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Por que ainda estamos falando do Lula?

LULA
Lula ocupa um espaço desproporcional na nossa vida interior. (Foto: Paulo Pinto/Agencia Brasil)

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Este é mais um texto sobre o Lula. Mais um. Ele começa dizendo que o presidente mentiu no Jornal Nacional. O que você já sabe e uma afirmação da qual você, na remotíssima probabilidade de você ser um lulista leitor deste espaço, discorda. Mentiu ao dizer que não conhecia a pilantra (palavras do Lula) Roberta Luchsinger. E depois ou antes, não lembro, foi machista, misógino, condescendente e passivo-agressivo com a jornalista. Este é mais um texto que vai usar imagens gastas para dizer o óbvio: mais do que um câncer, Lula é um reflexo incômodo de tudo o que o brasileiro tem de pior. Sempre teve. Mas escondia, se envergonhava, confessava, pedia perdão e, com sorte, se emendava.

Me lembro de quando Lula estava preso. Bons tempos. Ainda se falava nele, claro, mas bem menos. Só os fanáticos. A gente tratava com o devido de deboche as pessoas que acampavam em frente à sede da Polícia Federal. Eu mesmo fui lá escrever uma matéria – e ri muito. Durante alguns meses, acreditei que o Brasil seguiria com a vida depois de ter se livrado desse Vadinho sem charme. E que a história daria a Lula o tratamento que ele merecia e ainda merece: o de um escroque. Taí. Gosto da palavra: escroque. Um entre tantos. Mas estava enganado. Estávamos e o resultado disso é este: olha eu aqui de novo falando do Lula.

Queria que fosse o último

Ao meu redor, todos falam do Lula. Os olhinhos dos apoiadores brilham, mas tenho percebido ultimamente que é um brilho triste, com um quê de desafio, sabe? Aquela coisa de ser do contra, de remar contra a maré, de ignorar os fatos, de fechar os olhos para as evidências. E de se render ao que não passa de cinismo desesperado. Já os detratores me fascinam pelo estoque inesgotável de indignação e pelo ar de surpresa a cada bobagem dita ou feita pelo Lula. Como se ele mentir fosse uma grande novidade. Aquela pedra de gelo lá no meio de “Cem Anos de Solidão”.

E tudo isso para quê? Lula que parece ter nos enfeitiçado a todos, tanto admiradores quanto detratores, que se digladiam e se precisam. Lula que sequestrou nosso espírito e que hoje ocupa um espaço desproporcional em nossa vida interior. E tudo isso para quê? – repito e só não trespito porque ninguém vai internalizar a pergunta e buscar, no seu íntimo, uma resposta satisfatória, que vá além dos clichês e que ecoe na eternidade. E assim termino este que é mais um texto sobre Lula. Mais um. OLula que tanto mal faz ao país e não me refiro aqui apenas à economia ou à corrupção. Me refiro àquela coisa que chamávamos de alma brasileira. Queria que fosse o último. Não será.

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