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Caro Nikolas,
Hoje acordei às 4 da manhã para rezar o meu rosário. Olhando pela janela, vi a estrela da manhã. Meus conhecimentos sobre o espaço sideral são muito limitados — quando pequeno, eu sonhava em ser astrônomo, mas segui outro caminho na vida, troquei os astros pelas crônicas — portanto não sei o nome dessa estrela, nem a quantos anos-luz ela se encontra da Terra, nem mesmo se ela já morreu e deixou sua luz vagando no universo. Só sei que ela é uma estrela, porque brilha e pulsa no céu. Sem saber o seu nome oficial, resolvi chamá-la de Estrela da Verdade.
Enquanto eu rezava o meu rosário (lembrando 203 vezes da minha morte, ao fim de cada Ave-Maria), meditava sobre o mistério da Eucaristia: o fruto da Árvore da Vida que se apresenta a nós na forma de uma hóstia consagrada. O nosso querido professor Olavo escreveu: “A Eucaristia não é o maior milagre do mundo; ela é um milagre maior do que o mundo”. Imagine só, Nikolas: o próprio Logos se oferece a nós nas espécies do pão e do vinho!
Para um católico, a Eucaristia é algo tão sagrado que nós repetimos, antes de recebê-la, a frase do centurião romano que reconheceu a divindade de Jesus: “Senhor, eu não sou digno de que entreis em minha morada, mas dizei uma palavra e serei salvo”. A rigor, ninguém é digno da Eucaristia, Nikolas. Nós, pecadores, só a recebemos por uma graça especial de Deus. A Eucaristia nos perdoa; ela é o próprio perdão.
Por isso eu fiquei especialmente triste e decepcionado com as palavras daquele padre na missa em Córrego Novo. Embora o sacerdote, por meio da Diocese de Caratinga, tenha pedido perdão e reconhecido que agiu sob forte emoção — e nós, cristãos, devemos acolher seu arrependimento com sinceridade —, o episódio revela uma ferida aberta no clero brasileiro.
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O altar, Nikolas, não é lugar para o PT, nem para qualquer movimento político reduzir o Evangelho a um programa de governo — especialmente um programa de governo inspirado no socialismo, movimento político amplamente rejeitado pela Igreja. Quando um padre usa a homilia para condicionar o acesso ao Corpo de Cristo a uma opinião sobre o modelo de distribuição de botijões de gás, ele está, na prática, tentando domesticar o Infinito. Ele transforma o presbitério em palanque e o sacrifício da missa em assembleia de sindicato. Isso está profundamente errado.
O risco é que esse não é um caso isolado. Estamos na Quaresma, e a politização da Campanha da Fraternidade muitas vezes serve de combustível para que seguidores da Teologia da Libertação — aquela que prefere a revolução socialista ao Reino de Deus — voltem suas baterias contra vozes como a sua. Já vimos esse filme antes. Eles trocam o “vinde a mim, todos vós” por um “fora daqui os que não votam conosco”.
Mas não se abale, meu jovem amigo. A Igreja é muito maior do que os erros de seus ministros. Eu sou católico — com todas as minhas misérias, que confesso a cada rosário sob a Estrela da Verdade — e tenho um orgulho de apoiar todos aqueles que denunciam as mentiras e chantagens da esquerda. Não estou sozinho e você também não está. Muitos irmãos de fé seguem a mesma caminhada, nesta longa e penosa marcha pela liberdade e pela justiça em nosso país.
Mesmo quando a ideologia tenta fechar as portas de um templo e dividir os fiéis, Deus abre as janelas da eternidade para quem busca a Verdade com o coração sincero. Siga firme.
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