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Um fantasma ronda Brasília: o fantasma de Sombras Toffoli. Conheço a trajetória do personagem há muitos anos, desde os seus tempos de militante estudantil, assessor do companheiro Zé Dirceu e candidato reprovado em dois concursos para a magistratura. Vi a sua ascensão pelas mãos de Lula, primeiro à AGU, depois a ministro do Supremo, com apenas 42 anos.
Sei da sua amizade com o advogado Roberto Podval, que atuou na defesa de Sergio Gomes da Silva, o Sombra — sim, aquele assessor que estava com Celso Daniel na noite em que o prefeito de Santo André e coordenador da campanha de Lula à presidência foi torturado e assassinado, lembram?
Eu estava atento quando Sombras Toffoli chegou com o rosto ferido a uma sessão do Supremo. Vi-o destruir a Lava Jato e livrar a cara de todos os envolvidos no Petrolão.
Foi Sombras Toffoli, “o amigo do amigo do meu pai”, quem deu início a toda a onda de abusos e ilegalidades praticados pelo STF, com a criação do Inquérito do Fim do Mundo, em março de 2019, presidido por seu parceiro sombrio, o Imperador Calvo. Na época, ele chegou a dizer que os togados eram os “editores de todo um país”. O mais incrível é que ele estava falando sério.
A propósito, naquele mesmo ano de 2019, Sombras Toffoli teve um livro editado em homenagem aos seus 10 anos no STF. O organizador da obra atendia — e atende — pelo nome de André Mendonça.
E agora, não apenas este cronista de sete leitores, mas todo o Brasil está assistindo ao degradante espetáculo do mesmo personagem, envolvido até o pescoço na escalada de crimes do Banco Master.
Que os meus sete leitores, porém, não se enganem: fantasmas não caminham sozinhos. Eles precisam de corredores escuros, de portas fechadas, de vozes que cochicham para não acordar a casa. O fantasma é grupal; seu nome é legião. Ao afirmar que não há suspeição, ao arquivar o procedimento, ao transformar a renúncia da relatoria em gesto voluntário de “alto interesse institucional”, o Supremo deixou de apenas abrigar uma sombra — passou a projetá-la.
O que temos não é apenas um ministro em apuros, mas uma Corte em posição de autoblindagem
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A sombra não está sentada apenas na cadeira de um gabinete; ela se espalha por todo o Supremo Soviete. É a institucionalização do breu.
Depois de todo o país assistir, atônito, à farsa jurídica que condenou Bolsonaro e seus apoiadores, a mesma Corte se fecha em um abraço de afogados para salvar o ex-relator do Master. Mas, em último caso, ele pode ser usado como boi de piranha para ocultar outros crimes. Arrisco dizer que Lula quer exatamente isso.
E assim, entre resorts, dividendos familiares e acordos na penumbra, o Brasil vai sendo governado por fantasmas que não têm medo do dia seguinte, pois sabem que, no tribunal das sombras, a luz da verdade nunca é convidada para o banquete.
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