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Polzonoff

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Transformando em crônica heroica o noticiário de cada dia.

Baubau

Adeus ao cinema

CINEMA
Cinema: obrigado e tchau. (Foto: Pixabay)

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Estreou a versão de Christopher Nolan para a “Odisseia” e em outros tempos eu estaria todo ansioso. Impaciente. Atiçado. Talvez até estivesse na fila do cinema, acampado como já estive muitas vezes nas estreias dos filmes do Woody Allen. Hoje não. Aliás, outro dia meu amigo e cinéfilo André Pugliesi me recomendou ir ao cinema ver “O Convite”, que parece que é bom mesmo (adoro Seth Rogen), mas minha reação foi a de sempre nos últimos anos: vou esperar chegar ao streaming.

Já faz muito tempo que não vou ao cinema. Tempo demais. O último filme a que assisti na outrora sala escura (hoje infelizmente iluminada por dezenas de telas de celulares) foi “Ainda Estou Aqui”. Aquele mesmo que a direita amou odiar e que eu só achei meh. Fui por dever de ofício. E porque meu filho queria ver. Fui e saí do cinema, um desses multiplex de shopping, sem expectativa de retornar. O cinema, ou melhor, aquilo que na faculdade a gente chamava pernosticamente de “a experiência cinematográfica” acabou. Já era.

Sem condições

Uma pena. Tenho histórias às pencas para contar sobre minhas muitas idas ao cinema. Desde a primeira vez, para ver um filme dos Trapalhões (acho que “O Mágico de Oroz”). No cinema também vi “Ghost”. Ao lado da Carolina. Vi “Corra Que A Polícia Vem Aí 33 e 1/3”. De tanto rir, quase engasguei com o Bic Mac. Vi “Forrest Gump” e quase morri de novo. Desta vez, de tanto chorar. Vi clássicos e filmes que caíram no esquecimento. E vi filmes-cabeça, menos pelos filmes do que pelas companhias, mas vi. Não entendi nada, mas beijei muito.

Se o cinema já era, acabou, baubau como andei dizendo aí em cima, não é nem tanto pelo brilho das telas de celular ou pelas conversas ou pelas cópias dubladas ou pela qualidade deplorável dos filmes. Digo, tudo isso contribui um pouquinho, sem falar no preço do ingresso e do combo pipoca + refrigerante. Mas meu problema é mesmo a concentração. A falta dela. Imagine ficar quase 3 horas acompanhando uma mesma história! Sem mexer no celular, sem fazer anotações, sem comentar com a Dani, sem perguntar se ela está gostando ou achando o filme uma porcaria. Sem condições. E é por isso que a crônica de hoje é um adeus ao cinema. Obrigado e tchau.

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