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De boa com a arte
De boa com a arte| Foto:

Ontem estive em uma clinica para marcar uma nova consulta e a secretária da antessala me fez a seguinte pergunta – Com o quê você trabalha?  Enquanto digitava alguma coisa no teclado. Aquele monitor, na sua frente, onde ela se escondia, ficou bem pequeno no meu ponto de vista. E agora, o que vou responder? Com orgulho eu poderia ter dito – Sou músico! Então pensei. Dou essa resposta? Eu tinha a certeza que iria receber aquele olhar esbugalhado me questionando, quase pulando do rosto, querendo rir da minha situação atual. Tudo bem eu pensei rapidamente! Atualmente, não causa mais tanto espanto assim. Tatuagens não causam mais espanto, cabelo comprido também não, e assim vai! Com receio, contei uma mentira e respondi. – Sou publicitário.

A profissão de artista é muito difícil. Quando perguntam nossa profissão, normalmente temos vergonha de falar que somos artistas. Parece que estamos insultando aquela pequena menina de jaleco que anota em seu formulário. Até parece que lemos seu pensamento. -Eu trabalho e ele… como assim? Isso é profissão?  Tamanho o espanto que percebemos, só falta sair da boca essas outras perguntas. Será que fazem parte do questionário? Preconceitos giram em torno. Até o cara sentado na cadeira ao lado, no cadastro, estica seu ouvido para entender melhor e quase se intromete na conversa.

O que fazer quando precisamos responder a essa pergunta? Ficamos envergonhados. Ok. Nem todos, no entanto, posso afirmar que a maioria fica. Difícil em um País onde temos alguns canais de comunicação que tomam conta do Estado. Opinião pública não existe, e, é manipulada por quem pode mais.

De boa com a arte

De boa com a arte

O artista tem saída? Eu acredito que sim. Acredito e sei que existem alternativas para alavancar uma carreira de artista autoral. Se em nosso País a profissão de artista fosse vista como outra qualquer, isso seria o máximo. Respeito por essa profissão que alegra o mundo. No entanto, só artista que está no “mainstream” que aparece na TV em rede nacional. Mas não é bem por aí. Nunca saberei realmente a reação da menina de jaleco. Caso a reação fosse como eu imaginei, sei que, ela só poderia, neste caso, estar muito desinformada. Para ela só teria uma alternativa. Claro, se quisesse sair do marasmo. Mudar o “meio”. Em outro momento vou falar sobre isso.

Li, nestes dias, uma entrevista com um ator global, e não quero dar nome aos bois, e nela ele comenta: “É difícil manter-se no teatro por mais de três meses, sem patrocínio estamos fora.“ Também coloca que, a peça precisa de apelos para os patrocinadores e, isso é bem difícil. Que infelicidade. O ator coloca: ”- Não sou a favor da Lei de Incentivo, acho que ela só atrapalha.”

No meu entender, alguns empresários pensam no investimento em arte como se fosse investir em um vendedor. Se vou colocar meu dinheiro nesta peça eu quero que ela venda meu produto.  Quase pedindo para o artista vestir uma camiseta da empresa, enquanto faz a apresentação de seu espetáculo. E isso é totalmente fora da casinha.

Voltando ao caso do global. O que resta para ele se a Lei de Incentivo está fora de questão? E ainda volta com algumas cutucadas: “- Vinte mil projetos são mandados todos os anos para a Lei Rouanet só dois mil aprovam? Quem define os critérios? Que critérios são esses? Projetos passam com valores absurdos.” É claro que ele sabe a resposta, e tem muitos, por aqui e por lá que sabem também. Então isso é apenas cinismo, só isso, cinismo!

Realmente, pensando bem, quem pode julgar se aquele trabalho é melhor que o outro? Execução, técnica, produto vendável, arte pela arte, arte para vender, música para vender, música segmentada em estilos, e assim vai, podendo dividir em mais de mil e tantos tipos de músicas, artes e livros.

Então, temos uma crise real rodeando o mundo. Uma crise global. Acredito que seja mais que uma crise na indústria fonográfica. São crises em todos os lugares. Quem quer trabalhar vai sofrer com, espaços culturais ruins, museus com infiltrações, além de: Peças de teatro montadas com pouco dinheiro e sem o retorno do público, orquestras capengando por falta de verba e salários ruins, exposições elaboradas de forma amadora (Não por querer! Por falta de incentivo), e por aí vai. O quadro não é muito favorável para a profissão!? Felizmente penso que existe uma saída para tudo isso. E podemos conversar sobre isso.

Mas, voltando. O que fazer dentro deste consultório onde fizeram a pergunta sobre a sua profissão? Mantenha a postura de quem merece muito respeito. Composições são feitas, muitas vezes, para aquela menina jaleco sentada ali a sua frente. Ela não tem culpa deste preconceito embutido e reacionário. Mal sabe ela que, nunca teria tido sonhos na vida e nem guardaria em sua memória momentos embalados por aquela trilha sonora, que, de repente, poderia até ter sido feita por você. Pense nisso!

Especialistas falam que, é muito mais fácil você associar música com algo que quer recordar para lembrar no futuro. Fazendo isso sua memória nunca falha. Experimente!  Guarde três nomes: Caio, Roberto e Ana Paula. Então, cantarole a música “Brilha, Brilha estrelinha” Agora tente com os nomes que eu pedi para você guardar. Não estou certo? Acho que por um bom período você não vai esquecer estes nomes. Para mim, é o melhor que posso dizer para aumentar sua autoestima. Você é um artista em busca de reconhecimento. E, seguindo um plano você pode conquistar esse seu sonho.

Na segunda pergunta – O artista tem saída? Sim. A saída não é fácil e precisa de persistência, contudo, é preciso também enxergar se você não está exagerando. Bom, essa pergunta eu irei responder logo. Acompanhe a Liga Curitibana sempre, pois estamos envolvidos 100% na música desta cidade e queremos pousar em outros lugares. Então, boa sorte para nós!

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