uma resposta imediata do que precisa de análise estratégica. Quando todas as demandas recebem o mesmo grau de prioridade, decisões relevantes acabam sendo tomadas sem reflexão suficiente.

"Existe uma diferença entre empresas ágeis e empresas que vivem em estado permanente de urgência. Organizações ágeis estruturam processos, definem prioridades e conseguem responder rapidamente quando necessário. Já empresas que trabalham apenas apagando incêndios acabam comprometendo a qualidade da gestão e das decisões."

Segundo o especialista, esse comportamento também afeta diretamente a experiência do cliente. Mudanças constantes de prioridade, promessas feitas sem planejamento, falhas de comunicação e decisões precipitadas reduzem a confiança dos consumidores, enfraquecem relacionamentos comerciais e dificultam a fidelização.

Empresas ágeis não são empresas apressadas

Para o criador do método EPL, empresas que crescem de forma consistente não são necessariamente aquelas que tomam mais decisões, mas as que desenvolvem processos capazes de melhorar a qualidade da tomada de decisão.

Isso passa por estabelecer prioridades claras, organizar fluxos de aprovação, reduzir interrupções desnecessárias e reservar momentos específicos para análises estratégicas antes de decisões relevantes.

"Nem toda decisão precisa ser imediata. Muitas vezes, algumas horas de análise evitam meses corrigindo consequências. Empresas que conseguem diferenciar urgência de prioridade desenvolvem uma gestão mais eficiente, fortalecem a experiência do cliente e criam condições para um crescimento empresarial sustentável."

Na avaliação do executivo, um dos principais diferenciais competitivos das empresas deixou de ser apenas a velocidade de execução e passou a ser a capacidade de decidir com qualidade.

"Responder rápido pode resolver um problema do presente. Decidir bem protege o futuro da empresa. A velocidade continua sendo importante, mas ela precisa caminhar ao lado de critérios, planejamento e visão estratégica. É essa combinação que sustenta produtividade, confiança e crescimento de longo prazo."

Sobre Bethel Lombardi

Bethel Lombardi é especialista em experiência do cliente (CX), mentor e empresário com mais de 24 anos de atuação. Graduado bacharel em Ciências Contábeis, é criador do método EPL (Encantar Para Lucrar) e fundador da Encantar Mentory, onde orienta empresários na construção de estratégias de fidelização, jornada do cliente e crescimento de receita.

Também é idealizador do Encantar Experience, evento anual que reúne centenas de empresários em uma imersão voltada à aplicação prática de estratégias de gestão, experiência do cliente e crescimento de negócios. Além disso, lidera o Encantar Club, grupo de mentoria executiva.

Promove imersões internacionais em ecossistemas de referência como Orlando e Vale do Silício, onde conduz empresários em experiências práticas inspiradas nos bastidores de empresas como Disney, Apple e Amazon.

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