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Two roads diverged in a wood, and I—
I took the one less traveled by,
And that has made all the difference.
— Robert Frost, The road not taken
Robert Frost tem um poeminha muito popular em inglês, chamado “The road not taken”. Algo como “o caminho não trilhado”. Dizem que é uma ode à ousadia de abrir picadas por territórios selvagens. Bobagem. O poema é pura angústia. Leio e logo me vejo nas muitas bifurcações que a vida me impôs. Algumas vezes optei pelo caminho mais fácil e animado, mesmo que margeado por arbustos cheios de espinhos; outras vezes preferi um caminho mais solitário e pedregoso. Igualmente margeado por espinhos desse tamanhão, ó. Cheguei até aqui. Não sem uns arranhões, mas cheguei. Palmas para mim.
No poema, obviamente o caminho é uma metáfora. Na vida, nem sempre. Às vezes o caminho é muito concreto, digo. Agora mesmo, por exemplo, me vejo naquele caminho estreito que ladeava o Madalena Sofia. É quase meio-dia. Estou de mãos dadas com a namoradinha e sou o menino mais feliz do Universo. Mas falta o beijo para consolidar o amor que acreditamos ser eterno. Vamos crescer, casar, formar uma família. Tão fácil. A felicidade ali, ao alcance de um gesto que não tem nem idade para ser luxúria. O caminho chega ao fim. Sem beijo nem futuro.
Ao menos se
Isso aconteceu há 36 anos. Ainda me dói. Às vezes me pergunto o que teria sido de mim. E se? E se? E se? Fantasio-me de outro. Uma versão diferente de mim mesmo. Talvez um homem mais feliz e confiante. Que olhasse para trás com um sorriso de realização. Ou talvez um homem igualmente melancólico e dado a umas reflexões inúteis nas páginas desta Gazeta do Povo – mas ao menos sem essa dúvida que há décadas trago na coleira, faço carinho, dou de comer e tudo: o que teria sido de mim se aquele beijinho inocente tivesse se concretizado? E o que teria sido dela?
Quase cursei Direito em vez de Jornalismo. Troquei a inscrição no vestibular por uma cervejinha. Depois quase fui camelô em Florença, mas o conforto pequeno-burguês falou mais alto. Fui embora para o Rio de Janeiro, mas poderia ter ficado em Curitiba. Fiz e ainda faço mil escolhas por dia. Aqui é melhor ponto ou vírgula? Ou ponto-e-vírgula? Trilho caminhos diferentes, que escolho meio que instintivamente. Uns por comodismo; outros por ousadia. Aqui me sinto guiado pelo Anjo da Guarda; ali me sinto sozinho. Me pesa não poder saber o que teria sido de mim. Ao menos se.

Paulo Polzonoff Jr. é jornalista e escritor, não necessariamente nessa ordem. Já foi também tradutor, mas agora não tem tempo. Na Gazeta do Povo, escreve sobre política, cultura, filosofia e assuntos da atualidade. **Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.



