É comum encontrarmos pessoas que perguntam: “Tudo bem com você? E a família, está bem?”
A resposta é sempre: está tudo bem ou tudo certo. Geralmente é nestas ocasiões que fazemos uma pausa para refletir sobre o assunto.
Quantas vezes respondemos tudo bem com um nó na garganta, porque há poucos instantes discutimos com o parceiro ou com o filho.
A crescente competitividade do mundo moderno exige dos profissionais um esforço quase heróico.
Graças a esse corre-corre do dia-a-dia a família tem ficado de lado.
Quando foi que você sentou com um filho para bater um papo ou saiu com o seu cônjuge para namorar?
Há quanto tempo você não diz para um membro da sua família: “eu te amo?” ou “eu gosto de você?” Será que é babaquice como alguns apregoam por aí? Outros dizem que o mais importante é demonstrar. Mas, demonstrar com um brinquedo novo, com um carro zero, ou com uma viagem ao exterior?
As pessoas costumam, muitas vezes, dar mais atenção a conhecidos, colegas e amigos que se dizem carentes e nem percebem que, dentro do próprio lar pode ter alguém deprimido e carente de afeto. Muitos chegam até a adoecer por falta de um carinho ou de uma palavra de conforto.
As carícias verbais são essenciais em qualquer relacionamento. No entanto, percebe-se que a maioria das pessoas foi treinada desde a infância a apenas demonstrar o afeto. Por isso, tanta gente encobre a dificuldade pessoal de verbalizar o que sente e ainda justifica: Ele me conhece, porque vou ficar falando que gosto a todo o instante; só falo eu te amo em ocasiões especiais; se eu ficar dizendo que gosto ela poderá se desinteressar por mim… São essas falsas crenças que tornam os relacionamentos cada vez mais frios e difíceis.
Muitos pais são capazes de fazer uma super festa no aniversário do filho, mas incapazes de dar um abraço carinhoso, um beijo ou dizer: “que bom que você existe”.
Existe um consenso entre os estudiosos de diversas áreas apontando para a crise que avassala a instituição familiar.
Jovens completamente perdidos e desorientados, sem noção clara do certo e do errado, sem responsabilidade, sem diálogo com os pais, bebendo além da conta e, sem o calor familiar diário são alvos fáceis da violência urbana.
Muito se fala e pouco se faz. A sociedade reconhece a situação, a imprensa divulga as cenas exaustivamente e os pais que um dia se uniram pelo casamento com a intenção de educar os filhos parecem alheios a tudo isso, acreditando que isto só acontece na casa ao lado.
Roberto, 52 anos, consultor de empresas e Dalila 49 anos, palestrante sempre batalharam para dar um bom padrão de vida para o filho Lucas.
Desde pequeno foi matriculado nos melhores colégios da cidade. Aos 18 anos já estava cursando engenharia. O presente foi um carro zero. Ao ingressar na faculdade sua vida mudou de forma radical.
Começou a sair com os novos amigos, várias vezes na semana. Passou a beber muito, a responder para os pais, a não dizer com quem iria sair e nem onde seria encontrado. O celular estava sempre desligado. Muitas vezes saía de casa na sexta-feira à noite e só retornava no domingo à noite.
Visivelmente seu comportamento mudara. Os pais não tomaram nenhuma atitude para descobrir o que se passava com o filho. Algumas vezes, chegaram a conversar sobre o assunto. Logo voltavam a falar sobre a próxima palestra ou sobre a viagem de negócios.
Aos poucos os pais se acomodaram e, definitivamente aceitaram o comportamento rebelde de Lucas. Era madrugada do dia 21 de abril quando o telefone tocou na casa da família Ferreira. Lucas voltava da balada com os amigos quando perdeu o controle do carro e bateu num poste. Os dois amigos morreram no local do acidente e Lucas estava hospitalizado entre a vida e a morte. Ficou em estado de coma durante dois meses e acabou falecendo.
Na época Roberto e Dalila não tinham tempo para ajudar o filho. Hoje orientam pais, que se encontram na mesma situação, na igreja que passaram a freqüentar após a tragédia.
Numa época competitiva como a que vivemos, a luta por um lugar no mercado de trabalho tem feito os pais abraçarem o mundo. Trabalham demais para poder oferecer aos filhos uma boa estrutura e um padrão de vida digno. Não é fácil encontrar o ponto de equilíbrio para conciliar a vida profissional, pessoal e familiar. O casal precisa se unir para compartilhar as responsabilidades financeiras, para educar os filhos e suprir as suas necessidades de afeto e de carinho. Nessa correria toda alguém sai perdendo.
Perde o próprio casal e estes com os filhos que tanto desejaram ter.
O estresse da vida moderna tem se transformado em uma verdadeira neurose e até as crianças sofrem com isso. O tempo é todo cronometrado: deitar tarde, acordar cedo, trabalhar, na volta ajudar um nas tarefas escolares, banho, dar atenção para o menor, preparar o jantar e, ambos vão deitar exaustos.
As crianças, por sua vez, têm a agenda lotada: aula de línguas, ballet, judô ou informática. Muitas vezes, os pais esquecem o quanto é importante o investimento de tempo com qualidade. Os pais separados geralmente têm esse tipo de preocupação para compensar a dor da ruptura do vínculo familiar.
Tem gente que usa a “falta de tempo” como desculpa. Os bares, cafés, as lojas do shopping e os salões dos cabeleireiros estão cheios de pais e mães que alegam não ter tempo para estar com os filhos.
Muitos pais são omissos na hora de passar informações sobre orientação sexual e boas maneiras. Eles delegam à escola um dever que lhes compete. Este é o perfil de pai ou mãe que diz o terrível “agora não” quando o filho faz alguma pergunta bem na hora do jornal ou da novela.
A família precisa de atenção especial. Principalmente num momento em que os valores familiares têm sido denegridos da pior forma possível.
O diálogo é essencial para uma convivência saudável e prazerosa. Conversar sobre vitórias e alegrias, derrotas e tristezas, experiências do dia-a-dia, sobre a fé, vida profissional, escolar, sobre o que se passa na nossa sociedade. Este encontro familiar deve ser transformado num momento mágico de paz, alegria, de palavras e mensagens positivas onde o objetivo comum é a troca de afeto e a ajuda mútua.
A felicidade de um pai e de uma mãe está intimamente ligada à felicidade de seus filhos. Um filho feliz sente-se amado, querido e escutado. Na família todos se alegram com o sucesso individual de seus membros e os apóiam em caso de dificuldades ou derrotas.
É na família que os filhos aprenderão os valores e os comportamentos necessários para a vida em sociedade: a solidariedade, a confiança, a generosidade, o respeito, a respeitar as diferenças de gostos de temperamento, de desejos e de necessidades.
Uma família unida e feliz é fruto da consciência de que a felicidade é decorrente de pequenos atos do cotidiano. E, os pais têm uma responsabilidade enorme na condução de sua família. Cabe a cada um encontrar o equilíbrio necessário para construir as bases para a felicidade da própria família.
A propósito, como anda a sua família?







