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Escândalo

Caetano fez o L. De novo. E daí?!

ARTISTAS LULA
Caetano Veloso faz o L: não é a primeira vez. Mas talvez seja a última. (Foto: Reprodução/ Twitter)

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Primeiro foi Caetano Veloso que apareceu fazendo o L. Vi aquilo e pensei: “Xi, lá vai o pessoal da direita se escandalizar”. Não deu outra. Depois foi a vez da irmã dele, Maria Bethânia. Vi aquilo e pensei: “Três, dois, um pra alguém falar em Lei Rouanet”. Dito e feito. Em seguida veio o vídeo: um monte de artista dizendo “Bora, Lula!” Estava lá o onipresente Gilberto Gil. Paulinho da Viola também. Até a Malu Mader e o marido dela, quem quer que seja.

Toda eleição é a mesma coisa. Artistas de maior e menor calibre, todos assumidamente de esquerda, com uma história de militância na esquerda, demonstram apoio a candidatos de esquerda. E às vezes até de extrema-esquerda. Que seja. E a direita sobe nas tamancas, como se Chico Buarque fazendo o L fosse novidade. Ou traição. Uma afronta! Como se fosse revoltante um artista que passou décadas lutando por ideias associadas à esquerda, e cuja carreira depende dessa imagem de falsa resistência aos valores da burguesia, apoiar um candidato que ecoa ideias... de esquerda. Digo, pode até ser revoltante (está mais para ridículo), mas o que você esperava? Seja sincero.

Boquinha

Mas é que tem gente que gosta de passar raiva. Só pode ser. Uma espécie de masoquismo político. É isso. Ou vai ver esse povo (talvez você) que ainda se escandaliza com o L de Caê, Bethânia & Cia. não entendeu uma coisa meio básica: o escândalo, seja ele moral, estético ou político, sempre foi uma das matérias-primas da arte. Pelo menos foi assim ao longo de todo o século XX, quando a tal da indústria cultural se consolidou como fonte de riqueza e amparo do poder. E o mais importante no contexto atual: seja fazendo o L no meio de um show ou aparecendo por alguns segundos em vídeo, a opinião dos artistas não tem a menor importância.

Não tem a menor importância. Não tem. Em itálico e negrito: não tem a menor importância. Agora em caixa alta: NÃO TEM A MENOR IMPORTÂNCIA. Absolutamente ninguém que esteja indeciso vai votar em Lula porque viu a Sophie Charlotte, a Betty Gofman ou a Zezé Polessa fazendo o L ou gritando “Bora, Lula”. Ninguém. Opinião de artista não vira voto. Não faz nem cosquinha. Serve no máximo para irritar ainda mais quem já está irritado e para escancarar a escravidão ideológica dessas pessoas, algumas jovens e outras que passaram dos 80tinha sem aprender nada. E, se aprenderam, não podem falar. Do contrário, perdem o fio da meada de toda uma obra. Sem falar na boquinha.

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