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...porcaria. Todo mundo sabe que os últimos quatro anos foram uma lástima. Até a esquerda sabe e, aos sussurros, reconhece. A Janja sabe. Os ministros idem. A imprensa, mesmo aqueles colegas que ganham para elogiar. Eles sabem. E não duvido nada que o próprio Lula, ao botar a cabeça no travesseiro, avalie negativamente o governo que lidera. Seja qual for o critério, todo mundo sabe que o governo Lula é um fracasso de crítica e público.
Calma que o texto já vai ter uma virada. Antes, porém, preciso me alongar um pouco mais nessa constatação óbvia que me deixou estupefato. É que, sinceramente, não costumo parar para pensar no Lula ou no governo Lula. Mas agora parei um instantinho e estou impressionado. Nos últimos anos, não houve nenhuma ideia capaz de fazer cócegas nos problemas estruturais da nação. Foram quatro anos jogados no lixo. Enxugando gelo. Na melhor das hipóteses, patinando. Repetindo a ladainha vazia e hipócrita da democracia, da soberania e do amor. Que coisa.
A virada
De modo que não faz muito sentido vir aqui e falar o que todo mundo sabe: que o governo Lula é uma porcaria. E é agora que o bicho pega, porque... Como é possível que, diante de um governo tão ruim, sob uma liderança tão ruim, a gente não consiga ter pensado em alternativas que estejam acima de quaisquer dúvidas? Um nome que fosse óbvio e inquestionável. Não perfeito, longe disso; mas digno do voto que não é só um voto. Alguém em quem a gente bata o olho e saiba e nem precise articular: aí está uma pessoa na qual vale a pena acreditar. Acreditar mesmo.
Se estou dizendo com isso que Flávio Bolsonaro é igual ou pior do que o Lula? Não. É melhor. Mas não acima de quaisquer dúvidas e a maior prova disso é a agressividade dos defensores dele. Zema? Caiado? Cada qual com seus defeitos, também eles são melhores do que o Lula e, no entanto, não empolgam. Não transmitem aquela certeza de que vale tudo para convencer o vizinho. Eis, pois, o resumo do nosso fracasso: por pior que seja Lula, e ele é, não há ninguém neste país que seja admirado como um verdadeiro líder. Alguém capaz de mudar o país para melhor. Nem que seja um tiquinho. Uau.

Paulo Polzonoff Jr. é jornalista e escritor, não necessariamente nessa ordem. Já foi também tradutor, mas agora não tem tempo. Na Gazeta do Povo, escreve sobre política, cultura, filosofia e assuntos da atualidade. **Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.



