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Então eclodiu a tão aguardada crise no STF. O racha. De um lado, Alexandre de Moraes e seu bando torto e aparentemente infalível. Do outro, André Mendonça e seu jeito manso de ser. E imediatamente após os gritos de inacreditável!, inadmissível! e absurdo! minha alma insuportavelmente barroca também se dividiu. O pessimismo cínico brigando com a esperança – que por definição é tola. Divinamente tola. O agora-vai tentando falar mais alto do que o não-vai-dar-em-nada.
Por enquanto está prevalecendo a esperança. Que, ao contrário do que se possa imaginar, não se baseia em mero otimismo. Ao lado dela, a esperança tem a história e a lógica. Afinal, Alexandre de Moraes assumiria a presidência do STF em 2027. Sim, ano que vem. O que é impensável nessa situação. É ilógico! E eu sei, eu sei, eu sei – sai pra lá, Satanás! Eu sei que no Brasil a história não serve muito de referência. Sei também que a lógica tem suas particularidades neste país abençoado por Deus e bonito por natureza. Sei ainda que a opção pelo pessimismo tem essa aura aí de lucidez fleumática. Mas.
O resto acontece
Mas, pelo bem da minha sanidade mental, desta vez decidi manter meu espírito-de-porco trancafiado no chiqueiro, chafurdando no próprio pessimismo. Decidi ignorar os cínicos que me pedem calma. Como se eu não pudesse me empolgar ao ver a Verdade vindo à tona! Decidi dar ouvidos à esperança, tomando o cuidado para não confundi-la com as sereias. A vitória virá. Seguramente virá. Alexandre de Moraes vai cair. Pode até não ser hoje ou nesta semana. Nem na outra. Mas também pode ser que seja antes do que até os mais otimistas imaginam, ué. O que impede? Não sou eu que sempre menciono o poder do Imponderável?
Não peço nem exijo que você faça o mesmo. Compreendo profundamente a sua frustração com tudo o que aconteceu nos últimos anos. Dá mesmo a impressão de que nada tem jeito. Mas é só uma impressão de quem está ferido e não quer se ferir de novo. É difícil, eu sei e, se me descuido um segundo, também caio de bunda na sarjeta do pessimismo. Mas tente. Se esforce. Porque há algo de recompensador em acreditar não na força das instituições democráticas. Não se trata disso. Há algo de recompensador em acreditar no próximo. Basta que um, unzinho de nós, tenha a coragem de fazer o Certo. O resto acontece.

Paulo Polzonoff Jr. é jornalista e escritor, não necessariamente nessa ordem. Já foi também tradutor, mas agora não tem tempo. Na Gazeta do Povo, escreve sobre política, cultura, filosofia e assuntos da atualidade. **Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.



