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Polzonoff

Polzonoff

Transformando em crônica heroica o noticiário de cada dia.

E = mc²

Qual a chance de esta crônica fazer diferença na sua vida?

DIFERENÇA NA VIDA
A chance é pequena. Mas é o que dá sentido a este trabalho. (Foto: Grok)

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O Gilberto me abordou no Dante. Pôs a mão no meu ombro, se certificou de que eu era mesmo eu e suspirou demoradamente. Achei que fosse me dar um soco, mas não. Ele me disse que uma crônica de minha autoria, publicada com exclusividade por esta Gazeta do Povo, tinha mudado a forma de ele pensar em certo assunto. E é uma pena que eu não me lembre do título nem do tema da crônica. Mas é que, quando o Gilberto me abordou, estávamos pagando a conta. Aí já viu.

O carinho do leitor (ou feedback, como preferem os jovens de coletinho farialimer) me levou a, ainda sob efeito de uma ou duas garrafas de Serra Malte, perguntar a uma IA se havia um forma de calcular o impacto destas bobagens que escrevo com tanto cuidado, esmero e consideração pelo leitor. Queria uma equação que chegasse a um valor aproximado. Um e = mc² da minha vocação. A uma porcentagem que eu pudesse tatuar no cóccix. A IA riu da minha pergunta. Pelo menos acho que riu. Mas insisti e ela me deu uma fórmula com variáveis objetivas e subjetivas.

Graça

(Aqui o papo fica sério). As variáveis objetivas têm a ver com a quantidade de assinantes da Gazeta do Povo, com a audiência do texto e com a quantidade de leitores que o leem até o final – e atentamente. As subjetivas, porém, são mais interessantes, e têm a ver com a ressonância, isto é, quando o texto toca em algo no íntimo do leitor (não é nada disso que você tá pensando!); e o timing, que nada mais é do que o texto que alcançou o leitor na hora certa. Agora, talvez?

Por fim, há a variável-mor: a Graça. A Providência. A Sincronicidade. A “Sei Lá O Que Aconteceu, Só Sei Que Aconteceu”. É o milagre que não quer humilhar, mas humilha qualquer planilha. Qualquer estatística. Qualquer métrica. É a dádiva da literatura cotidiana que tenho o privilégio de poder praticar neste espaço. Não por acaso, é o que dá sentido a este trabalho. Trabalho arriscado. De provocar, refletir, confessar, contar e fazer rir quem às vezes passou o dia cercado por carrancas ou distraído com a própria sisudez. Mas vale a pena.

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