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Paulo Briguet

Paulo Briguet

“O Paulo Briguet é o Rubem Braga da presente geração. Não percam nunca as crônicas dele.” (Olavo de Carvalho, filósofo e escritor)

Guerra dos sexos

Lei da Misoginia: a criminalização dos homens

Ana Paula Lobato, autora do PL 896/2023; Soraya Thronicke, relatora do substitutivo; e Davi Alcolumbre, Presidente do Senado. (Foto: Carlos Moura/Agência Senado)

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Em 2024, o nosso querido Frei Gilson — esse mesmo que coloca 2 milhões de pessoas para rezar de madrugada — disse, durante uma homilia:
— A guerra dos sexos é ideologia pura. Para curar a solidão do homem, Deus fez você, mulher. Deus faz uma promessa para Adão: eu vou fazer alguém para ser sua auxiliar. Aqui você já começa a entender a missão de uma mulher. Ela nasceu para auxiliar o homem.

Um ano depois, quando o fenômeno do Rosário da Madrugada arrebatou o país, a deputada socialista Tabata Amaral foi às redes para fazer uma crítica ao sacerdote carmelita. Tabata comentou, na época:
— O Frei Gilson vem sendo atacado por um vídeo em que ele diz que “a mulher deve ser auxiliar do homem”. Obviamente, eu não concordo com essa frase. Quem conhece a minha luta na educação, pela dignidade menstrual, pela segurança das mulheres e pela ocupação dos espaços de poder sabe que toda a minha trajetória profissional vai na direção oposta dessa frase. Para mim, Jesus foi o grande defensor da igualdade que já passou pela Terra.

Lembrei-me desse episódio ao receber a notícia da aprovação, pelo Senado, da tal Lei da Misoginia, com o voto unânime dos senadores presentes. E fiquei aqui pensando: será que o Frei Gilson, ou outro padre ou pastor, caso decida citar determinadas passagens da Bíblia, não poderá se tornar uma vítima da nova lei?

A verdade é que a Lei da Misoginia padece do mesmo mal que a Lei Felca, já comentada por este cronista de sete leitores: ambas utilizam uma causa aparentemente nobre (a proteção às mulheres e o combate à pedofilia) para criar instrumentos legais que fatalmente conduzirão à censura e ao cerceamento da liberdade de expressão e deixam incólumes os verdadeiros criminosos.

O cerne do problema reside na interpretação subjetiva da lei, algo que a esquerda adora fazer contra seus inimigos (mesmo que estes tentem se mostrar sensíveis às causas da militância, como no caso dos nossos senadores “de direita”).

Voltemos à passagem bíblica mencionada por Frei Gilson. O termo que o nosso amado carequinha resgatou do Gênesis não é um atestado de inferioridade, mas um título de nobreza. No hebraico, a mulher é apresentada como Ezer Kenegdo. Ezer não é a estagiária do Éden, mas o socorro vital, o mesmo termo que os salmistas usam para invocar o próprio Deus nos momentos de desespero.

Ao dizer que a mulher nasceu para auxiliar o homem, o sacerdote não estava rebaixando o feminino; estava admitindo a insuficiência radical do masculino

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Sem o seu Ezer, Adão é um rei sem reino, uma inteligência sem destino. Mas a militância socialista não sabe, ou não quer saber, dessa relação de complementaridade e dependência entre a mulher e o homem.

A nova mordaça jurídica, aprovada entre sorrisos e sinalizações de virtude pela esquerda, que é sempre extrema, e pela direita, que muitas vezes é de esquerda, certamente encontraria um alvo predileto no capítulo 5 da Carta aos Efésios. Ali, São Paulo utiliza um termo que faz a militância contemporânea tremer de ódio, mas que, na verdade, é a chave da harmonia cristã: hypotassō.

Quando o Apóstolo exorta: “As mulheres sejam submissas a seus maridos”, ele não está pregando a tirania doméstica que a nova lei pretende combater. O verbo grego hypotássō — o mesmo que descreve a atitude do Menino Jesus em Nazaré — significa colocar-se em ordem sob a mesma missão.

Não se trata de uma hierarquia de valor, mas de uma hierarquia de serviço. Para o mundo, “submissão” soa como escravidão; para o cristão, é uma imitação de Cristo. Afinal, como pode ser “misoginia” algo que o próprio Logos divino aceitou? O evangelista Lucas é claríssimo ao dizer que Jesus, a Verdade encarnada, desceu a Nazaré com Maria e José e “lhes era submisso” (hypotassómenos).

Se o próprio Criador se colocou voluntariamente sob a autoridade de uma mulher e de um carpinteiro para que a ordem da Salvação se cumprisse, como o Estado ousa agora carimbar essa mesma disposição de espírito como “ódio” ou “supremacia”? Nazaré nos ensina que a autoridade bíblica é uma chefia de imolação. O marido é o “chefe” porque é o primeiro chamado a morrer pela esposa, como Cristo morreu pela Igreja e pela nossa salvação.

Mas há um personagem que odeia essa fidelidade. Seu nome é diabo. Ele veio para dividir e acusar. Seu objetivo é separar homens e mulheres, pais e filhos, adultos e crianças, pobres e ricos, brancos e negros, trabalhadores e empresários, autoridades públicas e cidadãos comuns — em grupos beligerantes, irreconciliáveis e cada vez mais distantes de Deus.

O inimigo do gênero humano investe na guerra de todos contra todos para depois, sob a forma do Estado-Partido, apresentar-se como o solucionador de todos os conflitos. Essa “crítica radical de todas as coisas” é essencialmente diabólica.

Espero, sinceramente, que a Câmara dos Deputados derrube essa lei nefasta, ou teremos mais um instrumento do regime para a perseguição de brasileiros inocentes.

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