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Um dos argumentos usados por “especialistas” e políticos – geralmente de esquerda – contra a classificação das facções como grupos terroristas é que falta a elas uma finalidade política.
Esse argumento é absurdo.
As facções criaram, dentro do território nacional, um país paralelo onde elas são soberanas. Elas infiltraram as instituições mais importantes da república. Representantes diretos e indiretos do tráfico se apresentam como interlocutores legítimos da sociedade. Nada pode ser mais político do que isso.
Milhares de favelas e bairros são dominados pelas facções. Nas fronteiras desses territórios há postos de vigilância com barricadas e homens armados.
Essas regiões são currais eleitorais de políticos, muitos dos quais, naturalmente, trabalham por uma legislação penal leniente, pela descriminalização do tráfico de drogas e por benefícios de interesse exclusivo de criminosos. Muitos recebem ajuda do tráfico em suas campanhas.
O Brasil está sendo transformado em um hospício moral e um inferno de consciências vendidas
As regiões dominadas pelo tráfico são incubadoras de uma cultura pró-crime que, principalmente através da música, induz jovens ao uso de drogas, glorifica a criminalidade e promove a erotização de jovens e crianças. A indústria cultural da marginalidade também lava o dinheiro das facções.
Essas são áreas de exclusão social e jurídica onde vigora um regime de exceção. Ali o Estado não consegue oferecer serviços essenciais e a iniciativa privada só funciona com autorização. Uma operadora telefônica do Rio que insistia em oferecer serviços de internet teve uma equipe sequestrada. Um supervisor que foi negociar a libertação também foi sequestrado. Hoje, a operadora não presta mais serviços na região. As facções dominam as comunicações, o comércio, a estrutura de transporte e até o fornecimento de água. Elas controlam a liberdade de ir e vir, inclusive de agentes do Estado. Milhões de brasileiros vivem como reféns, sem os direitos garantidos pela constituição.
Se isso não é uma atuação política, o que seria então?
Uma magistrada carioca me informa que oficiais de justiça estão impossibilitados de trabalhar em 40% da área da cidade.
As facções operam um sistema de justiça paralelo. Seus tribunais aplicam penas de banimento, tortura, estupro e morte a qualquer um que contrarie seus interesses. As sentenças, de execução imediata, são anunciadas em avisos pintados em muros no território dominado e divulgadas em músicas e postagens em redes sociais.
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Traficantes ostentam um poder bélico superior ao da polícia e comparável ao das forças armadas. Vídeos facilmente encontrados nas redes mostram exércitos clandestinos armados e uniformizados, treinando manobras.
Como se explica a cegueira voluntária de algumas autoridades diante disso?
O que falta para que o domínio das facções seja chamado do que ele realmente é?
Enquanto o negacionismo ideológico da esquerda impede que a nação tome consciência do terror que a ameaça, a sociedade vai colecionando corpos. São 40 mil mortos todos os anos. Já chegamos a 65 mil homicídios em 2017. Só entre 2003 e 2018, nos primeiros quatro mandatos do PT foram assassinados 875.000 brasileiros.
O Brasil está sendo transformado em um hospício moral e um inferno de consciências vendidas.
Enquanto políticos covardes e incapazes tratam esse problema como se fosse uma conversa de bar, enterramos diariamente nossos mortos.
O domínio da ideologia sobre a justiça nos transformou no matadouro do planeta.
Até quando?

Roberto Motta é pesquisador da área de segurança pública. É autor de 4 livros: “Ou Ficar A Pátria Livre”, “Jogando Para Ganhar: Teoria E Prática da Guerra Política”, “Os Inocentes do Leblon” e "A Construção da Maldade: Como Ocorreu a Destruição da Segurança Pública Brasileira". É graduado em engenharia e mestrado em gestão. Foi um dos fundadores do Partido Novo e é comentarista na Jovem Pan News. **Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.



