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Polzonoff

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Caminhando e cantando

O que a Coluna Prestes revela sobre a caminhada de Nikolas Ferreira

NIKOLAS FERREIRA COLUNA PRESTES
A "Coluna Prestes" de Nikolas Ferreira: 240 km entre Paracatu (MG) e Brasília. (Foto: Redes sociais de Nikolas Ferreira, com tratamento de IA)

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O deputado Nikolas Ferreira anunciou o início de uma caminhada de 240km, entre Paracatu (MG) e Brasília. A ele se juntaram outras lideranças de direita. Gustavo Gayer e Carlos Bolsonaro, por exemplo. Na hora torci o nariz e, na pressa, confesso que cheguei até a escrever uma crônica rindo da iniciativa. É que ando cansado de atos simbólicos sem consequência no mundo real. Desculpe.

Minha base de comparação era a Coluna Prestes, que durou dois anos e meio, reuniu mais de 1,5 mil homens e percorreu 25 mil quilômetros, passando por 13 estados. Sempre sob perseguição do governo Artur Bernardes. Mais do que uma caminhada simbólica, a Coluna Prestes teve algo de heroico e ao menos uma consequência digna de citação aqui: ela revelou aos comunistas urbanos e intelectualizados a realidade do Brasil profundo, um Brasil para o qual os manuais marxistas importados da Europa não ofereciam solução.

Pé na lama

Sem querer menosprezar a iniciativa de Nikolas Ferreira, e desde já pedindo desculpas por dar vazão ao meu lado mais cínico, que está aqui me atazanando para dizer que a caminhada não passa de mais um case de marketing político para manter acesa a chama da indignação estéril, ouso dizer que o Brasil bem que precisava de uma Coluna Prestes de direita.

Se caminhar não muda o mundo, ao menos muda quem caminha. Dizem.

Isto é, uma Coluna Prestes que podia muito bem ser Coluna Nikolas e que percorresse, por exemplo, o interior do nordeste, a fim de entender a realidade das pessoas que estão há 20 anos ouvindo a promessa de que o PT vai tirá-las da miséria. Que visitasse índios, quilombolas, garimpeiros e sem-terra. Uma Coluna que pusesse o pé na lama, na lama mesmo, para entender as limitações da agenda econômica liberal ou a bizarrice que é perder tempo discutindo se a gente pode ou não usar “ele” para se referir a deputado com gogó.

Dá uma chance pro garoto

Enfim, e só porque sou um maluco dado a surtos de idealismo, imagino um grupo disposto a se sacrificar, dormindo ao relento, comendo carne de calango, criando bolhas nos pés e vivendo da caridade dos mais necessitados, se for preciso, para testemunhar e enfrentar problemas que só conhecem na teoria, com base em estatísticas, narrativas propagandísticas e relatórios de assessores.

A caminhada de Nikolas Ferreira, contudo, não se pretende a nada disso. É simbólica. Contra isso, aquilo e qualquer coisa. Talvez a inspiração seja a Marcha de Selma a Montgomery, liderada por Martin Luther King Jr. Ou a Marcha do Sal, liderada por Gandhi. Não sei. Só espero que não seja apenas um case de marketing político ou, deusolivre!, uma peça publicitária da campanha de Nikolas ao Senado. Mas acho que não. Não pode ser. Não é. Sai pra lá, diabinho cínico! Dá uma chance pro garoto.

Afinal, se caminhar não muda o mundo, ao menos muda quem caminha. Dizem. No que atesto e dou fé.

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