
Ouça este conteúdo
A gente é bombardeado por tantas informações, tantos malfeitos e canalhices. São tantas e tão diversas as opiniões e os interesses por trás de escândalos como o do Master Tribunal Federal que às vezes fica difícil parar para pensar no que realmente queremos. Qual o melhor desfecho para esse caso? O que desejo e imagino? Pois estava aqui pensando e um bom começo seria este: no meio de uma sessão qualquer do MTF, André Mendonça aproveita a presença dos distintos ministros vorcaretes para decretar a prisão de Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes. De Toffoli e Nunes Marques também. E ainda a de Gonet.
Alexandre de Moraes protesta. Esperneia data vênia para cá, data vênia para lá. Um agente da Polícia Federal abre caminho por entre os capinhas e o algema e o leva diante do olhar normalmente apalermado de Edson Fachin. Ao perceber que a coisa é séria, Gilmar Mendes se levanta todo esbaforido. O instinto dos da sua laia é fugir. Mas ele é contido por Fux, que o imobiliza como aprendeu a fazer no tatame de jiu-jítsu. Algemado, mas não calado, Gilmar Mendes é levado ao camburão aos gritos de absurdo!, leviandade!, covardia! Antes de desaparecer no Uber black da PF, ele promete vendetta.
Rojões
Toffoli não resiste à prisão. Na verdade, ele parece até aliviado com o desfecho para essa crise. Gonet, por sua vez, começa a redigir mentalmente, ali mesmo, sua peça de defesa. Quanto ao Nunes Marques, coitado. Dá até pena, porque ele não tem a menor ideia do que está acontecendo. Tu tá indo em cana, cara! Zanin sai de fininho, com medo de que sobre para ele. Ao mesmo tempo Flávio Dino, percebendo que a situação ficou feia para o seu lado, assume o microfone para elogiar a atitude de André Mendonça. Ele só para de inventar citações de Cícero e Aristóteles quando se dá conta de que a barra está mais ou menos limpa. Por enquanto.
Aqui no Pilarzinho estouram rojões. Aumentam os rumores de que Lula vai desistir da candidatura. Vai, não vai, será que vai? Desistiu mesmo. Mais rojões. O Twitter sai do ar, desta vez não por ordem judicial, e sim por excesso de tráfego. Alcolumbre não é encontrado em lugar nenhum. Impressionante. Alguns homens se lembram de agradecer e se põem de joelhos. Jornalistas cujo nome não citarei começam a chorar. Outros começam a pedir a liberdade de Bolsonaro e do pessoal do 8 de janeiro. Acabo de ler aqui que Alexandre de Moraes contratou um advogado especialista em delação premiada. Tão bom imaginar.

Paulo Polzonoff Jr. é jornalista e escritor, não necessariamente nessa ordem. Já foi também tradutor, mas agora não tem tempo. Na Gazeta do Povo, escreve sobre política, cultura, filosofia e assuntos da atualidade. **Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.



