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Então eu fiquei pensando no que o professor Olavo diria sobre tudo isso que estamos vivendo, e imaginei a seguinte conversa:
Paulo Briguet: Professor, cá estamos em setembro de 2026. Se eu lhe disser que o Brasil hoje padece sob o que chamo de “cinco C’s diabólicos” — crime, corrupção, custo de vida, carga tributária e censura —, enquanto os ministros do Supremo são flagrados às gargalhadas na escuridão, reproduzindo à risca o final de A Revolução dos Bichos, de George Orwell, o senhor ficaria surpreso?
Olavo de Carvalho: Surpreso com quê, meu irmãozinho? A realidade política sempre reproduz o que já estava na grande literatura, no imaginário cultural. Todo o universo verbal da política brasileira é constituído de mentiras, todo ele. Você só ouve gente falando besteira e falando do que não sabe. O que está acontecendo aí é o seguinte: essa cúpula comunolarápia não respeita o eleitorado, não respeita as Forças Armadas, não respeita nada; só respeita a si mesma, porra! Quando você vê essas sentenças absurdas que os juízes do STF fazem, tá na cara que eles perderam qualquer resquício de vergonha. Por que eles agem assim? Porque suporte popular esse pessoal comunista não tem mais. A popularidade deles acabou. Eles só têm na mão a universidade, a grande mídia e o STF. Então, ou eles se impõem pela mais descarada tirania de autoridade, ou estão lascados.*
Paulo Briguet: Mas há quem ainda aposte todas as fichas no calendário institucional. A eleição presidencial se aproxima e o debate público inteiro parece girar em torno das urnas, enquanto se tenta vender mais uma vez o engodo de uma “terceira via” — o candidato de extrema-centro, ponderado, bom moço, que no fundo só trabalha como linha auxiliar do regime PT-STF.
Olavo de Carvalho: Mas isso é uma burrice sem tamanho, bicho! As pessoas usam a palavra “política” no sentido dos símbolos que representam a política, e não da atividade real. Eleição é apenas um dos inumeráveis mecanismos institucionais. Mas como é que se chega à eleição? Alguém seleciona os candidatos antes, alguém decide quanto dinheiro cada um terá para fazer propaganda. O processo eleitoral está tão longe da realidade do poder quanto o sonho infantil de qualquer criança. E no Brasil acham que política se resume a votar. Mas o poder real não depende de cargo nominal nem de papel assinado.
Paulo Briguet: Durante anos, muitos alimentaram a esperança de que as Forças Armadas interviriam para restabelecer a ordem e a Constituição. Eu me cansei de ver passeatas repletas de famílias, idosos e crianças clamando por socorro cívico. Muitas dessas pessoas foram presas e tiveram suas vidas destruídas.
Olavo de Carvalho: Eu cansei de dizer: essa conversa de que os militares salvaram ou vão salvar o Brasil é conversa mole! Desde o início eu avisei: intervenção militar não vai vir, nunca vai vir. Sabe por quê? Porque grupos não agem, ideologias não agem; o que age são indivíduos de carne e osso. O Brasil inteiro pode desejar uma mudança no estado de coisas, mas, se essa ideia não estiver na cabeça de quem detém a caneta e a coragem física de mobilizar os meios de ação, nada acontece. O generalato tem medo dos líderes revolucionários, mas os líderes revolucionários não têm medo algum deles. E a massa que vai às ruas com bandeirinhas e camisas amarelas é uma massa amorfa. Uma massa não é uma militância. Militância pressupõe hierarquia rigorosa, voz de comando, regulamento estrito e capacidade concreta de exercer a força se for atacada. Se você só pode apanhar e sofrer a violência, mas não dispõe de meio algum para reagir, você já perdeu antes de começar.
Paulo Briguet: Diante desse abismo, qual é o ponto de partida para quem ainda busca sanidade mental e recusa a rendição espiritual?
Olavo de Carvalho: É aplicar a regra número um do meu método filosófico: comece por analisar a sua própria vida concreta. Nunca tente explicar a situação macropolítica do país sem partir rigorosamente de onde você está. Olhe para a sua realidade: de onde sai o seu sustento? Quantas pessoas realmente te levam a sério? Se você perde de vista o seu lugar exato na ordem das coisas, toda a sua visão política se reduz a sombras na parede, a historinhas da carochinha. A segunda regra: nunca aceite um conceito abstrato se você não puder traduzi-lo em ações e indivíduos concretos. Quem manda de fato? Quem obedece a quem? E, acima de tudo, não se iluda com o consenso artificial nem com moderações covardes. Moderação na defesa da verdade é cumplicidade escancarada com a mentira. Rompam o fingimento da linguagem oficial e olhem para a realidade sem medo. A salvação de uma inteligência começa no instante em que ela recusa participar da farsa.
Paulo Briguet: Professor, para encerrar: diante dessa atmosfera de ruína, cinismo e perseguição, onde o poder temporal parece absoluto e esmagador, o que resta ao homem comum? Como não sucumbir ao desespero quando tudo ao redor parece conspirar para a morte da alma?
Olavo de Carvalho: Resta lembrar quem você é perante a eternidade, bicho! Todo tirano, todo burocrata e todo impostor que hoje posa de dono do país sofre da mais miserável ilusão: eles agem como se fossem eternos, mas são apenas poeira cósmica. O poder deste mundo é efêmero. A verdadeira batalha da vida não é para salvar a pele a qualquer custo, nem para obter aplausos de vigaristas; a única batalha real é a salvação da sua alma imortal. Se você comprometer a sua consciência, se você se render à mentira para ter uma vida mansa ou para bajular quem tem a caneta na mão, você destruiu a si mesmo diante de Deus. A morte biológica é uma certeza para todos nós — para mim, para você, para os juízes e para os governantes. A única coisa que você vai levar desta terra é a verdade que você amou e a lealdade que teve com a sua própria consciência. Não tenham medo dos que podem matar o corpo ou censurar a sua voz. Tenham medo de trair a Verdade. Quem vive com os olhos postos na imortalidade já é, por definição, livre de qualquer tirania.
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Paulo Briguet é escritor, jornalista, palestrante e professor de literatura. Trabalhou em diversos jornais, revistas e assessorias de comunicação no Paraná. Foi colunista da Folha de Londrina e editor-chefe do jornal Brasil Sem Medo. Publicou diversos livros, dentre eles: “Nossa Senhora dos Ateus”, "Coração de mãe", “O Mínimo sobre Distopias” e “Diário de Moby Dick”. Já escreveu mais de 2 mil crônicas. **Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.



