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Faço parte daquela multidão de mulheres que só lembram que futebol existe a cada quatro anos, durante a Copa do Mundo. E torço pelo Brasil, claro, mesmo tendo poucas esperanças de vitória nestes tempos em que a camisa canarinho é vestida por ilustres desconhecidos que se embolam no campo jogando um péssimo futebol. A gente se ilude, sabe como é. E vou até um pouco mais longe. Além de torcer pelo Brasil, vejo ou ouço todos os jogos que consigo encaixar na agenda e até arrisco discutir com meu marido se houve impedimento mesmo ou se, num outro lance qualquer, o juiz deveria ter dado escanteio ou tiro de meta. Ele não me leva a sério, mas tudo bem.
Foi com esse espírito que vi Argentina x Egito nas oitavas de final. Estava torcendo pelo Egito, claro, pois onde já se viu torcer pela Argentina? Mas foi com um misto de assombro e inveja que vi a Argentina virar e ganhar por 3 a 2 um jogo que já seria considerado perdido por qualquer outro time. Sim, há quem diga que a Argentina foi favorecida pela arbitragem, e tendo a concordar. Mas o fato é que não há VAR, juiz ladrão, máfia de bets ou uma FIFA inteira que façam um time jogar com a vontade de ganhar demonstrada pela Argentina. E me juntei ao coro do “depois dessa virada, a Argentina merece ser campeã do mundo”.
(Coisa mais besta)
Não vi Argentina x Suíça nas quartas porque o jogo era muito tarde e trabalho para pagar meus boletos. Mas, mesmo impressionada pela virada sobre o Egito, fui ver a semifinal torcendo pela Inglaterra, com o “onde já se viu torcer pela Argentina?” de novo na ponta da língua. Vi o jogo durante um compromisso profissional, com clientes, e todos se diziam torcedores da Inglaterra, embora tivessem apostado na vitória da Argentina no bolão da firma. No gol da Inglaterra, houve algumas comemorações tímidas, incluindo a minha. Mas confesso que o gol inglês me doeu no peito, enquanto os muitos quase-gols da Argentina me alegraram o coração.
E foi com euforia mal contida que vi a Argentina ganhar da Inglaterra por 2 a 1, em mais uma virada emocionante. À minha volta, o sentimento era o mesmo para a maioria daqueles brasileiros que, somente na fachada, se diziam torcedores da Inglaterra. Estávamos todos felizes pela Argentina. Danem-se a tal rivalidade histórica e as brigas de vizinhos. Danem-se as bobagens que alguns argentinos às vezes dizem sobre nós (e nós sobre eles). Os argentinos que conheço são gente da melhor qualidade, aliás. Não tenho nada contra a Espanha, mas na final vou torcer abertamente pela Argentina. Não porque o presidente deles é o Milei e o nosso é o Lula (coisa mais besta), mas porque hoje a Argentina é a seleção que de fato encarna o espírito de jamais desistir – algo que nós, aqui no Brasil, deixamos cair em algum lugar do caminho.
Por isso, neste momento só tenho uma coisa a dizer: VAI, ARGENTINA!!!

Paulo Polzonoff Jr. é jornalista e escritor, não necessariamente nessa ordem. Já foi também tradutor, mas agora não tem tempo. Na Gazeta do Povo, escreve sobre política, cultura, filosofia e assuntos da atualidade. **Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.



