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Taí uma dúvida que trago comigo desde a infância. Não é a única, claro. Mas a maioria delas foi ficando pelo caminho, abatidas por fatos históricos, explicações científicas e, como último e desesperado recurso, argumentos filosóficos. Lembro-me com carinho de dúvidas que marcaram época e consumiram preciosos neurônios. Entre elas, “Como um Aviãozão Pesado Desses Consegue Voar?”, “Como o Vagalume Acende a Bundinha?” e “Como Assim Sócrates Nunca Comeu Pizza?!”.
Esta dúvida a que me refiro na crônica de hoje, contudo, permanece dúvida. Para sempre enclausurada entre aspas e guardada por um ponto de interrogação. Puríssima em sua ignorância. Isto é, desde que a formulei pela primeira vez, há sabe-se lá quantos anos. Me refiro às nuvens. Aqueles gigantes de água que não são tão gigantes assim quando você pensa que 1m³ de nuvem contém 0,1 a 3 ml de água. Um nada imenso, pesado e frio que, quando desaba sobre nossas cabeças, inunda as ruas, enche os rios e molha todo mundo que saiu de casa desprevenido.
Não me venha com explicação
Como as nuvens flutuam no ar? E não me venha com aquele papo de correntes ascendentes, porque não cola. Não faz sentido. Para começar, se a água evapora a 100 graus, como me ensinou a professora Tânia, como ela evapora fazendo no máximo 40 graus lá fora. Mas digamos que evapore. Sei. Lá no alto é frio. O piloto disse -40°C e -60°C do lado de fora do avião. Então como o “vapor d’água” continua vapor d’água a essa temperatura? E se não é mais vapor e sim gelo, e se o gelo é mais pesado do que o ar, e se o que é mais pesado do que o ar tende a cair... Alguém explica?
Não! Não! Não! Não precisa explicar, não. Mesmo que você tenha os números e as fórmulas, não quero saber. Porque gosto de me imaginar velhinho, sentado numa cadeira de balanço, cercado por solidões e memórias, olhando para o céu e para as nuvens que mudam lentamente de forma e se elevam como imensas montanhas brancas contra o céu invernal. E me perguntando sem nenhuma esperança de um dia entender: como as nuvens imensas, carregadas, frias e pesadas flutuam no ar?
Atenção!
Observação: trovão não é o barulho que uma nuvem faz quando bate na outra, como aprendi na pesquisa que fiz para escrever esta crônica. Isso eu já sabia, mas achei que você gostaria de saber também.








