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A guerra entre os Estados Unidos e o Irã foi retomada com grande intensidade. No momento em que escrevo, já são oito dias seguidos de bombardeios americanos a instalações iranianas. Além disso, a Marinha norte-americana retomou o bloqueio naval aos portos iranianos, impedindo a chegada e a saída de navios do país.
Os iranianos, por sua vez, retomaram os ataques contra países do Golfo Pérsico que abrigam instalações militares norte-americanas. Também atingiram a base aérea de Muwaffaq Salti, na Jordânia, causando a morte de mais dois militares dos EUA. Agora, o número de militares norte-americanos que perderam a vida em razão dessa guerra contra o Irã chegou a dezesseis.
É pouco provável que, nesta nova fase da guerra, uma campanha baseada em ataques aéreos leve à capitulação do regime iraniano, assim como não teve esse efeito na primeira fase
O fato de os iranianos terem conseguido atingir bases americanas, que certamente contam com defesas antiaéreas, mostra como as forças da Guarda Revolucionária do Irã aprenderam com os últimos combates e adaptaram suas táticas: há relatos de que têm utilizado mísseis com maior velocidade e manobrabilidade, possivelmente beneficiando-se de tecnologias, conhecimentos ou sistemas fornecidos pela Rússia ou pela China.
Aqueles que acompanham esta coluna sabem que sempre tive dúvidas sobre a efetividade do cessar-fogo nos termos em que foi acordado, por meio de um memorando de entendimento firmado pelos presidentes dos EUA e do Irã, em junho. Ficou imediatamente claro que o documento apenas adiava, sem encaminhar de maneira satisfatória, as principais questões entre os dois países: o programa nuclear iraniano e o regime de controle da passagem de navios mercantes pelo Estreito de Ormuz.
Agora que ambos os lados consideram o documento assinado em junho letra morta, as negociações voltaram praticamente à estaca zero. Isso se refletiu imediatamente nos preços do petróleo, que voltaram a subir, com reflexos para a economia global. A pressão sobre os estoques estratégicos e comerciais de petróleo, que já tinham sido parcialmente consumidos na primeira parte da guerra, volta a ser grande.
A pressão militar e econômica sobre o Irã é enorme. Os prejuízos causados pelo bloqueio naval são muito significativos: a moeda do país, o rial, desvalorizou-se e atingiu seu valor mínimo histórico, ao mesmo tempo em que a inflação e a destruição da infraestrutura energética e de transportes pelos ataques norte-americanos punem severamente a população civil.
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Apesar disso, é pouco provável que, nesta nova fase da guerra, uma campanha baseada em ataques aéreos leve à capitulação do regime iraniano, assim como não teve esse efeito na primeira fase. No início dos anos 2000, quando eu era instrutor na Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais do Exército (EsAO), nos jogos de guerra realizados nas salas de aula e nos exercícios no terreno, montávamos, para os alunos, situações fictícias nas quais eles eram obrigados a tomar novas decisões diante das reações do inimigo ou de outras mudanças no quadro tático do exercício.
Via de regra, quando o capitão-aluno resolvia “fazer mais do mesmo”, ou seja, continuar atuando da mesma forma que, até aquele momento, não tinha produzido os resultados esperados, dizíamos a ele que estava “reforçando o insucesso” e o estimulávamos a tomar novas decisões.
É mais ou menos isso que as forças norte-americanas estão fazendo ao retomar os bombardeios e o bloqueio naval. Estão fazendo “mais do mesmo” na esperança vã de alcançar um resultado diferente. Minha avaliação é que, se o objetivo continuar sendo obrigar o regime iraniano a capitular ou a aceitar as condições impostas pelos Estados Unidos, não dará certo.

Paulo Filho é coronel de Cavalaria da reserva do Exército, Bacharel em Ciências Militares, Mestre em Operações Militares e em Estudos de Defesa e Estratégia e especialista em História Militar. Comandou Esquadrões de Carros de Combate e de Fuzileiros Blindados em Regimentos de Cavalaria e foi oficial de Inteligência da 5ª Brigada de Cavalaria Blindada. Hoje, se dedica aos estudos geopolíticos. **Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.



