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Roberto Motta

Roberto Motta

Crise institucional

As eleições ainda importam?

Entre populismo e ativismo judicial, o Brasil chega a 2026 sem rumo claro, com Estado inchado e eleições vistas por muitos como quase irrelevantes. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

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O futuro do Brasil está escondido atrás de uma porta que precisa ser aberta. A primeira porta abre para a Venezuela. A segunda, para a Argentina de Javier Milei. A terceira porta leva ao Brasil dos anos 1980 — a década perdida. Não há uma quarta porta.

Cresci em um país que acreditava que a pobreza e o subdesenvolvimento eram nossos maiores problemas. Cheguei à idade adulta com a certeza de que a corrupção, essa sim, era a praga a ser extirpada. Hoje, mais da metade do país enxerga o ativismo judicial como o maior mal nacional — um instrumento de arbítrio, injustiça e destruição do sistema republicano.

Magistrados decidiram fazer políticas públicas e legislar. Isso atinge o coração do Estado de Direito que, para funcionar, precisa não apenas de um Judiciário independente e isento, mas também de leis regularmente aprovadas por um Parlamento autônomo.

No caso do Brasil, o sentimento é o de que um grupo de magistrados resolveu, efetivamente, assumir o comando do Estado

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O atual governo — que representa o quinto mandato presidencial do mesmo partido desde 2003 — leva adiante um projeto baseado no populismo econômico e na intolerância ideológica que caracterizam o pensamento socialista. Não há visão de longo prazo.

Políticas são criadas e dívidas são contraídas com objetivos eleitorais imediatos, sempre baseadas na visão do Estado como motor da economia, empregador de última instância e regulador absoluto de tudo. O alinhamento — ou aliança — entre os ativistas judiciais e o atual governo permite que o Executivo extrapole qualquer limite de gastos e fique imune ao controle parlamentar. O governo ri das CPIs.

A história brasileira é uma sucessão de crises, que incluem o golpe republicano de 1889, a “revolução” de 1930 e praticamente tudo o que aconteceu desde a “redemocratização” de 1985. A Constituinte de 1988 alimentou a esperança de mudança. Mas o texto constitucional — chamado, por Roberto Campos, de “dicionário de utopias e regulamentação minuciosa do efêmero” — inaugurou uma aliança entre velhas oligarquias políticas e uma superpoderosa burocracia estatal, que reduziu o conceito de direitos fundamentais a um favor concedido seletivamente pelo Estado.

Os resultados dessa aliança vão além do ativismo judicial: a sensação do cidadão é a de que tudo já está decidido, e só lhe resta pagar impostos e votar a cada dois anos para legitimar o poder daqueles que o oprimem.

Submerso em um sistema midiático e educacional de viés marxista-revolucionário-identitário, que demoniza a herança cultural ocidental, falta ao cidadão até mesmo o vocabulário para refletir sobre aquilo que o cerca. Resta o aprendizado da dependência estatal, que começa cedo com o “pé de meia” e evolui para o Bolsa Família e outros programas dos quais hoje já dependem quase 100 milhões de brasileiros.

Nesse cenário, o que representam as eleições presidenciais? Há pelo menos duas visões. A primeira enxerga as eleições como uma oportunidade de mudança no rumo da economia, de reversão do inchaço do Estado e, mais importante de tudo, de freio à expansão do ativismo judicial.

A outra visão é oposta: há quem acredite que, diante da insegurança jurídica, do cerceamento das liberdades, da progressiva anulação dos poderes do Congresso e da perseguição a políticos de direita, o impacto das eleições será mínimo.

É assim que o Brasil entra no ano de 2026.

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