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Roberto Motta

Roberto Motta

Posição

Não existe terceira via: continuaremos escolhendo entre direita e esquerda

Ou você está de um lado, ou do outro. Ou você considera a propriedade um direito fundamental (direita) ou um roubo (esquerda). (Foto: Imagem criada utilizando Open AI/Gazeta do Povo)

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Alguns candidatos ostentam virtude com a ideia da “terceira via”. Revelam apenas ingenuidade.

"Terceira via" é a sugestão de que existem sistemas políticos independentes das ideias da esquerda e da direita. Não existem. Não existe terceira via.

Desde a Revolução Francesa, o pensamento político é dividido entre dois polos, que se convencionou chamar de esquerda e direita, segundo as posições em que se sentavam os revolucionários e os monarquistas na Assembleia Nacional francesa de 1789.

Essa divisão não é necessariamente boa. Talvez fosse melhor se existissem alternativas para modelar a organização da sociedade e a relação do indivíduo com o Estado. Mas não existem.

Podem vir a existir no futuro. O melhor caminho é a evolução tecnológica – principalmente da IA e da robótica – que tem a possibilidade de libertar a humanidade da escassez, alterando as relações econômicas. Criptomoedas acabariam com o monopólio estatal sobre o dinheiro (e com os bancos centrais e sua inflação). Fontes energéticas baratas enriqueceriam a todos.

Até que isso aconteça, continuaremos escolhendo entre direita e esquerda. O modelo político e econômico da esquerda é o socialismo. O da direita é o livre mercado, apelidado de capitalismo.

Não existe, e nunca existiu, terceira via. O que existe são políticos chamados 'de centro'. Mas esse centro político não é um lugar filosoficamente ou moralmente equidistante das posições de esquerda e direita

O conceito de socialismo foi criado no século XIX. O termo capitalismo foi criado no mesmo período pelo socialista Louis Blanc. Mas o que se chama de capitalismo sempre foi o estado normal da humanidade em toda a história. As pessoas sempre precisaram produzir para sobreviver, e sempre trocaram ou venderam o excesso de sua produção. Ao longo do tempo, como resultado do seu trabalho, das trocas e de outros fatores, algumas pessoas prosperaram enquanto outras permaneceram pobres.

O socialismo, quando surgiu, declarou que isso é injusto, que todos deveriam ter as mesmas coisas e que é tarefa do Estado fazer essa redistribuição de riqueza. Por isso, as ideias essenciais da esquerda são o fim da propriedade privada e o planejamento central das atividades econômicas por um Estado todo-poderoso e onipresente.

As outras doutrinas de esquerda, além do socialismo, são o comunismo, o marxismo, a social-democracia e o "progressismo”. Todas são, mais ou menos, o mesmo conjunto de ideias embaladas de forma diferente para agradar públicos específicos. As ideias essenciais são sempre as mesmas.

A direita se opõe às ideias da esquerda. Isso é muito importante: ninguém é realmente de direita se aceita, ou acha razoáveis, ou defende, ou pratica, ou transforma em lei, as ideias de esquerda. Ninguém realmente “de direita” acredita em Estado interventor, em controle de preços, em regulamentação de todas as atividades, em “estatais estratégicas” ou em políticas de “redução da desigualdade”, que significam autorizar o Estado a tirar a propriedade de uns para transferir a outros.

Para a direita, o Estado deve ser tão enxuto quanto possível e submetido a limites claros, e a legitimidade de um governo vem do consentimento dos governados. Essas são as ideias fundamentais da direita.

As filosofias políticas de direita são o liberalismo, o libertarianismo e o conservadorismo.

Ou você está de um lado, ou do outro. Ou você considera a propriedade um direito fundamental (direita) ou um roubo (esquerda). Ou você acha que a missão do Estado é defender os direitos fundamentais, principalmente a liberdade (direita) ou acha que o indivíduo deve se subordinar aos planos do Estado (esquerda).

Eu não inventei isso.

As ideias da esquerda vêm da Revolução Francesa, dos socialistas utópicos (Fourier, Owen e Saint-Simon), do anarquista Pierre-Joseph Proudhon (criador da frase "propriedade é roubo"), dos inventores do socialismo "científico" (Marx e Engels) e dos socialistas fabianos (criadores da social-democracia). Poderíamos mencionar também Lênin, Gramsci, a Escola de Frankfurt, Saul Alinsky, a turma woke e muitos outros.

As ideias da direita vêm de Adam Smith, John Locke, Thomas Jefferson, Burke, Russell Kirk, Hayek, Mises, Milton Friedman, Thomas Sowell, Roger Scruton, Theodore Dalrymple, Ayn Rand, Margaret Thatcher, Hans-Hermann Hoppe, Roberto Campos, Olavo de Carvalho e muitos outros.

Essas ideias foram desenvolvidas, acumuladas, consolidadas e disseminadas ao longo do tempo. São essas as ideias que orientam os governos em todo o mundo.

Não existe, e nunca existiu, terceira via. O que existe são políticos chamados “de centro". Mas esse centro político não é um lugar filosoficamente ou moralmente equidistante das posições de esquerda e direita – e, como consequência, superior e mais refinado.

Na verdade, grande parte das posições apresentadas como "de centro" são, na prática, ideias de esquerda – principalmente ideias social-democratas. Isso é resultado da hegemonia conquistada pela esquerda nas universidades, na cultura e na mídia.

É exatamente isso que sempre vemos nos candidatos que se posicionam como "terceira via".

Conteúdo editado por: Jocelaine Santos

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