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Eu (e não meu marido, que estava torcendo pela Espanha e me cedeu este espaço) assumi publicamente que torceria pela Argentina na final da Copa do Mundo porque estava admirada com a vontade de vencer de um time que chegou até ali ganhando de virada alguns jogos que outros times, como o do Brasil, já considerariam perdidos.
Não foi essa vontade de vencer que vimos, porém, no embate dos argentinos contra a Espanha. Muito por mérito dos espanhóis, cuja marcação fria, paciente e precisa neutralizou qualquer tentativa de ataque por parte da Argentina. Mas muito também por demérito dos argentinos, que estavam acuados e nervosos e conseguiram a façanha de não chutar a gol uma mísera vez durante os 90 minutos regulamentares, mesmo com Messi em campo. Se bem que nem parecia que ele estava.
Mãozinha da arbitragem
Houve, mais uma vez, uma aparente mãozinha da arbitragem, que anulou um gol legítimo da Espanha, feito já no início da prorrogação, devido a uma falta de ataque. Uma falta que, para mim, foi apenas encenação do argentino que se jogou no chão – a tão manjada catimba sul-americana, que acho até engraçada, porque faz parte da mitologia do futebol. Ainda que seja absurda quando prejudica o adversário daquele jeito.
Mas nem vou entrar no mérito da falta ou não-falta porque, a julgar pelos comentários de um ou outro leitor raivoso no meu texto anterior, não entendo nada de futebol e, ainda por cima, sou desonesta. De todo modo, ingênua e otimista que tento ser, prefiro continuar acreditando que o juiz (da Eslovênia, mesmo país natal da primeira-dama americana Melania Trump!) era apenas fraco, e não ladrão.
Pancadaria
Sem conseguir jogar e tomando mais dois gols na prorrogação (um válido, outro anulado por um impedimento de ombro que, na minha opinião de quem não sabe de nada, foi mesmo impedimento), a Argentina perdeu no campo e, em seguida, também fora dele. Não bastasse o excesso de violência de alguns de seus jogadores durante os 90 minutos e a prorrogação, que levou à expulsão de Enzo Fernández, o tempo fechou logo após o apito final.
A pancadaria foi comandada pelo também argentino Leandro Paredes – outro que deveria ter sido expulso ainda durante o jogo, e não depois, como acabou acontecendo. Fora as confusões arranjadas por torcedores mundo afora, mas nada muito fora do normal aí, apesar de isso sempre ser um espetáculo deplorável.
Maus perdedores
A gota d’água mesmo foi os jogadores argentinos darem as costas à seleção espanhola durante a cerimônia de entrega da taça. Algo que, pelo bem do espírito esportivo, eles não deveriam ter feito mesmo que a Espanha tivesse levado o título com a ajuda da arbitragem ou coisa que o valha – e isso, definitivamente, não aconteceu. A Espanha venceu porque foi, de longe, o melhor time em campo. Mas o comportamento argentino, de tão humano (no mau sentido), me fez pensar.
Diante da pressão e da derrota, eles desmoronaram. Percebendo que não conseguiriam vencer, distribuíram pancada. Considerando-se injustiçados, deram as costas ao rival durante a comemoração do título. Na vitória, foram de um jeito. Na derrota, foram de outro. Algo imensamente humano. Não quero justificar o que eles fizeram. Foi muito errado, ponto. Mas fica a pergunta, para mim e para você: na vida, sabemos perder? Ou somos todos argentinos?




