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Chove em Curitiba. Chove muito. E em dias de chuva é aquela coisa: por melhor que seja o guarda-chuva, não tem como não se molhar. O tênis fica encharcado. A barra da calça também. Se a chuva vem de lado, te molha. Sem falar no banho de perdigotos que você invariavelmente recebe daquele chato que que que (ainda por cima é gago!) chega perto, muito perto, perto demais para falar que “de-de-desse jeito, a gente va-va-vai virar sapo”. Não vai.
Em dias assim, andar na rua também fica um pouco mais complicado. As pessoas caminham devagar. Os guarda-chuvas e sombrinhas batem uns nos outros. Em Curitiba, anda-se olhando para baixo, escolhendo com cuidado onde se põe o pé para não correr o risco de pisar numa “mina”. As minas são pedras soltas no calçamento que, uma vez ativadas, espalhando água e lama por todos os lados. Um perigo!
Barquinhos de papel
Sem falar que dias de chuva estão associados à melancolia. Aquela cena manjada do personagem na janela e as gotinhas escorrendo como se fossem lágrimas. Se calhar, toca até um U2 ao fundo. E, sim. Estou pensando na famosa cena de “Friends”. Mas iguais a ela tem muitas outras. E até entendo que o céu plúmbeo (olha só que chique!) nos deixe um tiquinho angustiados. Nuvens baixas dão claustrofobia. Mas a água contra o asfalto tem sua beleza, vai. O barulhinho...
Gosto de chuva. Sou, me ensina o dicionário aqui ao lado, um pluviófilo. Gosto de chuva fina e de chuva grossa. De garoa e de tempestade, desta mais do que daquela. Se houver trovões, tanto melhor. Gosto do estrondo. Me sinto vivo! E vento. É bom assistir à disputa entre os ventos e as árvores. Gosto sobretudo de enxurradas. Dos rios que se formam nas sarjetas. Me dá vontade de lembrar como se faz barquinhos de papel e botá-los para apostar corrida até o bueiro mais próximo.

Paulo Polzonoff Jr. é jornalista e escritor, não necessariamente nessa ordem. Já foi também tradutor, mas agora não tem tempo. Na Gazeta do Povo, escreve sobre política, cultura, filosofia e assuntos da atualidade. **Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.



