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Vocês, meus sete leitores, sabem que democracia e ditadura podem existir lado a lado? E não é de hoje: desde os tempos de Sócrates, a democracia vem sendo a via mais segura para o surgimento do regime ditatorial. A propósito, quem matou Sócrates? A democracia ateniense.
(Esclarecimento: quem chamou pela primeira vez a democracia de mãe da tirania não fui eu, mas Platão, o principal discípulo de Sócrates. Creio ser demasiado tarde para Moraes ordenar uma busca e apreensão na Academia de Atenas.)
Hoje, no Brasil, nós vivemos a ditadura democrática — que se consolidou no poder por meio de um golpe revolucionário em várias etapas.
Esqueçam a tomada do Palácio de Inverno ou a descida de Sierra Maestra. No século XXI, os socialistas tomam o poder através de uma lenta e pacienciosa ocupação de espaços nas instituições, em um processo que leva décadas. Só então acontece o golpe revolucionário, que no Brasil foi realizado em 12 etapas a partir de 2019:
1. tirar o sujeito da cadeia;
2. anular suas condenações;
3. permitir a sua candidatura;
4. controlar o sistema de votação;
5. censurar a campanha eleitoral;
6. criar a ilusão de que o resultado poderia ser revertido;
7. criar uma falsa narrativa sobre “golpe”;
8. perseguir e prender dissidentes;
9. criminalizar progressivamente a oposição;
10. destruir a economia;
11. tornar a população inteiramente dependente de favores estatais;
12. manipular o sistema eleitoral de modo a perpetuar o domínio do líder máximo e da coalizão socialista.
A ideia da ditadura democrática não é nova. Eis o primeiro artigo da Constituição chinesa:
Art 1º. A República Popular da China é um Estado socialista subordinado à ditadura democrática popular da classe operária e se baseia na aliança dos operários e camponeses. O sistema socialista é o sistema básico da República Popular da china. É proibida a sabotagem do sistema socialista por qualquer organização ou indivíduo.
Mao Tsé-tung, fundador da China comunista e maior assassino de todos os tempos, afirmava:
“Dizem-nos: ‘Vocês instauram a ditadura’. Sim, caros senhores, tendes razão. Com efeito, instauramos a ditadura. A experiência acumulada pelo povo chinês durante vários decênios nos fala da necessidade de instaurar a ditadura da democracia popular. Isto quer dizer que os reacionários devem ser privados do direito de expressar sua opinião”.
Em 1957, o mesmo ditador disse:
“O nosso Estado é uma ditadura democrática popular dirigida pela classe operária e baseada na aliança operário-camponesa. Para que essa ditadura? A sua primeira função é reprimir as classes e os elementos reacionários, bem como os exploradores que no nosso país resistem à revolução socialista”.
“A democracia e a liberdade são relativas e não absolutas, surgiram e desenvolveram-se ao longo da história. No seio do povo, a democracia pressupõe o centralismo, e a liberdade a disciplina”.
“Onde quer que sejam descobertos a provocar desordens, os contrarrevolucionários devem ser energicamente eliminados”.
Não por acaso, Mao Tsé-tung parece ser o maior ídolo de Flávio Dino, o ministro comunista do Supremo Soviete Federal. E não apenas dele. O decano da Corte, Gilmar Mendes, já declarou ser um “admirador do modelo chinês” de controle social.
As ideias do velho tirano Mao estão sendo aplicadas hoje, em nosso país. O fim do sigilo da fonte, decretado por Alexandre de Moraes para blindar Flávio Dino, é mais um capítulo desse processo de destruição das liberdades e perpetuação do modelo socialista.
Quem inspira as ações do Regime PT-STF? Foi Mao. É Mao. Será Mao.
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Paulo Briguet é escritor, jornalista, palestrante e professor de literatura. Trabalhou em diversos jornais, revistas e assessorias de comunicação no Paraná. Foi colunista da Folha de Londrina e editor-chefe do jornal Brasil Sem Medo. Publicou diversos livros, dentre eles: “Nossa Senhora dos Ateus”, "Coração de mãe", “O Mínimo sobre Distopias” e “Diário de Moby Dick”. Já escreveu mais de 2 mil crônicas. **Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.



