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Pedro Lupion

Pedro Lupion

Agronegócio

Tempestade perfeita no campo: falta de crédito, de seguro e alto endividamento

A previsão para o agronegócio nos próximos meses é preocupante. (Foto: Imagem produzida por Gemini IA/Gazeta do Povo)

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Custos elevados, commodities desvalorizadas e financiamentos caros formam a tempestade perfeita que ajuda a explicar o aumento do endividamento rural no Brasil em 2026.

É um cenário cada vez mais preocupante, que leva a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), que presido no Congresso Nacional, a buscar soluções para destravar o crédito, desburocratizar o setor e garantir segurança jurídica, além de condições para a geração de oportunidades e renda no campo.

Como se não bastassem as dificuldades atuais, o futuro ainda reserva novos desafios aos produtores. O prolongamento do conflito entre EUA e Israel contra o Irã mantém sob incerteza os preços do diesel e de outros combustíveis, além do trânsito das exportações brasileiras pelo Estreito de Ormuz.

Somam-se a isso os boletins meteorológicos, que sinalizam risco de um El Niño mais intenso no segundo semestre deste ano. O fenômeno pode elevar a temperatura das águas do Oceano Pacífico, agravar seus efeitos sobre o clima, causar estiagem no Norte e no Nordeste, chuvas irregulares no Centro-Oeste e temporais no Sul. Se esse cenário se confirmar, poderá ser o episódio mais intenso em 140 anos.

Com a intensidade projetada, os impactos podem atingir diretamente a produção de grãos e as rações da pecuária, além de pressionar a inflação dos alimentos.

Segundo a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, o agro respondeu, em 2025, por 30% de toda a riqueza gerada no país. Isso representa R$ 3,8 trilhões, considerada toda a cadeia produtiva — das agroindústrias aos insumos e ao beneficiamento.

Sem dúvida, trata-se da força motriz da economia brasileira e de um setor que leva desenvolvimento às médias e pequenas cidades do interior. Diante da dimensão dos problemas que já enfrentamos e dos que ainda podem surgir em um ano desafiador como este, é necessário buscar apoio também fora do Parlamento.

Foi exatamente isso que fizemos. Recebemos, nesta semana, na sede da FPA, em Brasília, o novo ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, a quem apresentamos uma pauta de prioridades e entraves que precisam ser enfrentados com urgência.

Levamos ao ministro preocupações com as restrições ao crédito rural impostas com base exclusiva no PRODES, a necessidade de ampliar o Plano Safra e construir soluções estruturantes para o endividamento no campo. Além disso, tratamos da necessidade de definição de cronogramas claros para regulamentações ligadas à Lei de Pesticidas, à Lei do Autocontrole e à Lei dos Bioinsumos.

Também tratamos de temas tributários, como a lista complementar de insumos agropecuários, com redução de alíquotas; de questões comerciais e sanitárias, como o Regulamento Europeu de Desmatamento, a rastreabilidade de pesticidas e a classificação de morangos; além de assuntos ligados à inovação, como o uso de drones na agropecuária, certificação de grãos, participação do setor produtivo em acordos comerciais e segurança jurídica em normas que impactam diretamente a atividade rural.

Ainda solicitamos o apoio da Pasta na articulação, junto ao Poder Executivo, em favor do PL 5122/2023, que permite, entre outros pontos, o uso do Fundo Social para a criação de uma linha de crédito específica voltada à repactuação de dívidas rurais.

A expectativa é que a proposta viabilize cerca de R$ 30 bilhões para essa linha de financiamento, embora esse montante já se mostre insuficiente diante da dimensão do problema que enfrentamos.

Foi positivo ver que o ministro, com experiência de vários mandatos como deputado federal, mostrou-se sensível às demandas do setor. No dia seguinte ao encontro com a FPA, ele também esteve na Comissão de Agricultura e Pecuária da Câmara para se colocar à disposição dos parlamentares.

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