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Amor versus Religião

Antigamente o casamento entre pessoas com crenças diferentes era proibido e muito mal visto. Com o tempo, a tradição de perpetuar a religião através do casamento foi diminuindo. Nos dias atuais algumas famílias ainda não aceitam muito bem a escolha dos filhos.

Quando a família se opõe ao casamento por questões religiosas, o grande desafio do casal é lidar com o stress. Duas pessoas que se amam e dispostas a uma vida a dois terão que encarar muitos aprendizados e ajustes naturais. Vale lembrar que questões como o happy-hour com os amigos, as despesas da casa, visitas familiares e as questões religiosas devem ser esclarecidas, trabalhadas e discutidas antes do casamento. Caso contrário, as diferenças poderão comprometer a felicidade amorosa.

Como cupido profissional tento não aproximar pessoas com religiões diferentes quando ambos são praticantes. Com o tempo tenho aprendido que definitivamente algumas religiões são incompatíveis. As pessoas deixam claro no questionário quais as suas preferências e, principalmente, as que não se encaixam. O fanatismo religioso é sempre mal visto.

Se apenas um é praticante fica mais fácil: o outro se converte ou cada um fica fiel a sua crença e existe o respeito mutuo. Neste caso, antes do casamento é bom já definir qual será a religião dos filhos. Muitos casais ensinam as duas religiões para, no momento certo, cada um fazer a sua escolha.

Foi o que aconteceu com Ana Maria, católica praticante e Renato evangélico não praticante, casados há 30 anos. Desde o inicio do namoro optaram por respeitar as diferenças religiosas. De comum acordo, decidiram que pelo menos uma vez ao mês um acompanharia o outro. O casamento foi realizado por um pastor e por um padre. Os filhos foram batizados na igreja católica, no entanto, hoje, já adultos, optaram por seguir os ensinamentos da igreja evangélica. Segundo o casal, a religião em momento algum interferiu na estrutura e na paz familiar.

Porém, quando os dois são praticantes, a questão é: quem vai se converter? E se não houver acordo?

Este é o dilema do leitor Luiz Henrique, 34 anos, arquiteto, RJ.

“Estou vivendo um grande dilema em meu relacionamento com minha namorada. Estamos namorando há 10 meses. Somos felizes e apaixonados. Nos damos super bem. Nos amamos muito, mas, um assunto tem sido motivo de muito desentendimento. Sou católico e ela evangélica. Ela sempre deixa claro que só casa se eu me converter. Tenho muita fé em Deus, sigo a Sua palavra, e procuro sempre ser uma pessoa melhor. Penso que o fato de eu ser católico ou evangélico não tornará a minha fé maior ou menor. Respeito muito sua religião, porém, não é este o motivo que fará nosso relacionamento dar certo. Não concordo com o radicalismo, pois o Deus é o mesmo. Estou disposto a casar na igreja evangélica, e inclusive frequentá-la futuramente. Porém, quero que ela não me prive de ir à igreja católica”, desabafa.

Muitos casais, mesmo com religiões diferentes, constroem uma família maravilhosa e são muito felizes. Quando o amor é genuíno, independente de credo religioso, o respeito deve sempre prevalecer. Costumo dizer que o casal que ora unido, tem muito mais chances de permanecer juntos. A verdade é que toda a religião prega o bem, fala do amor e faz referência aos valores morais, a importância de ter uma família estruturada e dos benefícios de se ter fé e Deus no coração.

A tradição e os costumes de cada religião incluem feriados, comidas, simbologias e celebrações específicas. Cabe ao casal orientar os familiares e amigos para que, a falta de conhecimento, não gere constrangimentos.

Um relacionamento saudável e prazeroso deve ser construído com dialogo franco, com respeito e admiração. O radicalismo pode criar obstáculos e minar a relação. Por isso, as diferenças devem sim ser levadas a sério. Quem não está disposto a ceder, a tentar a conciliação, precisa repensar sobre o seu modelo de vida a dois. É perigoso ficar imaginando que o amor supera tudo. O amor com o tempo pode minguar…

E você, caro leitor, acredita que diferenças religiosas podem interferir no relacionamento amoroso?

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