
Parece que foi ontem. O comentário veio do solitário da Vila Piroquinha, no café da manhã, ao ler a notícia do 50.° aniversário do primeiro voo – naquela época voo levava acento, além do astronauta – do homem em órbita da Terra. A brava e indormida imprensa lembrou o feito. Se parece que foi ontem, na opinião de Natureza, para Beronha tudo não passou de lorota, “coisa da guerra fria”, segundo ele, num súbito rompante de comentarista de política internacional.
– Homem no espaço? Nem a pau, Juvenal!, teria exclamado nosso anti-herói.
Para ele, foguete ainda é o foguete que se toma em boteco, aquele porre-mãe como escreveu Jorge Amado.
Deixando de lado o irascível visitante, Natureza comentou que, ao citar Yuri Gagarin, deixaram de lado seu comentário:
– A Terra é azul.
Nada a comemorar
Pois é, 50 anos depois da conquista, Svetlana Savitskaya, a primeira mulher a fazer uma caminhada espacial, disse que a Rússia corre o risco de perder os avanços que conquistou no tempo na União Soviética. Com a falta de recursos e pesquisas, a frota espacial virou sucata.
Savitskaya, que voou em duas missões espaciais em 1982 e 1984 e se tornou a primeira mulher a fazer uma caminhada espacial, diz que, desde o colapso da URSS, em 1991, “não há nada novo para sentir-se orgulhoso nos últimos anos”. Ela é membro do Parlamento pelo Partido Comunista, mas não corre risco de ser mandada para a Sibéria.
De volta ao passado
A propósito da (então) corrida espacial, a Seção Achados&Perdidos, exclusiva do blog, coletou um comentário da imprensa ocidental quando do vôo (sem acento qualquer voo, mesmo de gaivota, fica feio) do Sputnik, no dia 4 de outubro de 1957. Para a turma do design hollywoodiano, a nave – na verdade um satélite de telecomunicações – mais parecia uma chaleira do que uma nave espacial.
Foi a única crítica possível.
Um mês depois, Moscou anunciava a ida ao espaço, pela primeira vez, de um ser vivo. Era a simpática cachorrinha de nome Laika. Mais um susto nos EUA.
ENQUANTO ISSO…








