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Escrevo este texto de adianto, como se diz no jargão jornalístico. Ainda falta uma semana para o segundo turno da eleição presidencial. E me dói imaginar que Lula possa vencer para exercer um quarto e ainda-mais-desastroso mandato. Mas é o que me resta fazer hoje: imaginar. Por dever de ofício. Transformar em crônica heroica o noticiário de cada dia. Por mais trágico que ele nos pareça. E me parece. Pois então. E agora, como ficamos? Ainda mais depois da decisão, digamos, questionável do Zanin*? O que fazemos com esses cacos, esses frangalhos de esperança espalhados pelo chão?
Não tenho respostas para essas perguntas. Talvez eu as tenha até o final da crônica. Enquanto isso, registro e informo que Luiz Inácio Lula da Silva venceu Flávio Bolsonaro. É uma virada inédita e que muitos, inclusive eu, consideravam improvável. Mas não quero entrar aqui no papo fácil e paranoico de fraude (apesar da decisão de Zanin**). Prefiro acreditar que Lula apostou na estupidez de parte do eleitorado, que se deixou seduzir por promessas irrealizáveis. Na ignorância. No medo. Na sensação de pertencimento. Na hipocrisia. Na visão de curtíssimo prazo. E, infelizmente, ganhou.
Nem tudo está perdido
E agora você me pergunta: e agora, Paulo?! Agora o resultado será contestado. Isto é, se o STF deixar. Agora os petistas rirão da minha cara. Da nossa. Sorridentes, esfregarão o L na minha fuça triste. Na nossa. Dirão que os fascistas (!) foram derrotados e, naquele tom passivo-agressivo que lhes é característico, talvez até me perguntem: Paulo, como um cara tão inteligente como você...? Meu tio Simeão deve estar feliz. Coitado. Ele que, como outros tantos petistas que conheço, não tem outro motivo que não a política para deixá-lo feliz.
Agora Lula terá de governar com uma Câmara e Senado em teoria hostis. Em teoria. O Senado mais que a Câmara. Talvez isso baste para contê-lo. Quero crer que bastará, mas no fundo não creio. Estou pessimista. Janja continuará viajando e esbanjando. Aliás, será que eu devo continuar com o “Diário da Janja”? Escândalos de corrupção se sucederão sem maiores consequências. A crise econômica, que já era certa, tende a se aprofundar. Mas nem tudo está perdido. Afinal, alguns de nós continuaremos aqui, firmes e fortes em busca da Verdade. Não sem antes lamentar: Lula venceu. E presidirá o Brasil pela quarta vez. Boa sorte para nós. Vamos precisar.
* Essa frase eu incluí no dia da apuração. Não tenho bola de cristal capaz de prever as canalhices supremas.
** Idem.

Paulo Polzonoff Jr. é jornalista e escritor, não necessariamente nessa ordem. Já foi também tradutor, mas agora não tem tempo. Na Gazeta do Povo, escreve sobre política, cultura, filosofia e assuntos da atualidade. **Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.



