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1- Amigos conservadores que nunca militaram na esquerda ficam escandalizados, e com razão, quando veem padres e pastores utilizando o altar para fazer proselitismo em favor do socialismo e do comunismo ou para atacar os adversários de tais correntes políticas, como no caso que aconteceu recentemente com o deputado Nikolas Ferreira.
De fato, esses movimentos sempre foram contrários à Igreja e defendem causas que se opõem aos ensinamentos de Cristo (como o aborto, a ideologia de gênero, a linguagem neutra, a liberação das drogas, a invasão de propriedades, a perseguição de inocentes, o desrespeito à lei natural).
2- O fato é que, tanto na Igreja Católica quanto nas denominações protestantes, há correntes de esquerda que se infiltram na vida religiosa com o objetivo de utilizar o altar e o púlpito como instrumentos revolucionários de inspiração marxista. Na Igreja Católica, isso leva o nome de Teologia da Libertação; nos meios protestantes, Missão Integral. São formas que os marxistas encontraram para tentar destruir a Igreja por dentro, esvaziando-a de conteúdo espiritual. Não prevalecerão, é claro — e não fui eu quem disse isso. Mas, até que desapareçam, causarão grandes danos e perderão muitas almas.
3- Como meus sete leitores já sabem, deixei definitivamente a esquerda há duas décadas. Em uma crônica recente, falei sobre alguns motivos que me fizeram dar esse passo. No entanto, gostaria agora de me aprofundar um pouco em uma das principais razões de minha apostasia esquerdista — ou melhor, certamente a principal. Essa razão foi o meu reencontro com Deus e a minha volta à fé católica.
Hoje não tenho dúvida de que a mentalidade esquerdista se fundamenta em um caráter religioso. Na religião esquerdista, Deus sai de cena, entra a História; a caridade sai de cena, entra a justiça social; a salvação sai de cena, entra a revolução. Infelizmente, nossa sociedade está de tal forma mergulhada nessas ilusões que as pessoas pensam e agem como revolucionárias, mesmo sem se dar conta disso. A mentalidade esquerdista ocupa até mesmo a mente de muitos que se julgam direitistas, centristas ou isentos.
4- Ocorre que o deus da esquerda falhou, foi aniquilado pelos fatos; a fé metastática do coletivismo logrou produzir miséria e cadáveres (nas formas radicais do socialismo), desilusão e vazio (nas formas sinuosas do globalismo), terror e opressão (em suas formas fanáticas do califado); e essa falha monumental só torna ainda mais violentos e rancorosos os adeptos (conscientes ou não) da religião política. Mais do que nunca, para mim, está claro que a única forma de combater esse monstro de três cabeças — o Cérbero revolucionário de nosso tempo — é aderir ao Deus vivo: Jesus Cristo.
5- Quando você abre os olhos e diz que a religião política prevalecente está errada, prepare-se para a reação. Há 21 anos, eu fiz isso, e o resultado foi que perdi quase todos os meus amigos. Da noite para o dia, inúmeros companheiros voltaram-me as costas e passaram a me evitar.
Meus ex-amigos se dividiram em dois grupos: aqueles que me consideravam um traidor e aqueles que me consideravam um louco. Na pandemia, perdi mais alguns — que jamais se diriam esquerdistas, mas que, mesmo assim, decidiram que era uma atitude nobre mandar na vida, na família e na saúde dos outros. Sair da caverna ideológica é uma das atitudes mais difíceis que um ser humano pode tomar na vida.
6- Como, então — alguém pode perguntar —, ainda há cristãos que aderem à esquerda e preferem não olhar para as repetidas condenações da Igreja ao socialismo e ao comunismo, para a longa e sangrenta história de perseguição revolucionária aos fiéis, para o acúmulo de erros e tragédias do marxismo e de seus herdeiros políticos?
Eu responderia com Santo Agostinho e um velho adágio latino: “Diabolus est simia Dei”. O diabo é o macaco de Deus. Como não pode criar nada, o inimigo de Deus e dos homens copia canhestramente as virtudes divinas. E é precisamente isso que o socialismo e seus primos coletivistas (inclusive o liberalismo ateu) fazem em relação à fé, à esperança, à caridade, ao temor de Deus, à piedade, à fortaleza, ao conselho, à ciência, ao entendimento e à sabedoria. Macaqueiam as virtudes e os dons de Deus, apresentando as sombras no lugar da luz.
7- Aos que ainda têm medo de abandonar a esquerda e suas ideias hegemônicas (as ideias que prevalecem no mundo moderno), eu digo: no final, compensa. Você vai perder muitos amigos, mas ganhará outros, e melhores. Eu ganhei. E o melhor deles se chama Jesus Cristo.
(PS: A foto que ilustra esta coluna não é bem o que vocês sete estão pensando. Foi feita durante uma festa à fantasia, em 2005, quando eu já havia abandonado a esquerda e resolvi me fantasiar de militante, usando uma boina, uma camiseta de Che Guevara e um exemplar do jornal Militante Socialista, que eu adquirira na Praça da Sé, em 1990, durante um comício de Plínio de Arruda Sampaio. A ironia vence a ideologia.)
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