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Tenho pena

Neymar foi convocado para a Copa do Mundo. Mas…

NEYMAR COPA DO MUNDO
Este não é um texto sobre Neymar. Nem sobre política. (Foto: EFE/ Andre Coelho)

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Ao meu redor o pessoal discute animadamente a convocação de Neymar para a Copa do Mundo. Rio daquela empolgação. Uns amam e outros odeiam. E preciso de um tempinho para associar o nome ao torneio de futebol. Porque, para mim, Neymar já foi um jogador bom, talvez até ótimo. Não sei se excelente. Antes disso, porém, faz um bom tempo que ele é outra coisa. Neymar é ídolo – no pior sentido da palavra. É símbolo. Para uns poucos, é alerta. E é principalmente exemplo máximo de uma infelicidade que não se reconhece como tal. Mas é infelicidade. Ah, se é.

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Não, você não leu errado. Neymar = infelicidade. Pelo menos para mim. Daqui de onde confortavelmente o observo. Porque, pelas notícias que esporadicamente me chegam, Neymar é o homem, eterno menino por danação e escolha, que tem o mundo a seus pés. E ao mesmo tempo não tem nada. Ele é a realização daquele sonho que as agências de publicidade querem que a gente compre. A vida de Neymar é a realização de uma utopia hedonista. E, no entanto, repito: Neymar não tem nada.

Paro por aqui

Escrevo isso sem qualquer tipo de ranço esportivo. Nem político. E também sem crueldade. Pelo contrário! Este texto é um abraço literário em Neymar. Porque tenho muita pena do ser humano que é, tá na cara!, uma tragédia ambulante. Ele é o homem transformado em produto. Em coisa e até em experiência que se consome. Ah, você vai dizer. Mas ele tem fama e tudo o que o dinheiro pode comprar. Tudo e mais um pouco. De iates a mães diversas para seus filhos. Realmente, Neymar tem tudo isso e ainda a glória dos títulos e dos recordes esportivos. Mas.

Mas gosto de imaginar e imagino Neymar acordando certo dia e, sei lá como, pensando assim nem que seja de soslaio na finitude. Na Eternidade. No sentido da vida. Nessas coisas que pensamos à toa diante de uma cachoeira ou de um infortúnio. Na hipótese de isso acontecer, me pergunto de que adiantarão os milhões e os títulos e as mulheres de Neymar. E paro por aqui. Porque gosto de imaginar, mas não ouso vislumbrar o que pode acontecer com o homem se (quando?) ele se der conta.

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