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Câmara Municipal de Curitiba.
Câmara Municipal de Curitiba.| Foto: Jonathan Campos/Arquivo/Gazeta do Povo

Uns precisaram de muitos dinheiro para se eleger, outros, de quase nada. Há, ainda, os que gastaram muito dinheiro mas não conseguiram uma cadeira na Câmara Municipal de Curitiba. Encerrado o prazo para a prestação de contas dos candidatos que disputaram as eleições de 15 de novembro, a coluna analisou a arrecadação e gastos dos 38 vereadores eleitos de Curitiba e verificou que teve vereador que precisou quase R$ 500 mil para conseguir os votos necessários para a eleição, enquanto teve, também, vereador que se elegeu gastando apenas R$ 5,7 mil.

Em média, uma candidatura bem sucedida à Câmara de Curitiba custou R$ 100 mil, mas apenas 11 dos 38 vereadores eleitos tiveram uma campanha de seis dígitos. É que os gastos das cinco candidaturas mais caras puxou para cima essa média.

O limite de gastos estabelecido pela legislação eleitoral para as eleições proporcionais em Curitiba era de R$ 530,5 mil. Apenas um candidato a vereador arrecado mais que meio milhão de reais para sua campanha: Alexandre Leprevost, do Solidariedade. Sem utilizar recursos do partido, ele levantou R$ 517 mil em doações de pessoas físicas para sua campanha. Foi dele, também, a campanha mais cara, com gastos de R$ 485 mil. Despesas postais e com gráficas foram os maiores investimentos da campanha.

“O primeiro ponto para deixar claro é que nós declaramos 100% da campanha, conforme toda a regra e, ao mesmo tempo, eu fico muito feliz por ser o candidato que mais arrecadou, tivemos uma campanha muito bem aceita, muitas pessoas acreditaram na nossa proposta e que podemos fazer um mandato propositivo na proposta”, declarou Leprevost.

“Não sou da política, estou indo para meu primeiro mandato, venho da iniciativa privada e, por isso, muitos empresários acreditaram na minha candidatura”, acrescentou, citando que sua campanha montou um departamento financeiro forte para angariar doações.

Entre os doadores para a campanha de Alexandre Leprevost estão muitos funcionários comissionados da Secretaria de Estado da Justiça e Família, comandada por seu irmão, Ney Leprevost. Alguns fizeram doação em dinheiro, outros, em tempo de serviço, com valores financeiros estimados pelas horas de trabalho registrados na prestação de contas do candidato. “São pessoas do nosso grupo político, que acreditavam no nosso trabalho, nas nossas ideias e doaram um pouco de seu tempo para viabilizar nossa candidatura”, comentou.

A segunda campanha mais cara foi a de Flávia Francischini (PSL). Com uma generosa contribuição do partido (mais de R$ 364 mil, dos fundos partidário e eleitoral) a esposa do deputado estadual Fernando Francischini gastou R$ 477 mil em sua campanha, sendo R$ 111,9 mil em despesas contratadas por sua candidatura e R$ 323,8 mil em despesas pagas pelo PSL. A candidata ainda bancou, com recursos partidários, a confecção de materiais da candidata a vice-prefeita de Fernando Francischini, Letícia Chun Pei Pan, num gasto de R$ 39 mil. O gasto com impressão e distribuição de jornal de campanha também foi a maior despesa da vereadora eleita.

A impressão de material foi uma das estratégias abandonadas por quem gastou pouco nesta eleição. Vereador eleito com a campanha mais barata, Márcio Barros (PSD) gastou R$ 5,7 mil para sua eleição. “Minha campanha foi exclusivamente nas redes sociais. Quando perdi a eleição passada, já comecei a mobilizar minha rede social. Tenho sete perfis, uma página, mais Instagram. Fiz live todos os dias, participo de grupos de discussão. Minha campanha estava toda lá. Meus gastos foi com dois assessores e um mínimo necessário de material de campanha”, conta. “Eu estudei bastante redes sociais no período e desenvolvi algumas estratégias que foram fundamentais, tanto que sequer precisei impulsionar conteúdos, foi tudo orgânico”, acrescentou.

A segunda campanha mais barata foi do vereador reeleito Herivelto Oliveira (Cidadania), que gastou R$ 10,8 mil. “Os políticos, principalmente os mais antigos, não têm intimidade com a tecnologia com rede social, com impulsionamento do campanha, ou por desconhecer ou por não acreditar, e fazem campanha no modo antigo. E o modo antigo é bem mais caro. Tem quem manda jornal na casa de todo mundo, eu prefiro fazer post. Com a vantagem que o post tem feedback”, avaliou. “Minha campanha foi de impulsionamento no facebook, cerca de R$ 2,5 mil. Focamos em dois vídeos específicos, um de propostas e um de apresentação. Passamos de 140 mil pessoas de alcance. Esse foi meu gasto básico. Fizemos um folheto – 10 mil unidades e cartões de visita. Com pouco recurso, a gente faz o controle da campanha, faz o número adequado de panfletos, de adesivos, planeja quanto atingir com impulsionamento. Eu sei tudo o que foi feito na minha campanha. Duvido que quem gastou mais de R$ 100 mil saiba”, concluiu.

Dinheiro não garante resultado

Com vereadores se elegendo com campanhas baratas, apostando na internet e diminuindo os gastos com material de campanha, muito candidato que investiu pesado na eleição acabou ficando fora da Câmara Municipal. Ao menos sete candidatos gastaram mais que a média de R$ 100 mil dos vereadores eleitos e não conseguiram uma cadeira na Câmara: Cassiano Caron (PSL), com gasto de R$ 384 mil; Rafaela Lupion (DEM), R$ 186 mil; Monroe Olsen (Novo), R$ 116 mil; Francisco Filho (PMN), R$ 116 mil; Ana Júlia (PT), R$ 115 mil; Ailton Araújo (PSL), R$ 109 mil; e Reginaldo Ananias (PMB), R$ 100 mil.

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