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Tadinha da OAB. Ela estava lá, dormindinho e até roncandinho em seu terninho de adevogada. Embalada por sonhos democráticos, ela ignorava solenemente os muitos abusos dos ministros do Supremo Tribunal Federal. Sobre Filipe Martins? Zzzzzzzz. Sobre declarações fora dos autos, atuação político-partidária de ministros, convescotes lisboetas, tayayás e contratos milionários, zzzzzzzzzzzzzz, zzzzzzzzzzzzzz, zzzzzzzzzzzzzz. Até que... não deu. Não deu mais para ignorar a barulheira.
Ao impedir Jair Bolsonaro de ter contato com o próprio filho, Flávio, e ao impedir o ex-presidente de se comunicar com o mundo externo, Alexandre de Moraes mais uma vez violentou a Constituição. A Constituição que não aguenta mais pedir, implorar, gritar socorro!, me ajuda! Mas ninguém ouve. E mais esse abuso seria ignorado por uma OAB omissa em seu vergonhoso sono profundo, não fosse um detalhe: a decisão de Moraes fere o Estatuto da Advocacia. Porque, além de filho e pré-candidato, Flávio Bolsonaro é advogado do próprio pai.
Nana neném
“Que saco!”, disse a OAB, se espreguiçando. De si para si, e exalando um putrefato hálito vespertino, ela amaldiçoou Alexandre de Moraes por tê-la tirado do seu soninho totoso. E se pôs a escrever um semicorajoso ofício pedindo ao tirano para pensar melhor. Um ofício que praticamente pede desculpas por contrariar a vontade de Sua Excelência. Uma ofício com o rabinho entre as pernas, mas ainda assim um ofício que é assim quase um milagre. Um ofício que é um tiquinho melhor do que o costumeiro nada.
Se Alexandre de Moraes corre algum risco de ter de atender ao pedido da OAB? Duvido, mas tudo é possível nessa farsa em que vivemos. Talvez o carrasco queira posar de magnânimo. Não seria a primeira vez. De respeitador das leis – coisas que ele definitivamente não é. Nesse caso, o ofício da OAB terá cumprido seu papel de elemento cênico nessa grande mentira que é o nosso Estado Democrático de Direito. Pronto. Agora pode beber seu leitinho, tomar seu rivotrilzinho, botar suas máscara de pusilanimidade e voltar à letargia de sempre. Nana neném.

Paulo Polzonoff Jr. é jornalista e escritor, não necessariamente nessa ordem. Já foi também tradutor, mas agora não tem tempo. Na Gazeta do Povo, escreve sobre política, cultura, filosofia e assuntos da atualidade. **Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.



