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Depois de alguns dias de silêncio, o senador Flávio Bolsonaro aproveitou o clima de festa no ninho conservador do CPAC para explicar por que votou favoravelmente ao PL da Misoginia. “Essa é uma grande armadilha do PT para mim”, disse ele. E até aí tudo bem. Mas logo em seguida o presidenciável deu uma de galo, ergueu a crista e perguntou: “Qual a dificuldade de entender isso?”
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Nenhuma, senador. Aliás, a possibilidade de a votação ter sido mesmo uma armadilha do PT sempre foi aventada por aí. Eles manjam dessa coisa de narrativa e tal. A dificuldade mesmo está em entender como, diante desta que foi apenas uma entre tantas armadilhas que o PT ainda armará, tende a agir o futuro presidente do Brasil. Vai ceder à pressão, vai fazer intrincados cálculos políticos ou vai agir de acordo com princípios?
Qual a dificuldade de entender?
Em sua resposta à cobrança quanto ao voto favorável no PL da Misoginia, Flávio Bolsonaro disse ainda que “no Senado não havia ambiente para fazer alteração nela [na lei]”. E jogou a bola para a Câmara dos Deputados, afirmando ter certeza de que Nikolas Ferreira & Cia. conseguirão derrubar o PL da Misoginia. Taí. Gosto do otimismo. Mas é uma aposta. E o que acontece se por acaso os deputados não conseguirem barrar a lei?
Nesse caso, um Flávio Bolsonaro omisso terá contribuído, sim, para a criação de mais uma legislação que limita a livre circulação de ideias e que, reduzida ao absurdo, inviabilizará as relações entre homens e mulheres. Será que era tão difícil se posicionar de forma clara contra uma lei que, nas palavras do próprio senador, em nada protegerá as mulheres? O Brasil está cansado de hesitações, omissões, acordos e apostas. Qual a dificuldade de entender isso, Flávio?
E agora?
Bom, o fato é que Flávio Bolsonaro escorregou nessa casca de banana jogada pelo PT. Não há muito o que fazer a esse respeito. A não ser espernear. Eu, particularmente, queria que ele e os demais senadores de oposição tivessem adotado uma postura de enfrentamento sereno, do tipo “sou contra por isso e por aquilo e se perder o voto de alguma mulher, paciência”. Mas esse sou eu, que cultivo uma ingenuidade intencional e não sou político.
Parece também que Flávio Bolsonaro será a única alternativa viável à esquerda em 2026. É o que se deduz de pesquisas recentes. Tampouco há o que se fazer a esse respeito. A não ser refletir e, depois, cobrar. É, refletir, cada um com seus botões, no tipo de liderança que Flávio Bolsonaro exercerá se for eleito. Nem que seja para ajustar expectativas e evitar frustrações. E cobrar dele posturas outras que não essa de quem lava as mãos com medo do efeito eleitoral de suas decisões.
Mas aí talvez já seja pedir demais.
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