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“O que vem aí, tudo indica, é a destruição total do Brasil. Salve-se quem puder”. Assim termina o texto que meu amigo Luís Ernesto Lacombe, fazendo jus a seu nome do meio, publicou nesta Gazeta do Povo. Essa é a conclusão fatídica a que ele chegou depois de desfiar um rosário de sinais inequívocos da ruína que nos aguarda ali, já na próxima esquina. Sinais da tragédia econômica, política, social e moral que a vitória de Lula no último dia 25 de outubro representou. Pô, Lacombe. Você tem razão, não estou refutando nada. Mas pega leve, cara. A gente ainda está tentando se recuperar do baque aqui.
Não é fácil. Tem dias bons e outros ruins. Estes mais do que aqueles. Em alguns momentos me bate até certo medinho que, ops, pisquei e virou medão. É quando olho para a Catota como se ela fosse uma proteína, e não esta gatinha linda que ronrona no meu colo. No geral, porém, o que noto em mim e em muitos dos que me rodeiam é uma mistura de resignação e melancolia. Afinal, o que a gente pode fazer além de criticar, fiscalizar e denunciar Lula e sua corja? Tá, a gente pode rezar e rezo. Mas assim, de concreto, algo que a gente possa fazer para mudar essa situação hoje, agora, já, neste momento? Não há.
Como temperar carne de gato
Cansa. Cansa muito. Eu tô exausto – o que não chega a ser uma novidade, mas é outro tipo de exaustão. Tenho tentado transmitir alguma esperança, ainda que residual. É raro, bem raro, mas às vezes rola até um otimismozinho, sabia? Se bem que aí minha mulher chega e começa a fantasiar cenários trágicos e eu tenho que dizer “Amor, amorzinho, eu te amo, jamais se esqueça disso. Te entendo e compreendo seus temores. Estou ao seu lado para o que der e vier. Mas, POR FAVOR!, pare de pesquisar ‘como temperar carne de gato’ e ‘o que fazer depois que seu marido for fuzilado por um regime ditatorial’ no Google”! Repito: não é fácil.
Por isso fica aqui o meu apelo: alguém dê um abraço no Lacombe, plmdds! Alguém diz para ele que não, que o Brasil não ruma para a destruição total. Parcial, sim, mas não total. Alguém diz para ele que as coisas vão piorar, tendem mesmo a piorar. A gente sabe disso. Mas... Ah, sei lá! Alguém, por favor, inventa algo para pôr no lugar dessas reticências. Mas a vida ainda é bela e talvez esta seja uma boa hora para rever o filme do Benigni. Mas o sol continua nascendo. Mas temos pessoas que nos amam e, por enquanto, o pão nosso de cada dia não nos falta. Por enquanto. Mas, aconteça o que acontecer, enfrentaremos. Ou então: mas o Brasil sempre foi assim. Qual a novidade? Além disso, promete ser divertido o banquete das consequências. Quem viver, digo, quem sobreviver... verá.

Paulo Polzonoff Jr. é jornalista e escritor, não necessariamente nessa ordem. Já foi também tradutor, mas agora não tem tempo. Na Gazeta do Povo, escreve sobre política, cultura, filosofia e assuntos da atualidade. **Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.



