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Polzonoff

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Transformando em crônica heroica o noticiário de cada dia.

Vai que é tua, Fraquim!

O rascunho do Código de Conduta e Ética do STF

CÓDIGO CONDUTA ÉTICA STF FACHIN
Fraquim: imagina o código de conduta e ética do STF que vai sair dessa mente privilegiada. (Foto: Rosinei Coutinho/STF)

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Não pode mastigar de boca aberta. Mas se quiser pode.

Não pode cutucar o nariz durante as sessões no plenário. Mas se quiser pode.

Não pode citar Clarice Lispector, Machado de Assis, Guimarães Rosa nem Paulo Coelho nas decisões. Mas se bater aquela vontadezinha gostosa de afetar, digamos, cultura pode.

Não pode usar CAIXA ALTA  e !!!!!!! nas decisões. Mas SE QUISER PODE!!!!!!!!!!!!!!

É obrigado o uso de pelo menos três neurônios ao proferir uma decisão. Mas se o ministro não estiver num bom dia, não precisa. (Assessor serve para isso).

Não pode falar fora dos autos, a não ser quando se queira muito.

Não pode usar a criatividade para perseguir adversários. Mas, se quiser, manda ver!

Não pode usar avião da FAB para fins pessoais. Brincadeirinha. Se quiser, pode, sim.

Não pode censurar. Mas se quiser pode. [Esse era óbvio, mas não podia faltar].

Não pode usar Rolex com calculadora. Mas se quiser usar um Patek Philippe, tenho um amigo, ex-dono de banco liquidado, que está vendendo.

Não pode terminar texto com pergunta. Mas e se eu quiser, pode?

Não pode participar do Amigo Secreto do Fantástico. Do Amigo Oculto pode.

Não pode tocar/cantar Legião Urbana e muito menos “Evidências” nas festas do STF. Mas depois de cinco doses de uísque pode.

Não pode julgar casos que envolvam parentes, sobretudo a mulher e a sogra. Mas se elas fizerem biquinho e baterem o pezinho pode.

Não pode ir ao Gilmarpalooza. Mas pode ir a qualquer evento, jurídico ou não, organizado pelo Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP). De preferência usando jatinho da FAB e de preferência em Lisboa ou Nova York (para quem ainda tem visto de entrada nos Estados Unidos).

Não pode ir a jogo de futebol na companhia de investigados ou advogados com processos no STF, né? Pelamor! Pelo menos disfarça, cara.

Não pode entrar em favela (comunidade, em STFês) sem pelo menos fingir todo um esquema de segurança. Ou seja, não pode dar pinta. Mas se quiser, é aquela coisa.

Não pode usar as próprias decisões para ganhar um troco a mais no Polymarket. E aqui eu acrescentaria que não pode jogar no Tigrinho nem fazer propaganda de bet. Mas se o cachê compensar, a gente conversa e... dá-se um jeito.

Não pode chamar o coleguinha de careca, gordo, quatro-olho, zé-orêia ou fraquim, muito menos de “uma pessoa horrível, uma mistura de mal com atraso”. Não antes de pedir vênias, pelo menos.

Não pode usar mesóclise nem “estadunidense”. Vírgulas separando sujeito de predicado, expressões como “pra mim fazê” (mesmo quando ditas nos corredores) e a supressão intencional dos plural estarão sujeitas à multa (crase errada também). Mas podem ficar tranquilos. É baratinho.

Importante para certos ministros mais emocionalmente instáveis: não pode mostrar o dedo do meio para os cidadãos. Os demais dedos estão permitidos.

Não pode roubar o lanche do coleguinha. A não ser que esteja com muita fome. Ou que o Ozempic não tenha feito efeito ainda.

Não pode usar o STF para se vingar de desafetos, a não ser que eles sejam de centro, centro-direita, direita, extrema direita ou ultradireita.

Não pode dizer que a este Código de Ética do STF, ainda em fase de elaboração, faltou isso e aquilo. Mas, se quiser, fique à vontade para usar a caixa de comentários.

Não pode mandar prender cronista. Mas se quiser... não, não pode! De jeito nenhum! Me larga! Quero um advogado! Os vizinhos, o que é que eles vão pensar de mim...? Não, algema não! Socorro, doutor Rodrigo!!!!!

* Escrito com a indispensável ajuda do excelso ministro Dias Toffoli.

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